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Notícias

31 Julho de 2017

Novo álbum de Benjamin Booker

Benjamin Booker - Witness

Ano: 2017

Selo: ATO

Produção: Benjamin Booker

# Faixas: 10

Estilos: Blues, Rock, Soul

Duração: 32:15

"Não dá pra saber se Benjamin Booker vai sobreviver artisticamente para lançar mais um álbum, mas ele já conseguiu apontar um caminho seguro, interessante e criativo para o Blues em 2014. Não fez nada de novo, apenas juntou a informação do passado, a tradição que vem no sangue e a atenção ao que acontece hoje. Conseguiu, ao menos, um grande disco." Há pouco menos de três anos eu fechava a resenha do ótimo disco de estreia de Benjamin Booker com este pequeno parágrafo. Ele fazia sentido, pois se tratava de um belo e raivoso trabalho de atualização do Blues como gênero musical negro e eminentemente urbano, mas ainda nebuloso em termos de amadurecimento e longevidade artística. Com a chegada do sucessor, este ótimo Witness, Booker se põe à prova dos questionamentos sobre sua relevância musical. É um trabalho bem diferente, o que mostra que o rapaz de Nova Orleans não pretende se acomodar por enquanto e, ao contrário disso, ainda busca formas ideais para encaixar sua fúria e seu som. Esta procura, esta jornada é o que nos interessa. Jornada é justamente a palavra que melhor define este álbum. Booker empreendeu andanças pelo sul dos Estados Unidos e México, procurando contato com gente oprimida, vivenciou, burilou, levedou e, enquanto viajava pela realidade do sistema, inspirou-se o suficiente para compor as dez belas canções que compõem Witness. A maior diferença dele em relação ao trabalho anterior é a diversidade. Enquanto a estreia mostrava variações de um Blues feroz e amigo íntimo do Rock mais garageiro e apunkalhado, este novo disco se banha nas águas tépidas das variações mais terrenas da música americana, a saber, Soul, Gospel e o R&B. O que poderia ser sinônimo de termos como "vintage" ou "classic", no entanto soa terrivelmente moderno e atual, com Booker passeando tranquilo e calmo pelos terrenos baldios desses estilos que foram banalizados nos últimos anos. Com conhecimento de causa e um belo senso melódico, o rapaz se veste de relevância nessas canções.

Das dez faixas, apenas duas são descendentes diretas da estreia, a saber, as ótimas Off The Ground (cujo início mansinho engana os desavisados) e Right On You, duas cacetadas certeiras, que, juntas, somam pouco mais de cinco minutos de duração. Guitarras altas, vocais gritados, registrados como se não houvesse amanhã, e uma levada infernal, que parece surgir das profundezas pantanosas de alguma pajelança blues ancestral. A diversidade, no entanto, chama a atenção para vários outros momentos dourados. A pujança Gospel da faixa título, que tem a participação da soberana Mavis Staples, é um hino moderno contra a injustiça, questionando se vamos ser testemunhas do que está acontecendo de errado no mundo ou se faremos algo concreto. Motivation é outra arrasadora canção, com arranjo de cordas e uma levada sensacional, na qual Booker se pergunta sobre o que o move enquanto artista e enquanto pessoa no mundo. É tudo bem singelo, verdadeiro e bonito. Ao longo do disco vão surgindo outros destaques: a blueseira The Slow Drag Under chega a lembrar algo de Come Together, a canção mais blues daquele quarteto de Liverpool. Believe é uma balada dilacerante, novamente com um arranjo de cordas de gente grande e Carry é conduzida por pianos econômicos e uma bateria marcial, que novamente lembra algo dos momentos finais de The Beatles. O encerramento com All Was Well retoma a energia e aponta para o futuro, afinal de contas, Booker só tem 27 anos e, se tudo der certo, muita lenha para queimar. Estamos no aguardo de mais notícias sobre sua jornada em busca de inspiração e verdade, meu caro. É assim que se faz.

(Witness em uma música: Right On You)

Fonte: MonkeyBuzz

 

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