Um olhar para a educação no Vale do Taquari

Postado as 23/07/2019 14:00:35

Por Agenda7 Comunicação

À luz da educação, a Universidade do Vale do Taquari - Univates criou novas condições para que a população de Lajeado e de municípios vizinhos alcançasse mais alto grau de desenvolvimento econômico e social. Por suas classes passaram estudantes que se tornaram professores notáveis e dirigentes que fizeram história no ensino na região.

Elise Bozzetto

Lajeado é um dos municípios com maior desenvolvimento socioeconômico do Brasil. Na mais recente divulgação do Índice Firjan, relativo a 2016, a cidade aparece em 2° lugar no Rio Grande do Sul e em 6º no País. Essa projeção nacional ratifica outros rankings igualmente importantes, que consideram não só a cidade, mas toda a sua região, em aspectos quantitativos e qualitativos de saúde, educação e renda.

No Índice de Desenvolvimento Socioeconômico (Idese), publicado de 2007 a 2015 pela Fundação de Economia e Estatística (FEE), em todas as edições o Vale do Taquari se manteve nas primeiras posições entre os 28 Coredes do Estado. Uma análise mais detalhada do levantamento mostra que, ao longo desses nove anos, o Vale se sobressai no bloco Educação: chegou a ficar no topo da lista por três anos consecutivos.

Os indicadores refletem a maturidade de uma região que cresceu e se desenvolveu com histórico de valorização do ensino. Lajeado, com tradição na formação das “normalistas”, avançou por esse caminho quando passou a oferecer seus primeiros cursos de nível superior. Há 50 anos, a Univates nasceu com a criação do curso de Letras. Essa oportunidade de qualificação local veio ao encontro de novas exigências que surgiram na época e mudaram a estruturação do ensino no Brasil. Em 1971, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB (Lei nº 5.692) passou a requerer dos professores formação específica para o ensino de 1º Grau (até o oitavo ano de escolaridade, hoje Ensino Fundamental até o nono ano) e para o ensino de 2º Grau (atual Ensino Médio).

 

 

A professora Ledi Schneider, na época titular da 3ª Delegacia de Ensino (DE), hoje 3ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), sediada em Estrela, acompanhou de perto essa mudança e, com muita expectativa, a chegada dos primeiros diplomados da Fates às escolas da região. Como gestora, sendo responsável por mais de 200 instituições da rede estadual de ensino, conseguiu contornar uma das grandes dificuldades na administração do quadro de pessoal, que era poder contar com profissionais habilitados para atender ao que a legislação educacional exigia.

 

“A Univates trouxe grandes benefícios para a área educacional da região. Inicialmente pela qualificação do ensino e, com o tempo, também pela busca de novas tecnologias para aperfeiçoar e aprofundar pesquisas nas questões ambientais, da saúde e do ensino”, contextualiza Ledi.

Uma vida dedicada à sala de aula

Formada pela Fates na primeira turma de Letras, a aposentada Vanda Bergmann se tornou uma das professoras de Português mais respeitadas de Lajeado. Mérito de uma moça estudiosa, que dormia com pilhas de livros ao lado da cama e temia chegar à sala de aula e se deparar com uma pergunta a que não soubesse responder.

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Ela aproveitou todas as oportunidades de aprendizado proporcionadas pela faculdade, inclusive sendo voluntária no primeiro grupo da cidade a participar do Projeto Rondon, em uma expedição de 48 dias por Rondônia. “Como professora, sempre tive boa fama. Era exigente, mas ao mesmo tempo brincalhona. Dizia aos alunos que só queria gente responsável saindo das minhas mãos, para que quando chegassem ao mercado de trabalho não fossem zés-ninguém”, lembra Vanda.

Ao longo de 40 anos dedicados ao magistério, lecionando em escolas públicas e privadas, calcula que por suas mãos tenham passado mais de cinco mil estudantes. Com muito orgulho, conta que alguns conquistaram posição de destaque na região. E entre seus alunos mais ilustres, cita com carinho o atual reitor da Univates, professor Ney Lazzari.

De representante estudantil a secretária de Educação

“Estava à toa na vida / O meu amor me chamou / Pra ver a banda passar...” Foi com a letra da canção A Banda, no alto do Largo da Prefeitura de Lajeado, que uma jovem de 18 anos se dirigiu aos estudantes durante a visita do então ministro da Educação, Tarso Dutra, em evento que oficializou a instalação do Ensino Superior no Vale do Taquari. Conforme datado no discurso, era 10 de abril de 1969.

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Em sua fala associada à música, ela convidava para que se tornassem protagonistas da história, abandonando o assento de meros espectadores: “Chegará o dia em que ninguém ficará esperando para ver a banda passar, porque todos estarão tocando”. E assim aconteceu. Ela própria “afinou seu instrumento” e foi componente de destaque “na banda da região”. A  representante da classe estudantil era Rejane Maria Thomas, aluna do 3º ano do Magistério da Escola Madre Bárbara, que dois anos depois entraria para a terceira turma de Letras da Univates.

“Fui contagiada pelo entusiasmo de amigos e parentes e pelas excelentes referências dos cursos já implantados na cidade”, pontua Rejane, que hoje assina Ewald. Ela acreditou na qualificação oferecida na cidade e construiu uma sólida carreira na área, algumas das credenciais que a  levaram ao cargo de secretária municipal de Educação, posição que ocupou por 15 anos consecutivos em Lajeado (1997 a 2012).

 

Este texto faz parte da Revista 50 anos, disponível em https://www.univates.br/media//50anos/revista_univates_50anos.pdf