Mestrado e Doutorado em Ambiente e Desenvolvimento proporcionam momentos de conexão entre os estudantes e a natureza

Postado as 21/05/2020 10:46:55

Por Leonardo Seibel

Elise Bozzetto

Reconexão com a natureza e consigo mesmo. Essa foi a proposta da professora doutora Jane Mazzarino na disciplina Cultura, Cidadania e Ambiente, do Programa de Pós-Graduação em Ambiente e Desenvolvimento (PPGAD) da Univates. Buscando uma alternativa diferente para dar andamento às aulas durante a pandemia, a professora fez um convite diferente aos alunos: conectar-se com a natureza e observar detalhes que podem passar batido aos olhos humanos na correria do dia a dia.

“Realizamos atividades semelhantes no campus da Univates durante a disciplina presencial. O desafio desta vez era conduzir essa vivência estando um em cada lugar”, comenta Jane. Os estudantes foram provocados a procurar um lugar em meio à natureza, observá-lo e, em seguida, fazer um relato do que foi visto. “O objetivo dessa atividade foi entender como o estudante estava se sentindo, o que o sensibiliza. Então, pedi que eles escrevessem sobre isso antes mesmo da saída a campo”, aponta.

Após uma hora e meia de observação, a turma se reuniu por meio de videochamada e cada estudante contou suas experiências. A professora comenta que uma das alunas observou durante esse tempo um vaso de suculentas e todos os microrganismos que estavam na planta. “Além disso, ela fez uma relação entre a codependência que existe entre ela e a planta, uma vez que a planta precisa dela para sobreviver e da mesma forma ela precisava desse elemento natural na sua vida”, conta Jane.

Divulgação

Da cidade de Cacoal, em Rondônia, a advogada Ângela Rodrigues de Sá resolveu explorar o pátio de sua casa. “Meu quarto de estudos tem uma janela grande de frente para o jardim. Entre um olhar e outro na tela do computador, sempre me pego observando o verde, e nesses dias que estamos vivendo faço isso ainda mais. Então quando a professora explicou a atividade eu já sabia que era ali que eu queria estar”, relata. Ângela conta que ficou muito feliz com a experiência, destacando que o momento trouxe uma sensação de entrega. “Foi um momento de total conexão com a natureza! Sentir o calor do sol e o vento no rosto me trouxe várias lembranças, como tomar água direto da torneira, por exemplo. Coisas que eu fazia na infância e hoje, 30 anos depois, voltei a fazer”. Para ela, o curso tem sido um divisor de águas na sua vida. “Venho da área do Direito, uma área mais séria, ‘engessada’. Trabalhar e estar em meio à natureza proporciona, além do conhecimento, um crescimento pessoal. Não poderia ter feito escolha melhor”.

 

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Em Macapá, no estado do Amapá, outra situação inusitada. Com o isolamento social em razão da pandemia de coronavírus, tem aumentado a incidência de animais silvestres em áreas urbanas. Durante sua vivência ambiental, o servidor público Marco Nascimento presenciou um jacaré, de cerca de quatro metros, em uma praia do rio Amazonas. “Além desse, outro jacaré foi encontrado em uma calçada no centro da cidade. Também apareceram outros animais, como um filhote de peixe-boi e um bicho-preguiça branco, todos casos bem recentes”, conta. Marco ficou muito satisfeito com a vivência, que lhe trouxe um olhar mais amplo sobre o papel do ser humano na natureza.

Sobre esse caso, Jane ressalta o impacto que o ser humano causa no habitat dos animais e o quanto a pandemia tem nos mostrado isso. “O relato do Marco é muito interessante no sentido de que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. Quando há a presença humana, os animais tendem a manter um certo distanciamento, e quando o humano recua, num processo de isolamento, como é o que está acontecendo, os animais tendem a retomar o seu lugar”, explica.

Lucas George Wendt

Os alunos estavam em lugares completamente diferentes, em biomas diferentes, se deparando com diferentes contextos socioambientais. Com isso percebemos a diversidade que o PPGAD reúne e compreendemos que é possível realizar atividades como essa mesmo a distância
Jane Mazzarino

Quer experimentar?

Se você quer vivenciar o contato com a natureza, pode se conectar a partir da atenção plena ao presente. Basta você tirar um tempo só para você, silenciar e seguir estes passos:

a) escreva sobre como você está antes de iniciar a atividade de educação ambiental;
b) escreva sobre as pequenas coisas que o sensibilizam;
c) experiência: para aprimorar o olhar sobre as coisas pequenas, procure um lugar na natureza. Observe o que compõe esse espaço aproximando-se ou usando uma lupa;
d) registros: faça um desenho sobre o que observou. É só um exercício de expressão, não é uma prova de dotes artísticos. Invente uma história sobre o que desenhou;
f) escreva sobre como você está após a experiência.