Utilizamos cookies neste site. Alguns são utilizados para melhorar sua experiência, outros para propósitos estatísticos, ou, ainda, para avaliar a eficácia promocional do nosso site e para oferecer produtos e serviços relevantes por meio de anúncios personalizados. Para mais informações sobre os cookies utilizados, consulte nossa Política de Privacidade.

Diálogos na Contemporaneidade supera número de inscrições da última edição e encerra com debate sobre tecnologia e constituição do comum

Postado as 21/10/2021 11:28:57

Por Gabriela Hautrive

Após três dias de atividades, a programação do VII Simpósio Internacional Diálogos na Contemporaneidade foi encerrada na noite da última quarta-feira (20) com apresentação cultural e diálogo sobre a importância do discurso social e tecnológico para constituição do comum. A atividade, transmitida pela plataforma Ao Vivo Univates, contou com debate abordando as tecnologias digitais, a intolerância e a influência da tecnologia no mundo real.

Os palestrantes da noite foram a professora e pesquisadora Maria da Glória Corrêa Di Fanti, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), e o professor de História Contemporânea Joseph Burgaya, que participou da conversa ao vivo da Espanha. Conforme a mediadora do evento, professora Luciana Turatti, do curso de Direito da Univates, o simpósio superou o número de inscrições da última edição, sendo a primeira vez que a programação ocorreu no formato totalmente digital. “Foram 1.196 inscrições ou participantes, algo que nos deixou muito felizes. Tivemos uma audiência muito boa em todos os momentos e uma programação vasta”, relata.

Gabriela Hautrive

Neste ano, a professora destaca que foram acrescentados relatos de experiências entre as atividades, com o objetivo de aproximar a comunidade do evento, além das apresentações de trabalhos acadêmicos, voltadas aos alunos. “A ideia dos relatos era permitir que as pessoas que tiveram experiências com suas comunidades e vivências pudessem apresentar a realidade aos participantes”, explica Luciana. Ao todo, foram 99 trabalhos apresentados, sendo 67 resumos científicos e 32 relatos de experiências. “Quase que um terço dos trabalhos foram relatos, o que nos deixa muito felizes, com essa aproximação com outras pessoas além da academia”, reforça.

Natalia Bottoni

Um dos destaques do evento foi a abertura da programação, na segunda-feira (18), com o escritor Itamar Vieira Junior. “Foi muito importante, quando ele traz toda uma sensibilidade de um olhar como escritor, agraciado com vários prêmios da literatura, tanto internacionais como nacionais”, relata Luciana. A professora também cita os diálogos realizados na terça-feira, que destacaram as preocupações com o futuro, a importância da temática da sustentabilidade, em relação à ideia do comum. “Um tema que permeia todos os espaços e que nós queríamos destacar ao propor a ideia da redescoberta do mundo e a discussão em torno das ideias de comum e comunidade”, completa.

Luciana destacou as ações artísticas e culturais, que têm um espaço no evento. “O nosso próprio palco neste ano se transformou em um grande local de exposição, o que diferencia também esse palco das edições anteriores, porque ele apresentou obras de artes de artistas nossos”, avalia.

Gabriela Hautrive

Abordagem sobre a era digital

Na palestra da noite de quarta-feira, os debatedores, começando com apresentação do professor Joseph Burgaya, falaram sobre digitalização, tecnologia, era digital e fenômenos sociais, além da intolerância em relação à democracia. Conforme Burgaya, ainda não temos a perspectiva de ver toda a mudança que o “mundo digital” vai provocar, mas entende que a era digital terá uma magnitude, talvez como foi a revolução industrial. “Algo feito para ficar, em um processo de mudanças, algumas questões que estamos aceitando de forma geral e uma transformação que nunca tínhamos vivido”.

O professor também citou alguns pontos que considera importantes neste contexto. “O processo de digitalização, eu quero introduzir falando do surgimento da sociedade digital e dizer que a pandemia, em um ano e meio, acionou o triunfo da digitalização e contribuiu com alguns elementos positivos, proporcionou recursos médicos sanitários em tempos excepcionais, trabalho remoto, questões digitais e redes sociais. 

Com isso, o historiador entende que houve um aumento da crítica às relações virtuais e ampliação nas relações aditivas, que em alguns casos, se produz em relação à questão digital e dependência da tecnologia, das telas e das redes sociais. “O impacto digital, em um livro que publiquei, chamo de manada digital, pois a tecnologia nunca foi neutra. De certa forma poderíamos coletar o meio e a mensagem, mas a tecnologia digital não é neutra”, explicou. 

Na palestra, ainda foram abordados temas que envolvem o comércio, a economia e o monopólio capitalista. “Não temos dois Googles, duas Amazons, é uma economia em que tende a vencer aquele que consegue se colocar na primeira posição”, destacou. Nesse contexto, o comércio, conforme o professor, jogou um papel importante nas cidades e está sendo destruído pelo comércio on-line por meio das plataformas digitais.

Gabriela Hautrive



Após a fala do historiador, a professora Maria da Glória Corrêa Di Fanti deu continuidade ao tema, também trazendo questões que envolvem a intolerância, democratização da internet, temáticas políticas e interações por meio de redes sociais. 

“Dentro dos diferentes usos das mídias sociais, existem aqueles que aguçam uma comunidade de partilha e sua rápida disseminação, tudo muito rápido, não há análises profundas, e isso aumenta a intolerância das pessoas”, entende. As bases da sociedade, conforme Maria da Glória, precisam ser democráticas e pluralistas.