FORMAÇÕES DE PROFESSORES E A ARTE DE UM FAZER(SE) EM INTERVALOS

Vanessa Oliveira Solis, Deisi Sangoi Freitas

Resumo


Este trabalho pretendeu compreender as dimensões da palavra/narrativa e do olhar/imagem enquanto experiências que possam contribuir com a significação de si mesmo e de um fazer do professor em processo de formação inicial. O que seria a formação? O que quer dizer ensinar? O que é desejar ensinar? Essas são questões propostas por Ferry (2004) que nortearam este trabalho, permitindo-nos deslizar por entre as formações. Foram realizados cinco encontros nos quais foram projetados filmes e posteriormente realizada uma escrita livre e uma discussão sobre eles. Com isso, o grupo de participantes da pesquisa pode experimentar o atravessamento imagem-palavra entre os encontros e desencontros de três vias de provocação: a imagem, a palavra e a escrita. Essa abertura de sentidos, possível a partir da relação entre o espectador e a tela de cinema, pode produzir uma importante experiência, justamente porque diz de um encontro entre ambos. Olhar para si de um outro lugar, do estrangeiro de si mesmo. Uma experiência que anuncia um reinventar-se a partir do que vemos e do que nos olha, permitindo-nos ou não ser tocado pelas questões vindas à tona pela via da palavra, do olhar e de pequenos fragmentos escritos que restarem da experiência com a imagem produzida a partir de um lugar de fala e de escuta, de si e do outro, do estranho e do familiar, do duplo de nós mesmos, como se a tela fosse um espelho que refletisse algo de nós, talvez o que temos de mais íntimo. Optou-se por pensar as formações de professores pelo ponto de vista da arte justamente para potencializar espaços múltiplos que pudessem suportar a imprevisibilidade e o insabido. O trabalho caracterizou-se por uma pesquisa de abordagem qualitativa, do tipo estudo de caso, cujo procedimento de coleta de dados foi a observação participante e a filmagem das discussões. A análise dos dados foi realizada a partir do método da narrativa em que a Conversação foi tomada como um dispositivo de pesquisa com grupos em psicanálise. O trabalho foi relevante por possibilitar um espaço para que os sujeitos da pesquisa, licenciandos da Universidade Federal de Santa Maria, matriculados na Disciplina de Estágio Curricular Supervisionado do Ensino Fundamental I do Curso de Ciências Biológicas, pudessem olhar para o seu processo formativo. Portanto, pudemos testemunhar um processo de transformações de sujeitos em professores, e de professores em sujeitos. Esta constatação deu margem para a versão sujeitos-professores como uma única palavra, fortalecendo esses dois lugares que passa a ser um só. Então talvez possamos nomear essa experiência como a “arte de um fazer(se) em intervalos”: uma complexa e delicada arte de um fazer(se) experimentando-se, de um fazer(se) reinventando-se, de um fazer(se) pleno de autoria de si e, consequentemente, a arte de fazer com que cada um torne-se em si mesmo uma obra de arte única, singular e inédita.

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