Curso de extensão de Libras em Ambientes Radiológicos forma primeira turma

Postado as 01/07/2019 13:35:54

Por Lais Pontin Matos (Imprensa)

A Universidade do Vale do Taquari - Univates ofertou no último mês o curso de extensão de “Libras em Ambientes Radiológicos” para estudantes de todas as áreas da Instituição. Responsáveis pelo planejamento da iniciativa, o professor Geisel Eduardo Guzen da Silva e a pedagoga Rosane Kruger Gomes acreditam que, devido ao expressivo crescimento de demandas de acessibilidade na sociedade contemporânea, universalizar o atendimento em ambientes diversos torna-se primordial. 

 

Na Univates os alunos do curso de extensão de Libras em Ambientes Radiológicos aprendem com materiais adaptados e aulas expositivas. “A Língua Brasileira de Sinais possui alfabeto próprio e terminologias específicas. Os estudantes traduzem e interpretam sentenças em Português e em Libras. Além disso, oferecemos a eles atividades práticas de comunicação com pessoas surdas, trazendo, assim, mais realidade ao curso”, explica Silva, que também atua como coordenador do Curso Técnico de Radiologia da Univates. O professor destaca o ineditismo do curso de extensão na região do Vale do Taquari.

 

 

Artur Dullius

"Nossa proposta é novidade em âmbito local e talvez em cenário nacional também. Objetivamos, sobretudo, capacitar os estudantes para que eles possam disseminar a Língua Brasileira de Sinais em contextos do mercado de trabalho. Gostaríamos de ver essa iniciativa expandindo-se para graduações da área da saúde”, comenta.

 

“É maravilhoso atender um paciente e passar tranquilidade para ele”

O curso de extensão de Libras contou com a participação de 12 alunos ouvintes (não surdos) do Técnico em Radiologia. Um dos estudantes envolvidos foi Moriel Carbonari, que acredita que a comunicação, apesar de ser intrínseca a todos, nem sempre é praticada de maneira efetiva. “Muitas vezes acabamos não percebendo que uma pessoa surda é aquela que espera atendimento médico sentada ao nosso lado, por exemplo. Conseguir descrever a dor que se sente, estudar e alfabetizar-se, comprar uma roupa, fazer um pedido num restaurante são atividades que podem causar estresse tanto em surdos quanto em ouvintes quando ambos não estabelecem uma relação comunicativa eficaz”, observa. 

 

Foi por querer compreender as nuances e os significados de um mundo no qual não cresceu que Carbonari decidiu participar do curso de extensão. Ele aprova as metodologias empregadas nas aulas. “São ministradas por professores de alto gabarito, os alunos envolvem-se durante as atividades e há a presença de surdos. As dinâmicas ocorrem de forma muito natural”, destaca o estudante. 

 

Artur Dullius

Para Carbonari, o mercado de trabalho deve incluir todas as pessoas que apresentam algum tipo de deficiência. “Preparar esses indivíduos para o mundo é, em parte, tarefa das universidades. Torço para que mais Instituições desenvolvam projetos de capacitação. Na área da saúde, por exemplo, é maravilhoso atender um paciente e passar tranquilidade para ele”, finaliza. 

 

Saiba mais

Em Lajeado já existe uma Associação de Surdos, a Asla. “Atualmente quinze famílias encontram-se cadastradas na entidade. O número, entretanto, não reflete a quantidade total de surdos que a região abriga. Sabemos que a condição também atinge indivíduos que não estão cadastrados na Associação e que residem em diversos municípios do Vale do Taquari”, esclarece. No país, conforme levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2010, cerca de 9,7 milhões de pessoas apresentam algum tipo de deficiência auditiva. 

 

A Língua Brasileira de Sinais (Libras) foi legalmente reconhecida como meio de expressão e comunicação em 2002. Desde 2007 as universidades do país podem adotá-la como disciplina curricular. Em cursos específicos, como as licenciaturas, Libras é obrigatório no currículo.