Divulgação/Bruna Zanoni Ruthner

TCC de Arquitetura e Urbanismo da Univates propõe uma cidade mais inclusiva com a requalificação do Centro Histórico e da orla do Rio Taquari, em Lajeado

Postado as 26/02/2021 11:21:32

Por Lucas George Wendt

As discussões sobre gênero podem - e devem - ser incorporadas aos projetos públicos de urbanismo, defendem especialistas em planejamento urbano. Neste sentido, o curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade do Vale do Taquari - Univates tem uma grade curricular que estimula os estudantes a pensar em projetos de arquitetura e urbanismo que possibilitem novas relações entre pessoas e os espaços que ocupam. 

Um dos momentos em que isso acontece é durante o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) que, por meio de uma resposta projetual, pode apresentar soluções para problemáticas coletivas. Recentemente defendido, um TCC que aborda o estímulo à presença das mulheres em espaços urbanos foi o da estudante lajeadense Bruna Zanoni Ruthner, que investigou como incorporar, de modo aplicado, a pauta de gênero nas discussões sobre a cidade. Para isso ela formatou um projeto que nomeou de SESMart - acrônimo das palavras e expressões “segurança pública”, “empreendedorismo”, “sustentabilidade”, “movimento feminista” e “arte”. O estudo da jovem teve como cenários a orla do Rio Taquari, em Lajeado, e o Centro Histórico da cidade. 

Divulgação/Bruna Zanoni Ruthner

O SESMart

A iniciativa é um projeto de intervenção de requalificação urbana. O objetivo é retomar e qualificar a vitalidade da área de estudo, no caso o Centro Histórico de Lajeado e a Orla do Rio Taquari, buscando melhorar a qualidade de vida da comunidade e ampliar o seu uso pelos grupos femininos. Com uma análise em que pôde reconhecer as potencialidades e fraquezas do local, Bruna elencou as estratégias para uma intervenção que resultaria em benefícios para toda a população de Lajeado. 

A partir disso, a estudante elaborou um planejamento de criação, implantação e desenvolvimento de ações. Entre suas sugestões à administração pública, estão melhorias na infraestrutura do espaço, como a iluminação, para tentar estimular a vida noturna no local; na segurança do Centro Histórico e da orla; e no fomento às ações culturais e afirmativas para grupos vulneráveis. 

A partir da melhoria da estrutura física, o projeto espera atrair mais empreendedores para que invistam na região, desenvolvendo o comércio com bares e pubs. Além disso, a criação de espaços culturais e educativos, como biblioteca e museu, e de coworking, movimentaria a vida diurna nesta parte da cidade. 

Forças, fraquezas, oportunidades e ameaças 

Para propor as melhorias, Bruna realizou uma análise com a matriz FOFA - de forças, fraquezas, oportunidades e ameaças -, metodologia comum em projetos na área da gestão. Como forças relacionadas ao Centro Histórico e à orla, a estudante destaca aspectos como: a localidade; o caráter histórico; a infraestrutura cicloviária; a existência de espaços abertos; as já existentes zonas de animação urbana diurna e polos atratores noturnos.  

As fraquezas, para o estudo de Bruna, estão na infraestrutura cicloviária precária; na pouca diversidade de usos da orla; na existência de áreas alagáveis; na insegurança nos espaços públicos e nas pessoas em situação de vulnerabilidade social. 

Divulgação/Bruna Zanoni Ruthner


As oportunidades residem na possibilidade de democratização da cidade e de estimular a equidade de gênero; na existência de imóveis abandonados que poderiam ser utilizados para o projeto; o fato de Lajeado já ter o programa Pro_Move Lajeado com o objetivo de tornar o município uma smart city; a valorização da história e cultura que seria possível por meio do SESMart; a consequente criação de um sistema integrado de espaços abertos e as rotas de animação urbana que seriam instituídas. 

