LITERATURA AFRO-BRASILEIRA COMO EPISTEMOLOGIA INSURGENTE: IDENTIDADES, ENUNCIAÇÕES E RUPTURAS DO CÂNONE NA MODERNIDADE RACIAL
DOI:
https://doi.org/10.22410/issn.2176-3070.v18i2a2026.4466Palavras-chave:
Literatura afro-brasileira, Epistemologias insurgentes, Identidade negra, Decolonialidade, Cânone literárioResumo
Este artigo investiga a literatura afro-brasileira como campo de produção teórica e como epistemologia insurgente capaz de confrontar a racionalidade moderna ocidental, historicamente estruturada pela racialização e pela exclusão de corpos negros dos regimes legítimos de conhecimento. Partindo das contribuições de Conceição Evaristo, Miriam Alves, Geni Guimarães e outros autores afro-descendentes, argumenta-se que essa literatura transcende a dimensão estética e se constitui como locus de elaboração crítica que subverte narrativas hegemônicas da nação. Fundamentado em Achille Mbembe, Stuart Hall, Lélia Gonzalez, bell hooks, Denise Ferreira da Silva e Sueli Carneiro, o estudo demonstra que a literatura afro-brasileira reconfigura regimes de visibilidade, reivindica agência epistêmica e instaura novas formas de interpretar corpo, memória, afeto e poder. Ao recolocar a experiência negra como eixo teórico e não apenas testemunhal, esse corpus literário desestabiliza o cânone e demanda outro arranjo do campo literário brasileiro.
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