ORTOPEDIZANDO OS CORPOS: PARADOXOS DA MODERNIDADE

Maria Isabel Lopes

Resumo


Este artigo se ocupa da análise dos discursos psicopedagógicos de algumas obras do mercado psi atual. Seu objetivo é mostrar como esses discursos, ao prescreverem sobre o diagnóstico psicopedagógico, produzem uma psicopedagogia que se constitui como uma ortopedia. Trata-se de uma psicopedagogia específica, fabricada nas malhas de um discurso psicopedagógico que produz um sujeito determinado. Ao tomar como objeto de estudo os discursos que produzem a psicopedagogia como uma ortopedia, este texto está tratando de governo, de uma ação sobre a ação dos outros; um governo que age tanto sobre a atividade do profissional da psicopedagogia, por meio de uma formação específica, como também captura a família e o sujeito criado pelo discurso psicopedagógico. Trata-se, portanto, de um poder que incita, que produz o que a psicopedagoga deve ser e saber, e que direciona suas ações numa operação que não cessa, até que todos [profissional, família e sujeito] sejam atingidos, atravessados por ela. Para a realização das análises que desenvolvo neste trabalho, usei algumas formulações do filósofo francês Michel Foucault, bem como de outros autores pós-estruturalistas. Compõem o corpus desta pesquisa as seguintes obras: Psicopedagogia clínica - uma visão diagnóstica dos problemas de aprendizagem escolar, de Maria Lúcia L. Weiss; A inteligência aprisionada - abordagem psicopedagógica clínica da criança e sua família, de Alicia Fernández; e Diagnóstico e tratamento dos problemas de aprendizagem, de Sara Paín.

Palavras-chave


Psicopedagogia. Governo. Ortopedia.

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