Eventos astronômicos marcam o céu de dezembro

Postado as 11/12/2020 10:16:50

Por Da Redação

No céu de dezembro de 2020 ocorrerão dois fenômenos astronômicos marcantes para a astronomia: o eclipse total do Sol, no dia 14, e o alinhamento entre os planetas Júpiter e Saturno, no dia 21. Conforme a professora Andréia Spessatto De Maman, que coordena o projeto de extensão “Planetário Univates: Astronomia e divulgação científica ao alcance de todos”, o alinhamento dos planetas marca a história. “O último ocorreu na Idade Média, cerca de 800 anos atrás”, afirma. 

Em parceria com a Universidade de Passo Fundo, o projeto de extensão da Univates irá transmitir ao vivo os dois fenômenos pelo canal do YouTube Loucos da Física. No dia 14 de dezembro, o eclipse do Sol será transmitido a partir das 12h30min. No dia 21 de dezembro, o alinhamento entre Júpiter e Saturno poderá ser acompanhado às 20h, durante cerca de 30 a 40 minutos, já que o fenômeno ocorre em um ângulo baixo em relação ao horizonte, ficando pouco tempo visível à noite. “O próximo eclipse solar visível no Brasil será em 2023, podendo ser observado só na região Norte. Para o próximo alinhamento dos planetas, a previsão é que aconteça somente em 2080”, explica Andréia.

Saiba mais sobre os fenômenos

 

Eclipse solar total

Drew Rae

O eclipse solar é um fenômeno que ocorre quando há o alinhamento entre o Sol, a Lua e a Terra, fazendo a Lua ficar entre o Sol e a Terra, cobrindo a imagem do Sol. O fenômeno do eclipse total poderá ser visto em algumas regiões do Chile e da Argentina. No Brasil, em algumas regiões como o Sul, em especial o Vale do Taquari, poderá ser visto de forma parcial.

“Isso significa que a Lua irá encobrir parte do disco solar. O fenômeno está previsto para acontecer entre 12h25min e 15h do dia 14 de dezembro. O ápice será entre 13h30min e 14h, momento em que a maior região do disco solar estará encoberta pela Lua”, informa a professora.

A Lua Nova passará pela face do Sol, cobrindo-o completamente por apenas 2 minutos e 9,6 segundos. A Lua é 400 vezes menor do que o Sol, porém seu disco, quando comparado com o Sol, parece ter o mesmo diâmetro, porque a Lua está muito mais perto da Terra, a apenas 384.000 km de distância, enquanto o Sol está a 150.000.000 km da Terra. “Um eclipse solar é mais raro que um eclipse lunar pelo fato de a região onde é projetada a sombra da Lua ser bem menor do que a sombra projetada pela Terra. Além disso, há eclipses que ocorrem em regiões do planeta onde é mar, o que dificulta sua observação”, avalia Andréia.

A professora ressalta que, para a observação desse fenômeno, alguns cuidados são necessários, pois não é seguro olhar diretamente para o Sol, o que pode causar danos permanentes na visão. Por isso, é necessário utilizar algum tipo de filtro, como os que são usados em máscaras de solda nº 14 ou superior, pois quanto mais escuro, mais indicado para a observação do Sol. “Nunca utilize para ver o sol: óculos escuros, chapas de raio-x, negativos de filmes antigos, filtros polarizados ou de densidade neutra ou variável, vidros escuros ou, ainda, câmeras digitais, binóculos ou telescópios sem filtros adequados na objetiva ou abertura desses equipamentos. Os danos causados à visão podem ser irreversíveis”, alerta.

Alinhamento aparente dos planetas Júpiter e Saturno

Outro fenômeno marcante, que não ocorre desde a Idade Média, acontece no dia 21 de dezembro: o alinhamento entre os planetas Júpiter e Saturno. Júpiter é o maior planeta do Sistema Solar e Saturno é o segundo maior, e ambos são visíveis no céu nesta época do ano. Será uma aproximação aparente, afinal, a distância entre suas órbitas é de aproximadamente 649.000.000 km.

“Essa proximidade aparente é possível pois cada planeta tem um período de revolução, ou seja, tempo que leva para dar uma volta completa na sua órbita em torno do Sol. Júpiter leva aproximadamente 12 anos e Saturno, 29 anos, e em alguns momentos dessa ‘dança’ pode haver uma coincidência de posição visível para quem observa aqui da Terra”, explica Andréia.

O fenômeno acontece de 16 a 25 de dezembro, após o pôr do sol, sendo a data do dia 21 a de maior proximidade entre os planetas. O evento pode ser observado a olho nu, basta olhar para a região oeste do céu, que facilmente você verá um ponto brilhante em destaque: são os planetas alinhados refletindo a luz do Sol. Depois de alguns dias, eles ainda estarão visíveis, porém você verá não mais um, mas dois pontos brilhantes.