Pesquisa do curso de Medicina da Univates relaciona doenças alérgicas e amamentação

Postado as 27/02/2019 14:36:05

Por Natália Bottoni

Nicole Morás

O crescente número de doenças alérgicas e sua relação com a amamentação exclusiva por períodos prolongados é o tema do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) do acadêmico de Medicina da Univates Augusto Lengler Konrath. Ele finalizou a pesquisa em outubro de 2018. Para complementar o que já foi estudado, a aluna Vitória Baségio Dall Agnol irá avaliar se a hipótese levantada pelo estudo se repete na região do Vale do Taquari, por meio da análise em bebês nascidos na região.

De acordo com o orientador da pesquisa, o professor adjunto da Univates, Dr. Ramatis de Oliveira, o assunto é relevante pelo crescente aumento de doenças alérgicas no mundo. “A partir do estudo, supõe-se que esse aumento pode estar ligado ao período de amamentação exclusiva, que é quando o bebê só recebe leite materno e não outros alimentos. Ou seja, a pesquisa não se aplica para casos de amamentação não exclusiva, onde a amamentação é administrada com outros tipos de alimentos. No TCC são abordados casos de crianças que foram amamentadas exclusivamente por mais de seis meses e apresentaram maior incidência de alergias na infância e na vida adulta”, explica.

De acordo com De Oliveira, isso acontece por conta da não maturação do sistema imunológico frente a determinados microrganismos nos primeiros meses de vida. O leite materno protege passivamente a criança diante desses invasores, mas, ao mesmo tempo, não protege contra a maioria dos agentes que causam alergias. “Assim, o bebê recebe maior proteção contra microrganismos e não alérgenos. Isso gera um desbalanço na resposta imunológica, que favorece o desenvolvimento de doenças alérgicas”, esclarece. Segundo ele, essa situação é crítica no primeiro ano de vida, momento em que os bebês costumam levar objetos, por exemplo, à boca.

Divulgação

Conforme Augusto, o trabalho foi baseado em 43 artigos científicos, dos quais 13 são pesquisas sobre o efeito da amamentação exclusiva no desenvolvimento de asma ou de dermatite atópica (alergias da pele). “A maioria dos estudos aponta que quanto maior o tempo de amamentação exclusiva, mais provável é o desenvolvimento de alergia de pele ao longo da vida. De forma inversa, a amamentação exclusiva parece ter um efeito protetor contra a asma”, afirma. No entanto, os achados científicos não são definitivos, pois cada artigo analisado tem suas particularidades e possíveis contradições.

O tema da pesquisa é relevante pois explica o aumento da prevalência de doenças alérgicas no mundo inteiro, já que pouco se sabe sobre as possíveis causas dessa epidemia. Também é válido para os países em que há bom grau de higiene, não sendo pertinente nas regiões em que as condições de higiene são mais precárias.

Augusto alerta para a importância da amamentação materna, pois “ela é a melhor forma de nutrição para bebês e crianças até os seis meses de idade. Além disso, os pais devem seguir as recomendações dos pediatras quanto à alimentação dos pequenos”, sugere. Ele conclui que a amamentação continua sendo a alimentação preferencial para as crianças, porém o tempo de exclusividade da amamentação e a introdução de novos alimentos aos bebês pode ser revisto segundo os resultados apresentados em seu trabalho.