Ana Amélia Ritt

Com ações de educação e divulgação científica, Museu de Ciências da Univates completa duas décadas

Postado as 28/07/2020 13:22:23

Por Lucas George Wendt

Este ano a Universidade do Vale do Taquari - Univates comemorou os 20 anos do Museu de Ciências (MCN). O espaço recebeu, ao longo dos anos, mais de cem mil visitantes que puderam aprender mais sobre ciências, com seus acervos e exposições.

As coleções somam mais de 135 mil itens e tombos de patrimônio pertencentes ao Vale do Taquari. Enquanto laboratório, o MCN Univates é um espaço de iniciação científica e capacitação técnica dos estudantes de graduação e pós-graduação da Universidade, além de prestar assessorias e consultorias para a comunidade regional em suas áreas de atuação (arqueologia, história regional, preservação de fontes históricas, acarologia,  botânica, ecologia e evolução, paleobotânica e evolução de biomas e zoologia). O espaço também tem como finalidade produzir conhecimento científico sobre aspectos ambientais, priorizando as dinâmicas regionais e ser espaço para divulgação e educação científica. 

A pró-reitora de Pesquisa, Extensão e Pós-Graduação, professora doutora Maria Madalena Dullius destaca que o museu tem um papel fundamental de ser instrumento de promoção da cultura científica. “O museu é um espaço de preservação e fortalecimento do conhecimento científico e cultural, de gestão e divulgação da ciência”, diz. O MCN representa um potencial de pesquisas para a Instituição a partir da interação de grupos de pesquisa da Univates com outras organizações nacionais e internacionais. Na opinião da pró-reitora o espaço também possibilita o enriquecimento de atividades de extensão e ensino da Univates, se tornando um ambiente para educação formal e não formal. “Também por meio dele intensificamos as nossas relações com a sociedade, principalmente popularizando a ciência”, comenta. 

Lucas George Wendt

Museu tem coleções didáticas (como a da foto) e científicas

Números do Museu 

- Coleção de Arqueologia – 41.492 itens
- Coleção de Botânica – 5.788 tombos
- Coleção de Zoologia – Invertebrados: 4.578 tombos e Vertebrados 1.881 tombos. Em número de indivíduos, aproximadamente: de 21 mil invertebrados e 15 mil vertebrados.
- Coleção de Paleontologia – 1.345 tombos
- Acervo histórico regional – 79.968 itens

Ana Amélia Ritt

Miriam Helena Kronhardt, coordenadora do MCN

Comunicação e educação científica

A divulgação científica e a educação ambiental para a comunidade do Vale do Taquari assumem importância especial dentre as atividades desenvolvidas pelo órgão. A coordenadora do MCN, bióloga Miriam Helena Kronhardt, explica que a divulgação científica acontece por meio da publicação de artigos científicos elaborados a partir de estudos realizados com o suporte da estrutura do Museu, com as exposições organizadas e por meio das diversas atividades de extensão realizadas pela equipe educativa do museu como as oficinas, minicursos, palestras e rodas de conversa. O Museu também auxilia os projetos de extensão “Naturalista por um dia” e “Arqueólogo por um dia”. 

“Na área da educação ambiental desenvolvemos diversas atividades, como visitas guiadas, oficinas, exposições itinerantes com o objetivo de aproximar a comunidade do Museu e, assim, instigar o gosto pela ciência”. Além dessas atividades o MCN recebe e sempre esteve aberto à visitas guiadas de escolas da região.

