REGIMES DE EXISTÊNCIA E POLÍTICAS CULTURAIS: MEMÓRIA, INVENTÁRIO E DISPUTA NO CAMPO DO PATRIMÔNIO
DOI:
https://doi.org/10.22410/issn.2176-3070.v18i2a2026.4537Palavras-chave:
Inventário cultural, Memória, Patrimônio cultural, Regimes de existênciaResumo
Este artigo analisa os inventários culturais a partir de uma abordagem teórico-crítica que os compreende como dispositivos de produção de regimes de existência no campo das políticas culturais. Parte-se do pressuposto de que inventariar não constitui um ato neutro de registro, mas uma prática atravessada por relações de poder, escolhas epistemológicas e disputas simbólicas que definem quais referências culturais podem ser reconhecidas como patrimônio. O objetivo é investigar como o inventário atua na articulação entre memória, visibilidade e reconhecimento, participando da constituição de existências culturalmente legítimas. Metodologicamente, o estudo fundamenta-se em revisão bibliográfica e análise conceitual no âmbito dos estudos da memória, da teoria do patrimônio e das abordagens críticas sobre cultura. Argumenta-se que os inventários operam como tecnologias que organizam regimes de visibilidade e produzem hierarquias culturais, ao mesmo tempo em que podem ser apropriados por grupos historicamente subalternizados como instrumentos de afirmação simbólica. Conclui-se que compreender o inventário como prática ética e política permite tensionar os limites das políticas patrimoniais e ampliar as possibilidades de reconhecimento da diversidade cultural no contexto brasileiro.
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