
Congresso de Ciência e Tecnologia da Univates recebe Ana Claudia Quintana Arantes para refletir sobre envelhecimento, finitude e sentido da vida
Por Lucas George Wendt
|Postado em: 09/06/2026, 13:15:00
|Atualizado em: 09/06/2026, 14:56:26
O X Congresso de Ciência, Tecnologia e Conhecimento da Universidade do Vale do Taquari - Univates transforma o campus da Universidade, nesta semana, em um espaço de circulação de ideias, pesquisas e experiências que atravessam diferentes áreas do conhecimento. Reunindo estudantes da graduação e da pós-graduação, docentes, pesquisadores, extensionistas, profissionais, representantes de empresas e integrantes da comunidade regional, o evento destaca a necessidade de diálogo entre diferentes saberes para compreender e enfrentar desafios complexos da sociedade.
Com programação distribuída entre os dias 8 e 11 de junho, o Congresso busca promover a divulgação da produção científica, estimular a formação de novos pesquisadores e fortalecer a aproximação entre universidade e comunidade em um ambiente de debate sobre temas socialmente relevantes, permitindo que investigações científicas, ações de extensão, experiências profissionais e reflexões humanísticas compartilhem o mesmo espaço de discussão.

Apresentações de trabalhos na tarde de 8 de junho
DivulgaçãoAbertura com Ana Claudia Quintana Arantes
Entre as atividades que marcam esta edição, um dos destaques é a participação da médica geriatra, escritora e referência nacional em cuidados paliativos Ana Claudia de Lima Quintana Arantes. A especialista participou da abertura oficial do evento, realizada na noite de segunda-feira, 8 de junho, integrando o painel “Uma vida que vale a pena ser vivida”, atividade que mobilizou reflexões sobre envelhecimento, qualidade de vida, finitude, propósito e saúde integral.
Ana Claudia dialoga diretamente com uma das tendências das pesquisas contemporâneas em saúde: a compreensão de que o cuidado não se limita ao tratamento de doenças, envolvendo dimensões emocionais, sociais, culturais e existenciais da experiência humana.
Reconhecida nacional e internacionalmente, Ana Claudia tornou-se uma das principais vozes brasileiras na defesa de uma abordagem mais humanizada do envelhecimento e do cuidado em situações de doenças graves. Ao longo de sua carreira, atuou na consolidação dos cuidados paliativos no país, área dedicada à promoção da qualidade de vida de pacientes e familiares diante de enfermidades que ameaçam a continuidade da vida.
Seu trabalho alcançou grande projeção junto ao público por meio de livros que aproximam discussões complexas da experiência cotidiana das pessoas. A obra A morte é um dia que vale a pena viver, publicada em 2016, tornou-se um marco editorial ao propor uma reflexão acessível sobre a finitude humana e a necessidade de construir trajetórias de vida significativas. O livro ultrapassou fronteiras nacionais e foi publicado em diversos países, incluindo Portugal, México, Itália, Estados Unidos, Japão, Rússia e Coreia do Sul. As proposições que faz na obra guiaram sua palestra na Univates.
Nos anos seguintes, a autora ampliou esse diálogo por meio de títulos como Histórias lindas de morrer (2020), Pra vida toda valer a pena viver (2021), Mundo Dentro (2022), Cuidar até o fim: Como trazer paz para a morte (2024) e Onde fica o céu? (2025).
Embora frequentemente associada à produção de dados, tecnologias e inovações, a atividade científica desenvolvida em espaços com Universidades também é responsável por produzir conhecimento sobre fenômenos humanos fundamentais, entre eles o envelhecimento populacional, a saúde mental, os processos de cuidado e as transformações sociais decorrentes do aumento da expectativa de vida.
No contexto brasileiro, as discussões sobre o tema crescem, uma vez que o envelhecimento da população, uma tendência para as próximas décadas, desafia sistemas de saúde, políticas públicas e estruturas familiares, exigindo novas abordagens para o cuidado de pessoas idosas e para a promoção de qualidade de vida ao longo de todo o ciclo de vida.
A participação de Ana Claudia ocorreu ao lado da psicóloga Juliana Seidl Fernandes de Oliveira, em atividade mediada pela professora Liciane Diehl. O painel integrou a programação cultural e científica da abertura oficial do Congresso, propondo uma discussão que extrapola fronteiras disciplinares e mobiliza interesses de diferentes áreas do conhecimento, incluindo Medicina, Psicologia, Gerontologia, Enfermagem, Serviço Social, Educação e Ciências Humanas.

