Estudante do curso de Ciências Biológicas da Univates, Jader Zeni, orientado pela professora Elisete Maria de Freitas, está realizando uma pesquisa que pode contribuir para a implantação de projetos de restauração da vegetação nas margens dos rios e arroios do Vale do Taquari. Natural de Marques de Souza, o acadêmico do 8º semestre explica que a ideia surgiu em setembro de 2018 quando alguns profissionais da área ambiental defendiam a ideia de que a sucessão ou regeneração natural seria uma excelente alternativa para a restauração da cobertura vegetal nas margens dos rios e arroios onde estivesse degradada.
A professora Elisete explica que a pesquisa partiu da necessidade de buscar a resposta a um questionamento que ela se fazia quanto à capacidade natural da restauração da cobertura vegetal. Então ela inseriu em seu projeto de pesquisa “Estudo de comunidades vegetais da Depressão Central do Rio Grande do Sul: riqueza florística, estrutura e potencialidades” o objetivo de caracterizar o banco de sementes do solo de áreas degradadas pela ação do homem. A partir desse estudo, e de outros semelhantes em andamento em outro rio, será possível definir a necessidade ou não da interferência humana no processo de sucessão natural de modo a garantir a adequada regeneração da vegetação.
Elisete explica que, em termos gerais, os resultados até então obtidos servem de alerta para a situação da restauração natural da cobertura vegetal e confirmam o que já se suspeitava: quando muito degradados e sem formações preservadas nas proximidades, as áreas das margens dos rios não têm potencial para a sucessão natural, sendo necessária a adoção de ações para favorecer a restauração da vegetação. Essas ações seriam, no primeiro momento, o controle de espécies exóticas invasoras e o plantio de plantas pioneiras. O estudo também alerta para a necessidade de adotar ações que garantam a preservação desses ecossistemas, que fornecem inúmeros serviços ambientais
“Esse processo consiste em identificar as plantas até o nível de espécie, aí são retiradas das bandejas, quantificadas e registradas em planilhas Excel conforme a área em que foi encontrada. São catalogados também o hábito (herbácea, arbusto, trepadeira ou arbórea), a função ecológica (pioneira ou tardia) e a origem (nativa, exótica ou exótica invasora). Com isso, ao finalizar o estudo e realizar as análises estatísticas adequadas, será possível avaliar o potencial de regeneração da cobertura vegetal de cada área estudada e conhecer a incidência de espécies exóticas invasoras que podem inviabilizar o processo de restauração”, explica Zeni.
O estudo deve ser concluído em dezembro de 2020, quando será possível enumerar as espécies que podem contribuir para a restauração natural da cobertura vegetal.