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Alemanha

Arthur Guilherme Griesang -

Para quem tiver a oportunidade, a coragem de se aventurar e a vontade de buscar novos conhecimentos, o Ciência sem Fronteiras é o programa que eu indico.

Desde que ingressei na Univates, tive interesse em buscar experiências acadêmicas fora do país. Pensava em cursar mestrado futuramente, mas fui informado, por alguns amigos e colegas, sobre o programa oferecido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes): o Ciência sem Fronteiras, conhecido entre os estudantes como CsF. Aprofundei-me mais no assunto e descobri que na Alemanha, um dos mais de 30 países abrangidos pelo programa, é onde se encontram as melhores oportunidades para estudantes de Engenharia.

Inscrevi-me para o programa em meados de junho de 2013. Do início até o fim da inscrição corri atrás de vários documentos, sendo o mais importante, para quem busca uma vaga de estudos oferecida pelo governo brasileiro, o comprovante de inicialização científica (como, no meu caso, o comprovante de participação na equipe de robótica do Colégio Evangélico Alberto Torres). Também é obrigatório ter nota mínima na prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e comprovante de proficiência com nota mínima na língua mãe do país de destino. Na época busquei a ajuda da professora de alemão Roseli Kussler, para me preparar para a prova de proficiência, e o auxílio da Assessoria para Assuntos Interinstitucionais e Internacionais (AAII) da Univates, na qual fui bem informado pela equipe, que auxiliou em minha inscrição, me explicando quais os procedimentos necessários para candidatura.

Por não conhecer muito a gramática da Língua Alemã, o edital do qual fiz parte me oportunizou realizar, durante seis meses, antes do período letivo universitário, um curso intensivo de alemão na instituição Carl Duisberg Centrum (CDC), em Berlim. Esse período foi financiado pelo programa, que desde o último edital lançado não foi mais proporcionado. Hoje alunos que procuram se inscrever para o Ciência sem Fronteiras para a Alemanha precisam ter conhecimento mínimo da Língua Alemã de nível B1.

Convivi com cerca de 60 estudantes brasileiros em Berlim, de março a agosto de 2014, e foi uma experiência incrível. Nesse período não conheci muito a cultura alemã – Berlim é uma cidade composta por muitos estrangeiros e poucos alemães –, mas conheci diferentes culturas e costumes brasileiros. Convivi com estudantes provenientes de vários Estados do Brasil.

Durante o curso de alemão deveríamos matricular-nos, em um portal on-line do Deutscher Akademischer Austauschdienst (DAAD), em até três universidades alemãs de livre escolha. Para cada uma deveria ser feita uma carta motivacional, anexando o curriculum vitae e o histórico universitário, com arquivos em alemão ou inglês. Submeti meus documentos, e hoje estou estudando na Universidade Técnica de Kaiserslautern (TUKL).

Kaiserslautern é uma cidade alemã com espírito americano. No local há a maior base aérea americana fora dos Estados Unidos, a Ramstein Air Base, o que faz com que, em certos dias, nos deparemos mais com americanos do que com alemães nas ruas. Pela grande quantidade de habitantes americanos, a polícia local é composta por americanos e alemães. Em certos dias nos deparamos com viaturas e policiais americanos, o que chega a dar uma impressão meio estranha, já que estou na Alemanha. São vestígios ainda da Segunda Guerra Mundial.

O sistema universitário alemão é diferente do nosso. O valor a ser pago consiste somente na taxa de matrícula no início do semestre, não é levado em consideração quantas matérias cada aluno cursará durante esse período, e o valor inclui o que chamamos de Semesterticket, um ticket que dá direito a andar gratuitamente durante o semestre com o transporte público que abrange o Estado onde a Universidade se localiza.

As presenças nas aulas não são obrigatórias, mas são essenciais para adquirirmos conhecimento. As provas, diferentemente do nosso sistema, são aplicadas somente uma vez, por meio de uma prova final, aplicada na maioria das vezes no período de férias de um semestre para o outro. Algumas das aulas são ministradas por dois professores, em que um ensina a teoria e outro, em outro dia de aula, ensina como realizar os exercícios práticos.

A universidade é composta por mais de 60 prédios. No início deste semestre comecei um estágio voluntário com um coordenador e estudante francês de doutorado. Dentro da universidade, o estágio é um trabalho considerado voluntário, não se recebe salário, mas em compensação ganha-se muito conhecimento. O sigilo daquilo que é feito dentro dos laboratórios da TUKL é grande e sempre solicitado. Por conter laboratórios de excelência na Alemanha, empresas europeias contratam a instituição para testar as ideias, sendo a principal solicitação, por parte das empresas, o sigilo. O estágio é uma das grandes oportunidades que recebi para adquirir conhecimento.

