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Percepções de diferentes coletividades sobre a Bacia Hidrográfica Taquari-Antas são reunidas em pesquisa da Univates

Postado as 28/01/2021 14:21:17

Por Lucas George Wendt

A Bacia Hidrográfica do Rio Taquari-Antas compreende 119 municípios do Rio Grande do Sul. O Rio Taquari-Antas nasce em São José dos Ausentes e sua desembocadura no Rio Jacuí é em Triunfo. É uma região habitada por mais de 1,5 milhão de pessoas, com séculos de história e diferentes ocupações humanas ao longo deste período. Atualmente, sociedades tradicionais e sociedades nacionais convivem nos espaços da Bacia, que compreende diversas regiões político-administrativas do Estado, entre elas o Vale do Taquari e a Serra.

No Programa de Pós-Graduação em Ambiente e Desenvolvimento (PPGAD) da Universidade do Vale do Taquari - Univates, a doutora Emelí Lappe pesquisou, por meio de um estudo qualitativo de caráter exploratório, a relação dos diferentes grupos sociais da Bacia com os territórios na tese “Os rios compõem histórias: os saberes e as percepções de Sociedade Tradicional e Sociedade Nacional em espaços da Bacia Hidrográfica Taquari-Antas”.

A tese foi desenvolvida durante os quatro anos do doutorado em Ambiente e Desenvolvimento, mas os estudos com as coletividades Kaingang iniciaram no ano de 2010, quando a pesquisadora atuou como bolsista no projeto de extensão “História e cultura Kaingang”, coordenado pelo professor doutor Luís Fernando da Silva Laroque. A pesquisa também tem vínculo com o projeto de pesquisa “Identidades étnicas em espaços territoriais da Bacia Hidrográfica do Taquari-Antas/RS”, também coordenado pelo professor Laroque. O estudo tem financiamento do Programa de Suporte à Pós-Graduação de Instituições Comunitárias de Educação Superior (Prosuc), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoas de Nível Superior (Capes).

“Todos estamos conectados com a natureza”

A afirmação é da pesquisadora, cuja investigação buscou apresentar esta conexão, tanto para a Sociedade Tradicional como para a Sociedade Nacional. “Cada indivíduo ou coletividade tem a sua percepção do espaço, do território, do ambiente e do desenvolvimento”, explica Emelí. 

A pesquisadora revela que o seu estudo teve por objetivo analisar as percepções, os saberes e as lógicas culturais de integrantes e coletivos de Sociedade Tradicional e de Sociedade Nacional no que tange a ocupação territorial, as relações de poder, os conhecimentos socioculturais e os conhecimentos ambientais nos espaços da Bacia Hidrográfica Taquari-Antas.

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Para o trabalho de Emelí, Sociedade Tradicional são, por exemplo, as coletividades Kaingang e os pescadores artesanais do rio Taquari, enquanto que a Sociedade Nacional é a representada por biólogos, geógrafos, mãe de santo, líder de bairro, e também por integrantes do Comitê da Bacia Hidrográfica Taquari-Antas (CBHTA) e do Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat). Todos estes grupos representativos foram contemplados durante a investigação da pesquisadora. 

As comunidades Kaingang foram T.I Jamã Tÿ Tãnh/Estrela, T.I Foxá/Lajeado, T.I Pó Mág/Tabaí, localizadas no Vale do Taquari e as comunidades Kaingang da T.I. Pó Nãnh Mág e Ka Mág/Farroupilha, localizadas na Serra gaúcha. Os pescadores artesanais entrevistados foram os residentes em cidades do Vale do Taquari, como Lajeado, Estrela, Encantado, Bom Retiro do Sul e Taquari.

Por exemplo, os Kaingang e os pescadores artesanais usufruem e manejam os espaços pensando na sustentabilidade familiar. Para a Sociedade Nacional - biólogos, geógrafos, CBHTA e Codevat - a utilização dos espaços se dá pensando e projetando o desenvolvimento econômico e a urbanização. “As singularidades em relação aos espaços da BHTA estão perpassadas pela cultura das coletividades e estas percepções norteiam a apropriação e o uso dos recursos naturais existentes no espaço”, revela a pesquisadora. 

O estudo contribui de duas maneiras para ampliar o debate sobre a bacia hidrográfica e seus múltiplos usos, por meio da compreensão dos diferentes saberes que coexistem em relação ao espaço, natureza, cosmologia, território e desenvolvimento. “Assim possibilita a abertura de novos caminhos pautados na preservação ambiental”, detalha Emelí. “Além disso, a pesquisa torna-se relevante para a região no intuito de apresentar o protagonismo e o modo de ser da Sociedade Tradicional, ou seja os indígenas Kaingang e os pescadores artesanais do Rio Taquari.