As ameaças encontradas são a gentrificação - processo de uso de áreas periféricas que tem a consequência de tornar o espaço em área nobre; a verticalização da orla; o aumento da insegurança e a resistência da população às mudanças no local.  

Divulgação

 

Voltar o olhar para origem da cidade

“O centro histórico da cidade está às margens do Rio Taquari, grande curso d’água natural pelo qual, no surgimento da cidade, chegavam embarcações de pessoas e mercadorias. O Rio tem grande conexão histórica com o Centro, mas com o desenvolvimento e avanço da cidade para além das margens, a população e o setor público foram, sutilmente, dando às costas para o rio e para a região histórica do bairro”, afirma Bruna. 

As intervenções urbanas são realizadas para a comunidade do local. Entretanto, além de atender à comunidade diversa e plural da área do Centro Histórico de Lajeado, Bruna diz que, com o trabalho, buscou a garantia do direito à cidade para todas e todos, considerando as esferas de desigualdade que permeiam a sociedade. 

“Ainda que tenhamos avançado em diversos temas, a cidade é um ambiente hostil para as mulheres, principalmente as mulheres negras, LGBTQIA+ e pobres. Tendo em vista que esse é um problema estrutural da sociedade, espera-se requalificar a área do Centro Histórico e da orla atentando às ameaças para esse público, sejam essas ameaças à segurança ou crescimento pessoal e profissional. Um projeto urbano atende à cidade, e a cidade deve atender e atentar para aqueles que mais necessitam de forma a garantir que todos e todas tenham o seu espaço no meio urbano”, defende a estudante.

Direito à cidade

O orientador de Bruna, professor Marcelo Arioli Heck, é mestre em Planejamento e Urbano e Regional e, no momento, cursa o doutorado na área. Ele comenta que a pesquisa trata de uma proposta prática para um tema muito contemporâneo - a questão de gênero no urbanismo, que encontra espaço na temática do direito humano à cidade. O direito à cidade para todas as pessoas ganha cada vez mais espaço na agenda pública e se apoia em diretrizes da Constituição Federal do Brasil, em diversos dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e em programas da Organização das Nações Unidas, como a ONU-Habitat.

Ainda dá tempo

Quem ainda não realizou a inscrição, e deseja ingressar em um dos cursos de graduação presenciais da Universidade do Vale do Taquari - Univates, ainda pode realizar a sua matrícula. Para participar, o candidato deve preencher um formulário com seus dados, no site univates.br/vestibular. Ao finalizar a inscrição, é enviado um e-mail com uma senha para acessar o ambiente virtual de prova de redação em univates.br/startunivates

Ao todo são oferecidos 29 cursos de graduação presenciais, distribuídos em licenciaturas e bacharelados. Outra opção para ingressar é utilizando a nota da redação do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) dos anos de 2009 a 2019. Nesse caso, o interessado deve ter alcançado nota mínima de 200 pontos na redação. Aqueles que realizaram o Vestibular Univates desde o ano de 2000 podem utilizar essa nota para ingressar na Instituição. 

Uma das proposições da estudante é uma passarela na orla

Uma das proposições da estudante é uma passarela na orla

Divulgação/Bruna Zanoni Ruthner

Uma das proposições da estudante é uma passarela na orla
Uma das proposições da estudante é uma passarela na orla

Divulgação/Bruna Zanoni Ruthner

Microescala da intervenção
Microescala da intervenção

Divulgação/Bruna Zanoni Ruthner

Macroescala da intervenção
Macroescala da intervenção

Divulgação/Bruna Zanoni Ruthner

Mesoescala da intervenção
Mesoescala da intervenção

Divulgação/Bruna Zanoni Ruthner

Visualização do projeto de ocupação
Visualização do projeto de ocupação

Divulgação/Bruna Zanoni Ruthner

Visualização do projeto de ocupação
Visualização do projeto de ocupação

Divulgação/Bruna Zanoni Ruthner