Durante as horas vagas do estágio que estou realizando, procuro assistir ao máximo de aulas possíveis, entre elas: Concreto Armado 2 – que estou retomando para adquirir mais conhecimento e aprender sobre a norma europeia –, Concreto Armado 3 – disciplina da grade curricular do mestrado –, Concreto e Cimento para Ocasiões Especiais e Patologias na Construção. Gosto muito da área estrutural da construção civil e essas são matérias que me interessam bastante.

A matrícula dos alunos do Ciência sem Fronteiras, nas disciplinas a serem cursadas, é desnecessária. Somos considerados pela TUKL como “participantes das aulas”, mas também realizamos trabalhos e até provas quando necessário.

Meu maior susto foi após seis meses de curso de alemão, quando entrei novamente em uma sala de aula de Engenharia. Por estar um tempo fora do contexto didático, alguns conceitos foram esquecidos. No entanto, o que mais assustou foi a sensação de não entender nada ao ver os professores falarem e escreverem palavras do vocabulário específico da Engenharia em alemão. Nada preocupante, pois logo relembrei o que já havia estudado e com esforço e estudo o vocabulário acaba sendo fácil de compreender.

Estou no meu primeiro semestre na universidade. Meu contrato, com o governo brasileiro e o Deutscher Akademischer Austauschdienst (DAAD), autoriza-me a estudar dois semestres na Alemanha (até agosto/setembro de 2015). Se eu tiver chance e ficar interessado, posso estudar um semestre e outro trabalhar como estagiário em alguma empresa. No momento estou mantendo contato com algumas empresas e decidindo meu futuro no próximo semestre, que começa em março.

Atualmente, cerca de 50 brasileiros estão estudando na universidade. Com vários grupos nas redes sociais, nunca estamos sozinhos, sempre marcamos de nos encontrarmos em algum lugar, seja para estudar ou por lazer. Muitos dos brasileiros na TUKL são gaúchos, pois a Ufrgs tem convênio com a instituição, o que me faz sentir mais o clima de casa. A universidade conta com muitos estudantes da Índia, de Ruanda e da China. Convivo com diferentes culturas, não só a alemã e a brasileira. Moro em um apartamento estudantil, com dois quartos, o qual divido com um chinês.

A universidade oferece para os alunos uma variedade de esportes para praticar, de forma gratuita. O alemão tem o costume de se manter saudável e praticar esportes. Consta no site da TUKL uma tabela com horários e datas, de forma que oportuniza aos alunos se encontrarem para praticar o esporte desejado.

Estamos agora no inverno, com temperaturas, por enquanto, com máximas de 10ºC. Os dias amanhecem às 8h e escurecem por volta das 17h. Daqui a alguns dias, a previsão é de amanhecer às 9h e escurecer às 16h. Vão ser dias nublados e muito escuros. Um pouco estranho, mas o verão também era, pois amanhecia às 5h e escurecia após as 22h. Agora, todo mundo está aguardando ansiosamente a chegada da neve, o que não deve demorar muito, pois o frio está aumentando a cada dia.

Há pouco tempo, recebi a visita de minha família, o que me motivou mais a continuar batalhando, pois não podemos negar que todos nós, estudantes que residimos longe de nossas famílias, no mesmo país ou em outro, sentimos saudades de casa. Apesar de escutar muita gente falando que estou vivendo em um país melhor e mais evoluído, o sentimento e o aconchego de estar em casa sempre vão ser os mesmos.

Agradeço a chance que a Universidade Técnica de Kaiserslautern, o DAAD e o governo brasileiro estão me dando. Agradeço à escola de idiomas Carl Duisberg Centrum Berlin por facilitar o caminho para me instalar na Alemanha e por me ensinar a Língua Alemã. Agradeço também a ajuda dada pela professora de alemão Roseli Kussler e o apoio dado pela minha família, namorada, amigos e a equipe da Univates. Muito obrigado!

Quem está pensando em buscar uma oportunidade como essa, não pense duas vezes, siga em frente. Com possibilidades como essa não temos nada a perder, só a ganhar.

Intercâmbio na Universidade Técnica de Kaiserlautern, através do programa Ciência sem Fronteiras - Alemanha.

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