O momento é para ficarmos longe, mas mais unidos do que nunca - Parte II

Postado as 30/03/2020 11:30:49

Por Ney José Lazzari

Em belos dias de sol de outono, nuvens pesadas estão cobrindo as nossas praças, ruas, cidades e o nosso campus; elas se apoderaram das nossas vidas, preenchendo tudo de um silêncio ensurdecedor e um vazio desolador, que paralisa tudo. Nosso planeta está enfermo e, até agora, avançamos pensando que continuaríamos sempre saudáveis mesmo em um mundo doente.

Agora estamos temerosos e um pouco perdidos. Temos nos dado conta de que todos estamos no mesmo barco, frágeis, desorientados, mas ao mesmo tempo importantes e necessários: todos estamos sendo chamados para remar juntos, todos precisando de mútuo encorajamento. E, nesse barco, neste planeta, só podemos continuar se conseguirmos estar juntos. O momento é para ficarmos longe, mas mais unidos do que nunca. 

Essa tempestade mostra nossa vulnerabilidade e como deixamos adormecido ou abandonado aquilo que nos nutre, sustenta e dá força à nossa vida e à nossa comunidade. A tempestade veio nos mostrar o quanto podemos estar sendo incapazes de retomar os princípios que nos nortearam, de buscar as nossas raízes e a própria memória dos nossos idosos. Certamente teríamos mais imunidade para enfrentarmos este momento!

Devemos ser capazes de perceber, valorizar e mostrar como as nossas vidas são acolhidas e sustentadas por pessoas comuns, que não aparecem nas manchetes, mas que estão escrevendo os decisivos acontecimentos da nossa história hoje: médicos, enfermeiros, profissionais da saúde, trabalhadores dos supermercados, trabalhadores da limpeza, transportadores, entregadores, policiais, voluntários e muitos outros que se doam e nos ajudam nesta hora e todos os dias.

Perante o sofrimento, quantas pessoas em seu dia a dia exercitam a paciência e espalham a vida. Quantas buscam não semear o pânico, a mentira ou o medo, mas sim a verdade e a esperança! Quantos pais, mães, avós e professores mostram às nossas crianças, com pequenos gestos do dia a dia, como enfrentar e atravessar uma crise, readaptando hábitos e sendo tolerantes e otimistas! 

No meio da nossa tempestade, quem sabe possamos despertar e ativar nossa solidariedade e nossa esperança no mundo e nos apoiarmos para a busca de um significado para tudo isso.

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Estamos iniciando nossa segunda semana de #FicaEmCasa. Para alguns de nós já se inicia a terceira semana. Da forma como as coisas estão andando, dificilmente voltaremos às atividades presenciais, mesmo que parciais, antes do dia 13/04 - a segunda-feira depois dos feriados de Páscoa. 

Tudo é muito estranho, muito novo: até o novo coronavírus tem menos de cinco meses de incubação nos humanos. As técnicas, procedimentos ou drogas que conhecemos se mostram pouco eficientes contra ele. Sendo assim, nós, na Univates, vamos continuar seguindo o que recomendam a ciência, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e as autoridades da área da saúde no Brasil: salvar vidas e evitar o colapso econômico. Para isso é necessário manter setores vitais em funcionamento, como é o caso do nosso Unianálises, e, assim que possível, voltar à vida normal.

 

Hoje, quase 400 funcionários técnico-administrativos estão mantendo a Univates funcionando trabalhando de suas casas. Em algumas noites na semana passada, tivemos picos com mais de 5.000 alunos e professores conectados ao mesmo tempo, em rede, por mais de três horas consecutivas, nas suas aulas síncronas. 

A Univates e seus trabalhadores estão fazendo a sua parte neste momento. Agora é hora de ficarmos longe uns dos outros, mas mais unidos do que nunca. Todos estamos sendo afetados.

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Continuamos com nossas aulas de forma síncrona; com um grande número de pessoas trabalhando home office; com gente nossa trabalhando no front da saúde; continuamos diluindo álcool para 70º; produzindo e comunicando as boas práticas; costurando jalecos de TNT; continuamos com nosso call center à disposição da saúde; auxiliando nossos parceiros com suas compras; produzindo vídeos; continuamos com psicólogos numa rede de apoio; participamos do Grupo de Contingência e Acompanhamento do Coronavírus em Lajeado; estamos esperando os reagentes necessários para começarmos a fazer os testes para detectar o coronavírus; temos uma lista de mais de 200 voluntários esperando serem chamados para ajudar; fazemos cálculos estatísticos para tentar prever o que nos espera; continuamos disponibilizando os espaços físicos da Univates para as autoridades da saúde; continuamos… 

Todos nós continuamos… 

Andrà tutto bene!

Todo irá bien!

Everything will be alright!

Tudo vai ficar bem!

 

Lajeado, 30 de março de 2020. 

Segunda semana de isolamento.

Ney José Lazzari
Reitor da Univates, em nome da Comissão da Univates para Prevenção ao Coronavírus.