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Notícias

27 Novembro de 2018

Djavan lança “Vesúvio”, álbum inspirado pela força da natureza

Djavan é uma das instituições da música brasileira. Na ativa desde 1972, o cantor alagoano se destacou por composições que sempre trilhavam o caminho poético sem perder contato com o popular. Metáforas conviviam com levadas cheias de groove, samba, soul, jazz, bossa. Encontros improváveis que, nas mãos de Djavan, viravam sucessos como “Lilás”, “Flor de Lis” e “Oceano”.

 
Em comum, traziam uma verve lírica muito própria, que o destacava dos demais artistas da música brasileira à época. É o que Caetano Veloso viria a chamar de “djavanear”. Sem abrir mão dessas origens e dando um passo além, Djavan lançou na última sexta-feira (23) o álbum Vesúvio (Luanda Records/Sony Music), com 13 faixas compostas, arranjadas e produzidas pelo próprio artista, acompanhado por velhos companheiros — como o guitarrista Torcuato Mariano e os pianistas Paulo Calasans e Renato Fonseca — e dois músicos novos, o baixista Arthur de Palla e o baterista Felipe Alves. Uma parceria de destaque fica por conta de Jorge Drexler, que surge em “Esplendor”, faixa bônus versão de “Meu Romance”, a décima canção do trabalho.
 
Vesúvio explicita ainda mais a forte ligação de Djavan com a temática da natureza, já escancarada em alguns dos seus maiores sucessos. Aqui, ele aposta na potência do vulcão italiano para ilustrar os assuntos que embalam o novo disco, composto entre o período conturbado do processo eleitoral brasileiro e o contraste de seu sítio em Petrópolis, região serrana do Rio, que inspirou “Orquídea”. Lá, em meio à Mata Atlântica, o artista coleciona 850 plantas de 360 espécies diferentes, em uma espécie de retiro do turbilhão de informação da atualidade.
 
O trabalho de Djavan sempre foi fruto de seu tempo, e em seu 24º disco, isso não seria diferente. Partindo de uma vontade genuína de se comunicar com o ouvinte sobre temas tão presentes e à flor da pele, ele transforma um discurso político — “Tudo vai mal/Muito sal/Nada vai bem/Pra ninguém/Nessa pressão/Quem há de dar a mão/Pra que o mundo/Saia lá do fundo/Pra respirar/E não morrer?” (“Viver é dever”) — em otimismo: “Vidas fardos/Meros dados/Incontáveis casos/De desamor/Quanta dor/Muita dor/Quem é que sabe/O quanto lhe cabe/Dessa solitude?/Por isso a hora/De fazer é agora/Tome uma atitude” (em “Solitude”). Mas não deixa de ser intenso, como na faixa-título: “Todo mar tem onda/Você tem um poder/Que me lembra o Vesúvio/O sol é de ouro/Que na foz do prazer/Me transforma em dilúvio”.
 
Esse contraste é exibido na capa do disco, que chegou a ser comparada com Tutu, de Miles Davis. Elas compartilham a fotografia franca de um artista se apresentando ao público de forma sincera e honesta. A associação a nomes de expressão mundial é apenas um dos elementos que fazem de Djavan um dos talentos brasileiros mais respeitados lá fora. Ele começa 2019 atingindo a marca de sete décadas de vida, e embarca em uma turnê que chegará inclusive a Portugal.
 
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