Aluna do curso de Letras da Univates apresenta TCC em inglês, com professora estrangeira na banca

Postado as 13/12/2019 14:15:05

Por Júlia Amaral

O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da aluna do curso de Letras Marcela Fischer foi o primeiro da Universidade do Vale do Taquari - Univates a ser apresentado em inglês. A defesa ocorreu na manhã de ontem, dia 12. O trabalho, intitulado “O ensino da compreensão da ironia na Educação Infantil: uma abordagem pragmática”, usou uma metodologia desenhada pelo grupo de pesquisa da professora Elizabeth Nilsen, da University of Waterloo, no Canadá, que esteve na banca por videoconferência. 

Lais Pontin Matos

“Estabelecer vínculos de pesquisa e de produção do conhecimento com pesquisadores de outras universidades do mundo é, sem dúvida, uma excelente maneira de ampliar horizontes de pesquisa e de produção do conhecimento”, diz a professora doutora e orientadora do trabalho, Kari Lúcia Forneck. Conforme a professora, para o curso de Letras, que tem como foco o estudo da linguagem em suas diferentes manifestações, essa experimentação com outras formas de aprender, de conhecer e de interagir resulta em aprofundamento e qualidade do que se pensa, se escreve e se compartilha em termos de conhecimento.

Durante o processo de elaboração do projeto de pesquisa, Marcela entrou em contato com a professora Nilsen, que cedeu as testagens para utilização na metodologia. A estudante traduziu o experimento para o português e o adaptou aos contextos de linguagem brasileiros. Mais tarde, ao longo da escrita do TCC II, convidou a professora Nilsen para avaliar o trabalho final.

Eu me sinto muito honrada e feliz por ser pioneira de uma banca com uma convidada internacional. Essa escolha, com toda certeza, foi muito importante para minha vida acadêmica, pois foi um passo além que pude dar e abrir esse caminho para outros alunos que tenham interesse em realizar bancas com convidados internacionais
Marcela Fischer

A professora Kari destaca a autonomia e a iniciativa da aluna. “Foi ela quem descobriu o experimento e iniciou os contatos com a professora Elizabeth Nilsen”, conta. “Experiências de internacionalização sempre são desafiadoras. É tão bom perceber que podemos estar conectados com o mundo e discutir temas importantes abordados nos TCCs com pessoas de outros países, saber o que pensam e estudam, enriquecendo o nosso trabalho, engrandecendo nossa vida pessoal pelas trocas e ampliando as percepções sobre as nossas áreas de atuação”, conclui Marcela.

Sobre a pesquisa

Lais Pontin Matos

Em seu TCC, Marcela verificou se é possível ensinar, em contextos lúdicos, a compreensão de ironias a crianças em idade pré-escolar. “Os recentes achados revelam que crianças aprendem naturalmente o processamento de ironias mais tarde, quando já ingressaram no Ensino Fundamental”, justifica a professora Kari. 

Para dar conta desse tema, Marcela desenhou uma metodologia que previu testagens e intervenções didáticas, no campo teórico da Pragmática em interface com a Psicolinguística.

A estudante explica que esses testes avaliaram três aspectos: a compreensão e percepção do contexto linguístico, da intenção do falante e do comportamento do falante. “A aplicação dos testes se deu em dois momentos. Primeiro foi aplicado um pré-teste nos grupos formados para essa pesquisa, um grupo de aplicação e outro de controle. No grupo de aplicação foram trabalhadas as oficinas e no grupo de controle foi somente aplicada a testagem, não sendo feita nenhuma outra intervenção. Após foi aplicado novamente um pós-teste nos dois grupos”, conta.

Divulgação

Com as intervenções, o grupo de aplicação obteve uma melhora significativa do pré-teste para o pós-teste e em comparação com o grupo de controle, comprovando, assim, que conseguiram compreender melhor os contextos irônicos. Em linhas gerais, o trabalho traz novas contribuições para os estudos sobre processamento da linguagem na infância, avançando no conhecimento produzido acerca dessa temática. Os resultados, além disso, poderão auxiliar os profissionais que trabalham na Educação Infantil.

Nos 50 anos do curso de Letras, mais uma fronteira se cruza, mais longe chegamos e mais laços se estreitam. É a linguagem que nos torna tão diferentes e, ao mesmo tempo, tão iguais
Kari Lúcia Forneck