De Roraima a Lajeado: aluno atravessa o país de moto para estudar na Univates
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Quem decide cursar
mestrado sabe que enfrentará pela frente muitas leituras, pesquisas
e dedicação. Até aí, itens obrigatórios para aqueles que desejam
aprofundar seus estudos e, como consequência, conquistar melhores
oportunidades profissionais. Mas para um aluno do terceiro módulo do
Mestrado Profissional em Ensino de Ciências Exatas, que iniciou dia
9 de janeiro na Univates, o principal desafio foi a estrada.
O professor de
matemática da Escola Estadual Elza Breves de Carvalho, Janio
Benevides de Souza Nascimento, de 36 anos, ousou ao atravessar o país
de moto. Saiu de sua cidade, Boa Vista, em Roraima, em direção a
Lajeado. A saga iniciou em 26 de dezembro. De lá, até 8 de janeiro,
quando chegou ao Câmpus da Univates, foram 13 dias de viagem, 4,5
mil quilômetros percorridos, cinco estados visitados e uma média de
700 km por dia, de Porto Velho, em Rondônia, a Campo Grande, capital
do Mato Grosso do Sul. Na mochila, objetos que não podem faltar,
como a bíblia, o diário e a bandeira do seu estado.
Janio conta que o
espírito aventureiro iniciou de uma hora para outra, ao acompanhar
reportagens de pessoas que atravessam países de bicicleta ou de
moto. Seus primeiros desafios foram sair de Boa Vista em direção a
Santiago, no Chile, de bicicleta, e participar duas vezes da São
Silvestre, em São Paulo.
Ao conhecer a Univates,
por meio de um convênio de universidades de Roraima com a
Instituição, não teve dúvidas ao buscar qualificação e mostrar
que a distância não é impedimento para quem deseja ampliar o
conhecimento. "A opção de ser um curso modular, que ocorre no
período das férias escolares, e a facilidade de parcelamento nas
mensalidades foram critérios importantes na escolha pela
Instituição", observa o mestrando. Para o roraimense, a estrutura
da Univates é de primeira linha e um dos diferenciais está nos
docentes. "Os professores, embora doutores, descem dos pedestais
para entenderem e conversarem com os alunos. Estou motivado para
continuar estudando", ressalta.
Com o mestrado, ele
pretende tornar suas aulas mais atrativas e mostrar aos alunos outras
formas de aprender matemática, como com a utilização e manuseio de
objetos sólidos. "Não existe sucesso sem trabalho. Precisamos
batalhar e vestir a camiseta", complementa o aventureiro, que
defenderá sua dissertação em janeiro de 2013.
Para Janio, a principal
diferença entre os estados está no linguajar. "O sotaque é bem
distinto. Aqui o pessoal fala muito "capaz", "daí" e "bah". É
engraçado para quem não é acostumado", brinca. O retorno a
Roraima já está sendo programado para o dia 22 de janeiro, quando
terminam as aulas. "Preciso continuar com a mesma coragem da vinda.
As férias estão terminando", sorri.