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08 Novembro de 2019

Trajetória na graduação leva diplomado a fazer doutorado na Alemanha

Diplomado do curso de Ciências Biológicas - Licenciatura pela Universidade do Vale do Taquari - Univates no final de 2018, Rafael Spiekermann iniciou recentemente seu doutorado na Alemanha, na Universität Tübingen, na cidade homônima, e no Senckenberg Forschungsinstitut, em Frankfurt.
 
 
Conforme explica Spiekermann, sua seleção direta ao doutorado decorre de um conjunto de experiências que ele teve durante a graduação. “Tive experiência em pesquisa, já que atuei durante cinco anos como Bolsista de Iniciação Científica no Laboratório de Paleobotânica e Evolução de Biomas da Univates, sob a orientação do professor Dr. André Jasper, e participei de projetos de pesquisa nacionais e internacionais. Também tive publicações científicas em revistas nacionais e internacionais”. 
 
 
Além disso, o diplomado comenta a importância de ser fluente em alemão e inglês, a relevância do seu projeto de pesquisa em âmbito global (o material de estudo está preservado em rochas da América do Sul, África, Índia, Austrália e Antártica), o alto nível das instituições onde realiza seu doutorado e a excepcional qualificação do seu orientador, professor Dr. Dieter Uhl, como fatores que contribuíram para a sua seleção.
 
 
Para Spiekermann, fazer intercâmbio pela Univates durante a graduação foi importante para ele cursar um doutorado no exterior. “Realizei meu intercâmbio na Halmstad University, na Suécia. Além de compreender melhor como funciona o sistema acadêmico na Europa, destaco a importância do aprendizado da língua inglesa durante o período. É fundamental que um pesquisador saiba se comunicar, ouvir, ler e escrever fluentemente em inglês. Caso pudesse dar um conselho a estudantes de graduação, este seria: faça um intercâmbio em um país onde você irá aprender inglês”, sugere.
 
 
Sua pesquisa de doutorado dá sequência ao tema que Spiekermann abordou em seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), no qual ele estudou as licófitas arborescentes e sub-arborescentes do Paleozoico Superior da Bacia do Paraná (Brasil). 
 
 
“A minha tese se intitula ‘Licófitas arborescentes e sub-arborescentes do Permiano do Gondwana’. Seguirei investigando essas plantas, mas em uma escala geográfica que contempla todo o paleocontinente Gondwana, atualmente América do Sul, África, Índia, Austrália e Antártica. A pesquisa tem como objetivo elucidar a taxonomia e reconstruir os padrões paleoecológicos e a distribuição paleobiogeográfica dessas plantas durante o Permiano no Gondwana, um período ocorrido há aproximadamente 280 milhões de anos. Espera-se compreender também como as mudanças paleoclimáticas e paleoambientais que ocorreram no Permiano influenciaram a distribuição paleobiogeográfica dessas plantas durante esse período geológico”, explica.
 
 
Internacionalização e integração entre graduação e o PPGAD
Mesmo fazendo doutorado na Alemanha, Spiekermann segue fazendo parte do projeto de pesquisa conduzido por Jasper no Programa de Pós-Graduação em Ambiente e Desenvolvimento (PPGAD) da Univates. Neste mês, por exemplo, o diplomado apresentou novos resultados advindos desse projeto no 19th International Congress on the Carboniferous and Permian, que foi sediado em Colônia (Alemanha). “Essa iniciativa é de grande importância para a internacionalização do PPG, uma vez que esse evento reuniu especialistas de universidades e instituições de pesquisa de várias partes do mundo. Além disso, minha pesquisa se entrelaça com a temática desenvolvida no projeto que o André desenvolve no PPGAD, e a cooperação acadêmica entre esse programa e as instituições alemãs onde realizo meu doutorado com certeza se fortalecerá”, finaliza.
 
O que são licófitas?
As licófitas formam uma linhagem de plantas vasculares que surgiu no planeta Terra há aproximadamente 420 milhões de anos. Elas se reproduzem por meio de esporos e uma das principais características da linhagem é a presença de micrófilos, que são folhas que possuem um único feixe vascular central (Taylor et al., 2009). Atualmente as licófitas formam um grupo de plantas exclusivamente herbáceas, composto por 1.338 espécies (PPG I, 2016). Entretanto, em períodos geológicos, elas desenvolveram hábitos de crescimento arborescentes e sub-arborescentes e foram importantes componentes florísticos e até mesmo a vegetação dominante de algumas das primeiras florestas que se desenvolveram no planeta Terra (Berry and Marshall, 2015).
 
 
O apogeu das licófitas arborescentes ocorreu durante o Carbonífero Superior (aproximadamente entre 320 e 300 milhões de anos atrás), quando formaram grandes florestas pantanosas ao longo do cinturão tropical Euroamericano. O acúmulo de matéria orgânica proveniente dessas plantas nesses pântanos formou uma grande camada de turfa que resultou nas extensas camadas de carvão mineral localizadas no Hemisfério Norte. No final do período Carbonífero, mudanças climáticas e ambientais culminaram na extinção dessas grandes florestas tropicais (DiMichele and Phillips, 1996).
 
 
Na região Sul do Brasil, licófitas arborescentes e sub-arborescentes foram importantes componentes da vegetação durante o Permiano Inferior, há aproximadamente 290 milhões de anos. Elas cresciam ao longo de rios e especialmente em áreas pantanosas, onde foram importantes componentes da biomassa que resultou nas finas camadas de carvão mineral localizadas nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. O mais típico gênero de licófita encontrado em rochas sedimentares do Permiano Inferior do Brasil é Brasilodendron, porém ainda se sabe pouco sobre a biologia dessa planta (Spiekermann et al., 2018).
 
 
Texto: Nicole Morás
Foto: Divulgação

 

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