A ASSISTÊNCIA À SAÚDE TRANS NA FISIOTERAPIA PÉLVICA: DESAFIOS DO CONHECIMENTO PROFISSIONAL E DA FORMAÇÃO NO RIO GRANDE DO SUL
DOI:
https://doi.org/10.22410/issn.2176-3070.v18i3a2026.4459Palavras-chave:
Pessoas Trans, Travestis, Processo Transexualizado, Diversidade de Gênero, FisioterapiaResumo
Introdução: O direito à saúde, garantido pela Constituição Federal de 1988 e assegurado pelo Sistema Único de Saúde, visa proporcionar acesso igualitário a todos. No entanto, a população trans e travesti ainda enfrenta barreiras significativas no acesso à Fisioterapia Pélvica devido ao preconceito e, sobretudo, à desinformação técnica sobre as repercussões funcionais do Processo Transexualizador. É essencial que os profissionais estejam capacitados para oferecer um tratamento resolutivo e focado na funcionalidade e qualidade de vida dessa população. Objetivo: Analisar o conhecimento de fisioterapeutas pélvicos sobre a assistência a indivíduos trans submetidos à hormonização e procedimentos de afirmação de gênero, investigando o papel da formação acadêmica nesse processo. Método: Estudo qualitativo, transversal e descritivo-exploratório. Foram realizadas entrevistas on-line com seis fisioterapeutas do Rio Grande do Sul, atuantes na especialidade pélvica. Os dados foram analisados por meio da Análise de Conteúdo de Bardin. Resultados: As participantes apresentaram média de 7,7 (± 3,0) anos de formação. A análise revelou uma lacuna entre a ética profissional e a competência técnica, evidenciada pela insegurança no manejo de complicações específicas como a atrofia urogenital e a prevenção de estenoses vaginais. Observou-se que a formação acadêmica, pautada em uma anatomia cisnormativa e binária, invisibiliza as demandas de homens trans e travestis, gerando barreiras de acesso e distanciamento clínico. Considerações finais: A Fisioterapia Pélvica desempenha um papel fundamental no suporte ao Processo Transexualizador, especialmente na reabilitação funcional pré e pós-operatória. No entanto, a persistência do binarismo nos consultórios e a carência de aprofundamento técnico na graduação e pós-graduação limitam a assistência. É urgente a integração dos estudos de gênero à formação clínica para garantir um atendimento equitativo e qualificado às pessoas trans e travestis.
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