Palestra com Ana Cláudia
DivulgaçãoPesquisa e interdisciplinaridade
O caráter interdisciplinar está presente em toda a programação do evento. Desde sua concepção e em todas as edições anteriores, o Congresso foi organizado para estimular encontros entre campos distintos do saber, favorecendo a construção de respostas mais abrangentes para problemas contemporâneos. Ao longo da semana, estudantes e pesquisadores têm a oportunidade de divulgar estudos desenvolvidos na Univates e em outras instituições de ensino superior, compartilhando resultados, metodologias e experiências de investigação. Para muitos alunos de iniciação científica, o evento representa uma das primeiras oportunidades de apresentar publicamente seus trabalhos, exercitando competências para a carreira acadêmica, como comunicação científica, argumentação baseada em evidências e diálogo interdisciplinar.
A formação de jovens cientistas constitui uma das finalidades do Congresso. Participando de apresentações, debates e atividades formativas, estudantes podem ampliar seu contato com métodos de pesquisa, procedimentos de análise e diferentes formas de produção de conhecimento.
Além da divulgação de pesquisas, a programação contempla palestras, mesas-redondas, minicursos e atividades culturais que abordam temas relacionados à educação, saúde, tecnologia, extensão universitária, inteligência artificial, envelhecimento, sustentabilidade e inovação. O objetivo é criar um ambiente de aprendizagem que ultrapasse os limites tradicionais das salas de aula e estimule a circulação de diferentes perspectivas.
Programação que ainda acontece no Congresso
Como o evento segue até quinta-feira, 11 de junho, diversas atividades permanecem abertas aos participantes.
Nesta terça-feira, 9 de junho, durante a manhã, ocorreu o painel “Diálogos sobre educação, saúde e ambiente”, reunindo pesquisadores para discutir desafios e perspectivas nesses campos. À tarde, continuam as apresentações de trabalhos do Salão de Iniciação Científica, da Mostra de Trabalhos da Pós-Graduação e do Mestrado e Doutorado Acadêmico para Inovação - MAI/DAI. À noite, o Teatro da Univates recebe a mesa-redonda “Entre Linguagem, Cognição e Tecnologia: Desafios e Possibilidades no Envelhecimento”, com participação de especialistas das áreas de Gerontotecnologia e Fonoaudiologia.
Na quarta-feira, 10 de junho, serão realizados minicursos pela manhã. À tarde, ocorre um minicurso sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e uma mostra de trabalhos das áreas de Ensino e Ciências Exatas em formato on-line. À noite, o professor Márcio Taschetto, da Universidade Franciscana (UFN), ministra a palestra “Curricularizar para transformar: qual o lugar da extensão na formação acadêmica?”. Também serão realizadas as mostras dos cursos de Educação Física, Biomedicina e Farmácia.
O encerramento acontece na quinta-feira, 11 de junho. Pela manhã será realizado o Seminário MAI/DAI, voltado à apresentação de trabalhos vinculados ao programa. À tarde, ocorrerá a apresentação dos destaques selecionados entre os trabalhos submetidos ao Congresso, seguida da cerimônia de encerramento. À noite, o Hall da Biblioteca recebe a Mostra SISA. Confira aqui mais detalhes sobre a programação.

Cinedebate na manhã de 8 de junho
Natalia Nissen