Laboratórios e coleções 

O Museu de Ciências Univates (MCN) conta atualmente com laboratórios de pesquisa e coleções científicas e didáticas nas áreas de Acarologia, Arqueologia, História Regional e Institucional, Botânica, Ecologia e Evolução e Paleobotânica e Evolução de Biomas. A existência das coleções, no entanto, precede a criação do espaço. Em 1985, quando iniciou a oferta do curso de Ciências Biológicas pela Instituição, docentes já se preocupavam com a organização de uma coleção didática para atender as necessidades das aulas práticas dos estudantes. Aos poucos, ao longo dos 15 anos seguintes, foram formadas as coleções de Zoologia, Botânica e Paleobotânica e o acervo na área da Arqueologia. Conforme os itens foram aumentando em quantidade e em diversificação de finalidade, houve a necessidade de dividir as coleções entre as didáticas e as científicas. Tudo isso demandava espaço físico próprio para as atividades, o que foi possível em 2001. Em 2001 o Museu passou a ocupar o espaço onde está sediado, no Prédio 8. O Centro de Memória, Documentação e Pesquisa da Univates (CMDPU) foi incorporado ao Museu de Ciências em 2016, ampliando as áreas de atuação, com enfoque na preservação das fontes históricas regionais. 

Natália Bottoni

A importância das coleções

Para o pesquisador e professor doutor André Jasper, o MCN foi imprescindível para continuidade de pesquisas. “Não é possível desenvolver pesquisa científica na área da paleontologia ou da paleobotânica sem que o objeto da pesquisa esteja registrado como parte de um acervo de uma instituição’, explica o pesquisador. No Brasil, a extração de fósseis, bens da União, é permitida unicamente para fins de pesquisa. “São bens comuns, não posso tê-los em casa. Isso é crime, inclusive”, comenta. 

“Para qualquer publicação que eu encaminhe ou para qualquer análise que eu faça é necessário ter o material registrado”, explica Jasper. Os itens organizados em coleções permitem que seja possível rastreá-los e as coleções podem receber a visita de pesquisadores de todos os lugares do mundo que estejam trabalhando com pesquisas similares. 

O futuro 

Em 2013 foi elaborado o primeiro Plano Museológico do MCN, instrumento por meio do qual a Univates demonstra o comprometimento com o desenvolvimento científico-cultural da região. Já em 2016 o MCN começou a integrar o Index Herbariorum, diretório global de herbários, por meio de sua coleção de Botânica, o Herbário do Vale do Taquari (HVAT). Além do Index Herbariorum, o HVAT integra a Rede Brasileira de Herbários, a Rede de Herbários do Rio Grande do Sul e o Herbário Virtual da Flora e dos Fungos do Brasil. Nos últimos dez anos, o MCN tem passado pela revisão e informatização dos seus sistemas de documentação. “Cada coleção foi migrada para um sistema informatizado mais adequado a sua tipologia”, explica Miriam. Com isso as pesquisas ficam otimizadas e o trabalho de recuperação dos itens também. Além de contribuir para a qualidade do Ensino da Univates, conforme a bióloga, o Museu vai seguir se adaptando para atender necessidades do futuro. “Pretendemos continuar aperfeiçoando as atividades realizadas e incluir novas áreas de conhecimento, tornando o Museu mais atrativo, aproximando-o cada vez mais da comunidade para que ele continue contribuindo para a popularização do patrimônio natural, cultural e científico da região”, projeta ela.  

O Museu como uma presença constante

A pesquisadora e professora, doutora Liana Johann, encontrou o MCN em diversos momentos de sua trajetória profissional. Quando iniciou a graduação em Ciências Biológicas, em 2000, o MCN representava um sonho pra ela. “Em 2002, o professor Ferla me convidou para trabalhar na secretaria do museu e na estruturação da sala de exposições. Meu sonho se tornou real”, diz ela, para quem o cotidiano do museu passou a ser, também, o seu dia a dia. “Vivenciei todas as pesquisas que eram desenvolvidas no museu, além de ter contato diário com os professores do curso de Ciências Biológicas que eu tanto admirava”. O trabalho no local permitiu que ela experimentasse a pesquisa, o ensino e a extensão. “Além disso, o trabalho no museu me trouxe oportunidades. Me interessei pela pesquisa em ácaros na cultura da videira. Ingressei no mestrado e iniciei minha caminhada na pesquisa”. No doutorado, a pesquisadora desenvolveu seu trabalho no Laboratório de Acarologia, parte da estrutura do MCN. Atualmente Liana é a curadora da coleção de Zoologia de Vertebrados.

Lucas George Wendt

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Ana Amélia Ritt

Lucas George Wendt

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Tuane Eggers

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