Aluno de Design cria proposta de sinalização para deficientes visuais

Postado as 16/05/2019 14:42:58

Por Natália Bottoni

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Você sabia que é possível fazer o bem e transformar vidas estando na universidade? Olha que bacana o que nosso diplomado de Design Josué Pereira Dias realizou em seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).

Com o objetivo de auxiliar deficientes visuais no deslocamento em ambientes escolares, Josué realizou um projeto de sinalética para esse público. O TCC “Projeto de sinalética para deficientes visuais focado em escolas de Ensino Fundamental e Médio” apresenta um tema com viés social para trabalhar com a sinalização de ambientes, uma maneira mais simples de entender o termo sinalética. O estudo teve a orientação do professor Bruno da Silva Teixeira.

A diferença entre a sinalização urbana e a sinalética é que a primeira é voltada para a comunicação viária e do trânsito, baseada em acordos internacionais de países, a fim de organizar, controlar e torná-lo seguro. Já a sinalética é a comunicação ambiental específica, diferente em cada caso e que desempenha a função de tornar o espaço entendível principalmente onde se presta algum tipo de serviço.

O projeto traz uma sinalética que permite ao usuário a associação rápida e intuitiva, sem que ele dependa de uma segunda pessoa para auxiliá-lo a realizar determinada atividade. Foi usada uma linguagem simples e de acordo com a realidade desses indivíduos, não havendo a necessidade de um estudo prévio para entender a sinalética desenvolvida.

Entenda a pesquisa

Dados de 2015 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que  6,2% da população brasileira têm algum tipo de deficiência - resultado revelado por meio da Pesquisa Nacional da Saúde (PNS, 2013) em parceria com o Ministério da Saúde. Foram levados em consideração quatro tipos de deficiência: auditiva, visual, física e intelectual. A que inclui um número mais significativo de brasileiros é a visual, chegando a 3,6% da população. A pesquisa revela ainda que a maioria das pessoas que têm deficiência visual está na região Sul do Brasil (5,4%).

“Apesar de saber que as pessoas que têm alguma deficiência dispõem de direitos como qualquer outro cidadão, percebe-se que essa parcela da população segue desamparada em muitos aspectos. Um deles em específico diz respeito à acessibilidade”, explica Dias. Segundo ele, o designer pode ser visto como um resolvedor de problemas, sendo capaz de desenvolver uma solução que possa melhorar a relação humano-ambiente.

Saídas de campo

Dias realizou saídas de campo para realizar a pesquisa. Na primeira, foi para uma escola estadual de ensino médio da região com a finalidade de acompanhar a rotina e o deslocamento de uma estudante de oito anos com deficiência visual. Na época, a escola contava com mais quatro alunos com essa deficiência, mas praticamente não havia investido em acessibilidade, com exceção das rampas de acesso em pontos específicos.

A segunda etapa da vivência ocorreu na Univates, que apresenta um padrão de acessibilidade considerado adequado pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), já que tem piso tátil, rampas de acessibilidade, placas com inscrição em braile, escada projetada com rampa, entre outras adaptações. Dias acompanhou o deslocamento de três voluntárias com deficiência visual pela Instituição.

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Falar com diferentes pessoas, com idades distintas, níveis de deficiência e graus de instrução variados foi importante para perceber que cada indivíduo é único e entende de diferentes formas a informação. Compreender que dentro da deficiência existem ainda mais diferenças e perceber que a funcionalidade de algo para uma pessoa não necessariamente funcionará da mesma forma para outra são análises importantes a serem consideradas no momento de projetar
Diplomado de Design, Josué Pereira Dias

“Seria ótimo ver o projeto ‘ganhar forma’ em alguma escola”

“Entre tantos aprendizados construídos durante a pesquisa, o contato humano com o público-alvo foi o grande diferencial para o desenvolvimento do projeto”, admite Dias. Segundo ele, foi enriquecedor e emocionante ouvir e entender as dificuldades de cada um. A partir disso, ele compreendeu que definir a deficiência visual como um empecilho é reduzir a complexidade humana e subestimar a potencialidade do ser. “Mesmo com dificuldades, todos são capazes de realizar e de ser o que quiserem”, conclui.

O designer observa que a escola é o segundo lar. É nela que o ser humano aprende os princípios da vida em sociedade e se desenvolve enquanto cidadão. “Esse ambiente deve ser acolhedor, seguro, amigável e estimulante para que o aluno possa desenvolver suas habilidades e aperfeiçoá-las. Porém a falta de acessibilidade desses locais interfere nos processos de inclusão e socialização dos estudantes. Seria ótimo ver o projeto ‘ganhar forma’ em alguma escola da região”, reconhece. O material pode ser conferido na Biblioteca Digital da Univates, na área de Design.