LITERATURA E PRÁTICA PEDAGÓGICA REFLEXIVA NO ENSINO FUNDAMENTAL: A HORA DO CONTO NO CEPAE

Simei Araujo Silva, Sílvia Rosa Silva Zanolla

Resumo


O presente trabalho objetivou investigar a identificação dos alunos do 1.º e do 3.º ano da I Fase do Ensino Fundamental do CEPAE/UFG (Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação) com personagens e conteúdos de histórias narradas na atividade “Hora do Conto” na biblioteca (e de outras histórias conhecidas por eles em seu contexto familiar). De um total de sessenta e um alunos, dos dois terceiros anos, foram realizadas vinte e uma entrevistas, correspondendo a 34,43%. Foram também entrevistados dois profissionais, dessa mesma fase da área de Ciências Humanas. Fizemos a observação da “Hora do Conto” na biblioteca no período de três meses. Na escola pesquisada, presenciou-se um ambiente literário propício para formar os contadores de histórias e leitores críticos. Partimos do pressuposto de que a literatura infantil é um recurso fundamental para a formação de valores na criança, especialmente quando se considerou seu aspecto ambivalente: a tensão entre indivíduo e sociedade. Assim, o critério de escolha do livro literário pelo professor e contador de histórias é essencialmente político, pois o conteúdo do texto literário tanto pode reafirmar a ideologia do sistema dominante, adaptando-se a ele, quanto possibilitar ao leitor infantil constituir um pensamento crítico. Recorremos aos teóricos da Teoria Crítica da Sociedade, como Adorno, Horkheimer e Benjamin, para fundamentar essa discussão. Os conceitos de sociedade, educação, ideologia e experiência constituem suportes teóricos norteadores para a análise dos dados empíricos deste trabalho, como também para a reflexão da prática pedagógica do professor. A experiência demonstra que, para as crianças, a literatura, de um lado, revela aspectos utilitários, como seu auxílio para o desenvolvimento da leitura e escrita, e, de outro, contribui para instigar a fantasia e a imaginação, o que lhes possibilitou o exercício do pensamento crítico. Pressupõe-se que a literatura, concebida como arte, possibilita à criança criar novas experiências, isto é, construir reflexões e pensamentos críticos sobre valores da cultura dominante, valores estes que pairam em seu contexto social, sobretudo escolar e familiar.

Palavras-chave


Teoria Crítica; Literatura Infantil; Prática pedagógica

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DOI: http://dx.doi.org/10.22410/issn.1983-0378.v39i1a2018.1840

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