Estudantes de Medicina criam perfil no Instagram para combater a violência psicológica contra a mulher

Postado as 18/03/2020 14:08:18

Por Júlia Amaral

No quarto módulo do curso de Medicina da Universidade do Vale do Taquari - Univates, os alunos cursam a disciplina Saúde da Mulher. O objetivo, proposto pela professora Ioná Carreno, é que o conhecimento adquirido durante as aulas alcance pessoas além da turma. Para isso, os estudantes podem elaborar cartazes ou criar canais de comunicação,  ou realizar pesquisas in loco. Na elaboração de trabalhos, os assuntos que normalmente são abordados tratam de doenças sexualmente transmissíveis (DST), gravidez na adolescência e demais temas que tenham relação direta com a futura rotina de trabalho. Entretanto, muitas vezes a paciente tem cicatrizes que não deixam marcas físicas, mas sim psicológicas, e que acabam influenciando em qualquer tipo de tratamento.

Júlia Amaral

Pensando nisso, os estudantes Isabella Padilha, Yasmin Iser, Felipe Catarina, Osvaldo Leandro e Henrique Medeiros criaram o perfil “Meu Querido Companheiro” no Instagram. “Outros grupos estavam pensando na saúde física da mulher, mas não na saúde psicológica. E falar sobre isso é muito delicado. Como eu vou abordar uma mulher que não conheço para falar sobre isso? Distribuir panfletos também poderia não ser muito bom, porque às vezes as pessoas só pegam e jogam no lixo. Foi aí que surgiu a ideia do Instagram”, conta Yasmin. Inspirados em outras contas da rede social que disseminam informações semelhantes, o objetivo dos estudantes é chegar aos mais diversos perfis de mulheres. O perfil está no ar desde o final de fevereiro, tem seguidores de diferentes regiões do País e o apoio da influencer digital Mariana Santoro, do Rio de Janeiro. 

Conforme o grupo, os posts com mais interações falam sobre a dinâmica do relacionamento abusivo. “Muitas mulheres se identificam com isso. Quando você vê que há mais pessoas falando sobre abuso psicológico, percebe que não é coisa da sua cabeça, que não está ficando louca”, aponta Isabella. Para os estudantes, o trabalho já se tornou muito mais importante do que a nota que receberão no final do semestre. 

A saúde mental ainda hoje é banalizada. Como nós, como estudantes de Medicina, estamos olhando para isso?
Yasmin Iser

 

A intenção é levar o projeto adiante mesmo depois do fim do semestre, já que a adesão ao perfil, inclusive entre as colegas de curso, foi muito grande. Para levar as interações ao mundo real, o plano é deixar urnas nos banheiros femininos nas quais as mulheres possam depositar bilhetes relatando suas histórias. A ideia é que esses relatos, anônimos e de alunas da Univates, sirvam para uma pesquisa no futuro.

Iniciativas de combate à violência são transversais na Universidade

Um grupo de alunos de Direito da Univates encaminhou no final do ano passado uma sugestão de projeto de lei para Lajeado. Segundo a professora orientadora da disciplina Alice Krämer Iorra Schmidt, o objetivo é que bares e pubs da cidade estejam preparados para identificar e agir em caso de violência contra a mulher.  O Projeto 010-004-2020 foi aprovado por unanimidade pelos vereadores na última terça-feira, dia 10, e entra em vigor em 60 dias.