Pesquisa avalia melhora no tratamento de doenças malignas do sangue

Postado em 04/08/2016 09h10min

Por Artur Dullius

Assim como as diferentes áreas do corpo, o sistema sanguíneo também sofre com o câncer. O tumor se caracteriza pela substituição das células sanguíneas normais por células sanguíneas jovens e anormais, que proliferam e prejudicam ou impedem a formação adequada do sangue. O processo gera um acúmulo de células imaturas que se proliferam indiscriminadamente, causando então as doenças malignas do sangue, denominadas onco-hematológicas, sendo a leucemia uma das mais conhecidas. 
 
Surge então a necessidade de tratamentos quimioterápicos, feitos com a administração de uma combinação de medicamentos. Porém, as aplicações são realizadas durante um longo período e é comum acontecerem mutações genéticas do tumor, tornando o tratamento ineficaz e diminuindo, assim, as chances de cura do paciente.
 
Buscando evitar esse período regressivo no tratamento e desenvolver novas tecnologias para aumentar as chances de cura do paciente, a Univates, por meio do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia, em parceria com o Hospital Bruno Born, realiza a pesquisa experimental “Utilização de marcadores epigenéticos como marcadores de progressão no tratamento de doenças onco-hematológicas”. Coordenado pela professora Ana Lucia Abujamra, o estudo busca localizar marcadores moleculares, por meio da biotecnologia, para determinar se é possível direcionar o tratamento do paciente de uma forma mais específica.
 
As possibilidades de cura estão diretamente relacionadas com o tempo em que o tumor é detectado no paciente. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, maiores as chances de o tratamento dar certo. Por isso, o diagnóstico precoce torna-se essencial na busca de resultados positivos na cura de mais da metade dos casos da doença.
 
Segundo Ana, essa pesquisa tem como objetivo detectar moléculas marcadoras logo que a doença é diagnosticada. “Os marcadores são procurados assim que o paciente é diagnosticado para que possamos definir como eles se relacionam com o estágio em que a neoplasia se encontra.  Durante o tratamento, também é retirada uma amostra sanguínea e, com a ajuda da biologia molecular, é possível identificar o comportamento dos genes que caracterizam aquele tumor. Esse mesmo padrão continua sendo investigado ao longo do tratamento, e quaisquer mudanças podem indicar que o tumor está adotando um novo comportamento, o que pode tornar o tratamento ineficaz. Dessa forma, podemos identificar se o tratamento continua adequado ou não, além de melhor conhecer os mecanismos moleculares dessas neoplasias”, conclui.
 
Conforme a professora, devido à alta especificidade da maioria dos tratamentos oncológicos, uma parcela dos pacientes tratados não é beneficiada se eles não possuírem alvos específicos. “Durante o tratamento, muitos tumores sofrem alterações genéticas; como o tratamento é muito específico, ele pode deixar de alcançar essas células cancerígenas. Com esse estudo, buscamos verificar se é possível detectar essas mudanças em tempo de alterar o tratamento, o que pode evitar que o paciente passe por um período refratário, aumentando suas chances de cura”, ressalta.
 
As amostras serão coletadas no Hospital Bruno Born, no setor de oncologia clínica do hospital, e analisadas nos laboratórios da Univates por uma equipe que conta com a participação de alunos de iniciação científica, mestrado e doutorado da mesma Instituição. 
 
Texto: Artur Dullius
Período refratário diminui chances de cura da doença

Artur Dullius

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