Prevenção que passa por mãos, linhas e retalhos

Postado as 16/04/2020 13:42:41

Por Júlia Amaral

Máscaras são um instrumento importante no combate à transmissão do novo coronavírus. As mais recomendadas neste momento são as de pano, já que as máscaras profissionais cirúrgicas e N95 devem ficar exclusivamente à disposição dos profissionais da saúde. Quem não sabe como produzir a sua pode encontrar moldes no site aliadosdepano.com.br, que integra a campanha Aliados de Pano, produzida em parceria entre a Prefeitura Municipal de Lajeado, a Universidade do Vale do Taquari - Univates, a Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) e a Unimed Vales do Taquari e Rio Pardo (VTRP). Outra opção é comprar as máscaras de uma das 35 pessoas, de sete cidades do Vale do Taquari, cadastradas no site. Ao todo, o site soma 50 pessoas de todo o Rio Grande do Sul divulgando seus trabalhos. 

A venda de máscaras é a forma como Magali Weiand (Instagram: @magaweiand), de Estrela, tem garantido sua renda. Devido à instabilidade econômica no País causada pela pandemia, Magali perdeu o emprego em que havia sido contratada há um mês. Nesse momento, a costura, uma prática que aprendeu com a mãe aos 10 anos de idade, voltou a ganhar força. “Sempre gostei de presentear os amigos com algo que eu mesma costurei”, lembra. As primeiras máscaras produzidas foram feitas para ela, o marido e o filho. Depois disso, uma amiga viu os materiais e sugeriu que ela começasse a comercializá-los. “Comecei a divulgar nas minhas redes sociais, e teve muita procura. Depois soube da campanha pelo Facebook e fiz meu cadastro”, relata.

 

Desde que se cadastrou no Aliados de Pano, a produção tem se intensificado. “Eu vi na confecção e venda de máscaras a possibilidade de uma fonte de renda. Claro, não estou cobrando um valor abusivo, mas consigo ter alguma movimentação de renda”, conclui.

 

Com o isolamento social, Daniela dos Santos (Facebook: Daniela Santos de Oliveira), de Lajeado, percebeu que a quantidade de serviço estava diminuindo. Há dois anos ela trabalha com costura, e tem uma máquina em casa para produzir artesanatos. “Fiz algumas máscaras e divulguei no meu Facebook. Tentei divulgar em grupos on-line também, mas não deu certo. Então, olhando a página da Prefeitura de Lajeado, para ficar por dentro das notícias, vi sobre a campanha”, conta. Daniela, que já tinha um pequeno estoque à disposição, trabalha sozinha e tem se dedicado exclusivamente a fazer máscaras para vender e também para doar para quem necessita.

O patchwork é uma prática comum entre os familiares de Lidiana Petry, de Arroio do Meio, (Instagram: @lidianapetryy), o que faz com que sempre haja um resto de tecido pela casa. A ideia de confeccionar máscaras surgiu justamente para dar destino correto para as sobras desses materiais. “Eu nunca tinha trabalhado com costura. Com minha sogra e minha mãe apoiando a ideia, começamos a produção das máscaras. Os pedidos foram surgindo e aos poucos fomos adquirindo tecidos novos para dar conta da demanda”, afirma. Depois de conhecer a campanha Aliados de Pano pelo Instagram da Univates, Lidiana resolveu se cadastrar. Para ela, proteção é um gesto de amor consigo mesmo e com o próximo.

Conforme a professora da Univates Daiane Heidrich, doutora em Microbiologia, as máscaras de pano auxiliam como uma barreira física contra o vírus. “É importante que a máscara seja de uso individual e tenha, no mínimo, dupla camada de tecido. Ela deve cobrir totalmente a boca e o nariz e estar bem ajustada ao rosto, para evitar o escape do vírus pelas laterais. A máscara precisa ser substituída por outra quando estiver úmida, pois a umidade diminui a eficiência da barreira viral”, enfatiza. 

A máscara de pano ajuda a impedir a transmissão da Covid-19 pelo espirro ou tosse de pessoas infectadas. Para evitar a transmissão do vírus, independentemente da presença ou não de sintomas, é preciso inibir a liberação de gotículas de saliva e de secreção nasal no ambiente.

 

Como retirar e lavar corretamente sua máscara de pano

Antes de retirar a máscara, é preciso lavar as mãos com água e sabão, para evitar a contaminação no momento da retirada. A máscara deve ser imersa em recipiente com água potável e água sanitária (cerca de 2 colheres de chá de água sanitária em meio litro de água) por 30 minutos. Após, deve ser enxaguada, lavada com água e sabão, secada, passada a ferro e acondicionada em saco plástico limpo. Após lavar a máscara, é preciso lavar as mãos com água e sabão.

O Parque Científico e Tecnológico do Vale do Taquari (Tecnovates) e o Parque Científico e Tecnológico Regional da Unisc (TecnoUnisc) estão disponibilizando moldes de máscaras, que serão em locais de serviços essenciais, como farmácias e mercados.