Virtualização das aulas presenciais: novos desafios para alunos e professores

Postado as 12/06/2020 15:17:30

Por Júlia Amaral

Disciplina e capacidade de se adaptar. Talvez esses sejam os comportamentos essenciais para quem, em tempos de pandemia, não pode sair de casa, mas segue cumprindo seus deveres. As aulas da Universidade do Vale do Taquari - Univates, por exemplo, se tornaram virtualizadas, para evitar a propagação da Covid-19, a partir do dia 16 de março. A possibilidade de participar das atividades no conforto do lar requer muita disciplina e comprometimento, tanto quanto as aulas presenciais exigem.

A professora do curso de Direito Giovana Beatriz Schossler conta um pouco sobre as aulas. “O planejamento das aulas exigiu a utilização de ferramentas que anteriormente não eram utilizadas em sala de aula. Por meio de videoconferência faço a explanação do conteúdo. Se a matéria comporta, utilizo vídeos de correlação, assim como jogos interativos de quiz (kahoot.it – ótima dica!), utilizo textos para aprofundamento dos assuntos, resolução de exercícios e questões do Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Com a necessidade de aproximá-los da prática jurídica, disponibilizo processos findos para análise e elaboração de peças jurídicas com base em situações hipotéticas”, conta. 

A estudante Milena Keppler, que está no quarto semestre de Direito, usa plataformas on-line como Google Meet, Classroom, Google Docs e Planilha para fazer as atividades das aulas. Para ela, os programas facilitam os estudos, mas não dispensam a necessidade de organização, inclusive do ambiente físico. “É importante ressaltar que para acompanhar as aulas virtuais precisamos ter uma boa conexão com a internet e ter um local apropriado em nossas residências em que haja tranquilidade, silêncio e boa iluminação”, ressalta a acadêmica. “O bom aproveitamento dos conteúdos produzidos pelos professores depende muito da determinação e da seriedade de cada aluno”, afirma. 

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Para alguns professores, trabalhar de forma remota não é exatamente uma novidade. Há seis anos Vagner Zarpellon, professor do curso Técnico em Comunicação Visual, é sócio de um estúdio de design, no qual realiza diariamente a gestão de projetos, muitos de forma on-line. Segundo Zarpellon, há algum tempo o trabalho remoto está sendo uma prática comum. “Mas para o home office funcionar de forma que consigamos juntar os benefícios de estarmos remotamente com as vantagens que teríamos presencialmente, é preciso ter ferramentas adequadas e criar certas rotinas remotas, assim como teríamos rotinas presenciais”, explica. O professor tinha apresentado aos alunos o Trello, site para gestão de projetos, antes mesmo da virtualização das aulas. “No Google Meet criei uma sala, que nomeei de Sala do Professor, em que fico à disposição para tirar dúvidas. Como criei as salas de cada equipe, tenho acesso aos grupos, nos quais entro durante a aula para verificar o andamento do projeto e validar a presença dos alunos”, conta.

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Neste semestre, Zarpellon tem um aluno surdo, o Gustavo Vargas de Souza. “Com a sala do Google Meet, os próprios alunos descobriram uma forma de conectar o estudante surdo com a intérprete e seus colegas”, conta o professor. Dessa forma, os estudantes estão conseguindo desenvolver virtualmente um trabalho em grupo. Gustavo mantém no seu monitor o vídeo da intérprete, que traduz, na Língua Brasileira de Sinais - Libras, o que o grupo está conversando.

Entenda por que as aulas virtualizadas do período de quarentena não são como as aulas dos cursos EAD

Apesar de ambas não acontecerem de forma presencial, existem algumas diferenças entre as aulas da Educação a Distância (EAD) e as virtualizadas.  As aulas presenciais virtualizadas estão  amparadas em legislação específica e temporária do Ministério da Educação, para que se aplique o distanciamento social nos cursos presenciais. Ou seja, é algo temporário. Neste caso, são mantidos os mesmos horários e dias das aulas presenciais, o que facilita a interação com o professor da disciplina, responsável por organizar o material e a proposta de cada aula. Prevalecem atividades em momentos síncronos, isto é, todos estão realizando as atividades no mesmo turno, tendo acompanhamento do professor. O professor continua a controlar a frequência (conforme critérios apresentados em cada aula) e registra os resultados avaliativos no webdiário. 

Nos cursos EAD, a dinâmica de trabalho muda. Em vez de um turno de aula específico, a cada semana é disponibilizada uma unidade de estudo. Cada unidade é composta de materiais de estudo (textos, videoaulas, materiais em áudio) e um conjunto de atividades (excercícios, tarefas, fórum de discussão, dentre outros). Há a presença de tutores, profissionais que atuam no apoio aos processos de ensino e de aprendizagem. A interação entre professor, tutor e estudantes ocorre principalmente de forma assíncrona (professores, estudantes e tutores não precisam realizar as atividades ao memo tempo). Quinzenalmente ocorrem videoconferências ao vivo.

Nos cursos presenciais, o calendário acadêmico segue a organização semestral, que não foi modificada. Nos cursos EAD da Univates, o calendário acadêmico segue uma organização por trimestres. Além disso, na EAD as interações e as tarefas dos estudantes são registradas automaticamente no Ambiente Virtual e as avaliações seguem um padrão para todos os componentes curriculares. Nas aulas virtualizadas, o professor continua a controlar a frequência dos estudantes aula a aula e faz os registros no webdiário.