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Canadá

Gabriel Born -

Enquanto escrevo esse texto me dou conta de que faz quase seis semanas que estou de volta, que já estamos no segundo mês de 2015 e que eu tive uma experiência maravilhosa e difícil ao mesmo tempo.


Fui para Edmonton, capital da província de Alberta, no Canadá. Considerando o tempo desde a saída de Lajeado até Porto Alegre, São Paulo, Toronto e Edmonton foram cerca de 24 horas de viagem. Quando cheguei já tinha colocado na minha cabeça: “não vou pegar táxi”. Pois bem, foi o que fiz, no aeroporto, procurei por um ônibus previamente pesquisado, depois um metrô (não sabia exatamente como pagar nem pegar, mas deu tudo certo) até descer numa estação que sabia ser relativamente perto da universidade. Ali a aventura começava, sem mapa, sem celular, sem gps, com três malas e com um inglês imperfeito fui perguntando para as poucas pessoas que encontrava na rua onde ficava a universidade Concórdia.


Em setembro comprei um passe que dava direito a ônibus e metrôs ilimitados durante todo o mês. Daí aproveitava para ir em restaurantes, cinemas, praças, pontes, conhecer o centro e outros lugares da cidade, sem me preocupar com transporte. O sistema de ônibus funciona muito bem, é facílimo pesquisar na internet antes de ir, colocando apenas os locais que se deseja ir e horários que logo se tem retorno das linhas, horários e paradas.
No mesmo mês, o “calor” diminuía e o frio começava a dar sinais. Assim tive uma grata surpresa, vi neve pela primeira vez na minha vida, me senti como uma criança, e depois tantas e tantas vezes caminhando na neve, que sensação maravilhosa e desafiadora, sinto falta disso e sabia que sentiria. Novembro veio, e com ele o frio, e agora eu já me dava conta, não me restava mais muito tempo lá, o que fazer? Como aproveitar? Não consegui ir em todos lugares que queria, às vezes o frio impedia, às vezes o tempo usado para escrever artigos e estudar para as provas também restringia um pouco as coisas.


Em alguns momentos já não aguentava mais a comida do restaurante universitário, e agora justo no fim parece que algumas pessoas começavam a se abrir um pouco para uma conversa ou algo informal. No geral os poucos canadenses com quem tive contato eram muito frios, em um semestre de sala de aula em três disciplinas diferentes não consegui fazer um amigo. Mas em compensação os estudantes internacionais, sejam indianos, europeus, africanos ou árabes normalmente estavam dispostos a trocar uma ideia.


Imaginava passar a Natal lá, talvez na companhia de alguma família ou algo assim e voltar no ano-novo. Acabei por trocar minha passagem e voltar duas semanas antes do previsto inicialmente. Nesse tempo que fiquei lá, talvez pela solidão, talvez pela experiência em si, acabei por me conhecer melhor e penso que mudei. Hoje tenho planos de voltar, possivelmente voltar para ficar. As condições de vida são muito melhores, não há dúvida. Talvez o melhor do Brasil sejam as pessoas, pela facilidade com que nos relacionamos e outros. Mas acho que ainda são necessários alguns séculos para um país melhor, depois de tudo que vi cada vez fico menos interessado em continuar por aqui. Aos que estão na dúvida ou pensam em ir para um intercâmbio: vão! Só indo para saber, seja o lado bom, seja o lado ruim. Depois que voltei penso que poderia ter feito isso antes ou quem sabe até ter ficado lá.
 

 

Gabriel Born, estudante de História.

Intercâmbio na Concordia University College of Alberta - Canadá

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