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Estudo analisa composição das florestas ribeirinhas com maiores graus de preservação às margens do rio Forqueta

Postado as 17/01/2023 13:40:54

Por Natalia Nissen

A vegetação no Vale do Taquari está inserida no bioma Mata Atlântica. Com o objetivo de caracterizar a estrutura da comunidade arbórea de quatro remanescentes de floresta ribeirinha às margens do rio Forqueta, na bacia hidrográfica do rio Taquari, o biólogo Guilherme André Spohr realizou um levantamento fitossociológico em 105 unidades amostrais em transectos paralelos ao leito do rio. 

O estudo foi realizado como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) para obtenção do grau de bacharel em Ciências Biológicas pela Universidade do Vale do Taquari - Univates e orientado pela professora doutora Elisete Maria de Freitas. O estudo faz parte do projeto de Metodologias de Restauração da Mata Ciliar dos rios da região, financiado pela CEEE Equatorial e com apoio da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura do Rio Grande do Sul (Sema).

Spohr conta que, logo no início da graduação, se identificou com as disciplinas de botânica ministradas pela professora Elisete. O interesse por botânica aumentou ao longo da jornada acadêmica e, com ele, surgiram a curiosidade e o interesse em compreender como os fragmentos florestais se comportam, buscando saber a diversidade de espécies que poderiam ser encontradas e quais fatores ecológicos influenciavam essa composição.

A partir disso, o então estudante e a professora definiram o tema do TCC. "Buscamos avaliar a composição de diferentes remanescentes de floresta ribeirinha, tendo como principal diferença entre eles a largura. Um dos nossos questionamentos era verificar se haveria diferença na composição estrutural entre fragmentos florestais mais largos e fragmentos mais estreitos. As florestas ribeirinhas possuem um papel ecológico extremamente importante e, além disso, são Áreas de Preservação Permanente, portanto protegidas por lei", justifica.

Segundo o biólogo, a realização do estudo foi cansativa e exigiu inúmeros trabalhos de campo. “Tudo isso com a colaboração dos bolsistas e orientandos do Laboratório de Botânica da Universidade, que é coordenado pela professora Elisete. Apesar de tudo, foi um trabalho incrível de ser feito e que nos apresentou diversos resultados”, destaca.

Acervo Pessoal/ Divulgação

O estudo

A ação humana, o desenvolvimento das cidades e a expansão agrícola resultam na supressão dos recursos naturais, principalmente aqueles relacionados à vegetação nativa. Tal cenário representa uma ameaça à biodiversidade global.

De acordo com o estudo de Spohr, grande parte da biodiversidade do planeta está inserida em florestas tropicais, e o Brasil destaca-se nesse contexto devido a suas grandes formações florestais: Amazônia e Mata Atlântica. À Mata Atlântica, por exemplo, são atribuídas cerca de 20 mil espécies vegetais, o que representa aproximadamente 40% das espécies brasileiras.

As florestas ribeirinhas compreendem as formações florestais e vegetais existentes às margens de corpos d'água e são reconhecidas como áreas de preservação permanente (APP), protegidas por lei federal. São florestas de grande importância para a movimentação da fauna, dispersão de espécies vegetais e fundamentais para a proteção e regulação dos recursos hídricos e dos solos.

Segundo o biólogo, há uma necessidade de aplicação de projetos para restauração das porções degradadas. Contudo, isso exige conhecimento da composição florística e da estrutura dos fragmentos preservados. Os levantamentos fitossociológicos servem de base para programas ambientais de gestão, manejo e restauração dos ambientes degradados.

No estudo de Spohr, o levantamento foi realizado em unidades amostrais de 100 m² distribuídas a cada 20 metros em linhas paralelas ao leito do rio Forqueta, nos municípios de Marques de Souza e Travesseiro. 

Resultados do estudo

Para o estudo, foram amostrados 1.758 indivíduos, pertencentes a 90 espécies e a 36 famílias. A partir da pesquisa, Spohr concluiu que os fragmentos apresentaram elevada diversidade, sendo a maior nos remanescentes largos, que se encontram em bom estado de conservação. Também foram registradas cinco espécies exóticas invasoras, no entanto com baixo índice de invasão biológica nas quatro comunidades avaliadas. 

Distinta

"Apesar da baixa quantidade e incidência de espécies exóticas invasoras, que ainda não apresentam uma ameaça à biodiversidade local, há a necessidade de intervenções nesses ambientes para que elas sejam eliminadas, a fim de manter os altos níveis de conservação", completou.

Para o biólogo, "embora os quatro remanescentes encontrem-se em bom estado de conservação, é provável que o tamanho maior associado à elevada declividade do terreno e à acentuada presença de rochas nos remanescentes largos tenham favorecido a sua preservação, provavelmente por dificultar a ação do homem".

Em comparação a outros estudos em florestas ribeirinhas no Rio Grande do Sul, a riqueza das áreas amostradas pode ser considerada elevada. Isso porque o estudo realizado em quatro remanescentes, com 10.500 m² de amostragem, apresentou riqueza semelhante a outro estudo que registrou 112 espécies e 39 famílias em seis remanescentes nas margens do rio Taquari, que pertence à mesma bacia hidrográfica. 

Segundo o biólogo, a partir da pesquisa foi possível observar a composição das florestas ribeirinhas com maiores graus de preservação. As informações obtidas fornecem subsídios importantes para a implantação de projetos de restauração de áreas degradadas próximas aos remanescentes analisados e também para a avaliação e comparação, ao longo dos anos, de alterações na composição e estágios de uma comunidade, além de fornecer resultados de diversidade e riqueza, contribuindo para outros estudos e projetos, como no caso dos projetos de restauração de áreas degradadas, que também vêm sendo desenvolvidos pelo Laboratório de Botânica da Univates.

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