Inovação, Tecnologia, Tecnovates

Comitiva da Univates percorre parques tecnológicos catarinenses em busca de referências para atuação do Tecnovates

Por Lucas George Wendt

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Postado em: 09/10/2026, 09:45:00

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Atualizado em: 09/10/2026, 17:14:17

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Uma comitiva da Universidade do Vale do Taquari - Univates iniciou, na segunda-feira (5), uma imersão de três dias em Santa Catarina com o propósito de conhecer, em seus próprios territórios, três ambientes de inovação do estado: o Ágora Tech Park, em Joinville; o Centro Empresarial para Laboração de Tecnologias Avançadas (CELTA) e o conjunto formado pelo Sapiens Parque e pelo InPETU, ambos em Florianópolis. 

A agenda, que se estendeu até quarta-feira (7), reuniu integrantes da gestão superior da Instituição e a gerente do Parque Científico e Tecnológico do Vale do Taquari - Tecnovates, o parque tecnológico da Univates em Lajeado, e resultou em subsídios para o desenvolvimento desse ambiente.

Participaram a vice-reitora da Univates, Cíntia Agostini; o diretor administrativo da Fundação Vale do Taquari de Educação e Desenvolvimento Social, Júnior Roberto Willig; o pró-reitor de Ensino e Extensão, Tiago Weizenmann; o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, Luis Fernando Saraiva Macedo Timmers; e a gerente do Tecnovates, Cristiani Reimers. 

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Dentre os temas abordados nas visitas estiveram questões relacionadas à governança: quem decide, com que representação e com que grau de autonomia em relação à instituição de origem; ao modelo de financiamento, isto é, a combinação entre recursos públicos, receitas de locação e de serviços, parcerias com o setor privado e eventuais fundos de fomento. 

Também foram contempladas a relação dos espaços de inovação com a pesquisa acadêmica, que pode variar da simples coabitação espacial à integração efetiva de laboratórios, grupos e programas de pós-graduação aos projetos das empresas residentes; e a dimensão a das métricas, uma vez que processos tecnológicos costumam ser avaliados por indicadores como número de empresas abrigadas, empregos qualificados gerados, patentes depositadas, projetos conjuntos com universidades desenvolvidos e capital captado, e a escolha desses indicadores condiciona, em larga medida, a leitura que se faz do desempenho do ambiente. 

O roteiro começou na segunda-feira, no Ágora Tech Park, em Joinville. O parque está instalado no Distrito Industrial da cidade, dentro do Perini Business Park. O grupo foi recebido pelo diretor-presidente, Emerson Edel, e por outros dirigentes da instituição. 

Na terça-feira (6), a delegação visitou o CELTA, no Parque Tecnológico Alfa, em Florianópolis. A visita foi conduzida pelo diretor executivo, Tony Chierighini. A programação se encerrou na quarta-feira (7), com visita ao Sapiens Parque e ao InPETU, em Canasvieiras, no norte da Ilha de Santa Catarina. A recepção ficou a cargo de Clarissa Flôr. 

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Referências de atuação 

“O que conhecemos nessa experiência foram estruturas em que universidades, setor empresarial, grandes empresas, startups e poder público estão conectados e cumprem papéis complementares. O que conseguimos perceber de fato foi como um ecossistema pode funcionar verdadeiramente quando esses diferentes atores assumem suas responsabilidades e constroem mecanismos de cooperação. Para nós, é uma questão central compreender como a universidade pode se inserir nesse ambiente a partir da pesquisa, especialmente da pesquisa aplicada, mas também no processo formativo dos estudantes e na relação que estabelecemos com os diferentes atores do ecossistema”, explica a vice-reitora da Univates, professora Cíntia Agostini. 

A gestora dá mais detalhes. “A experiência também nos permite pensar em como potencializar esses ambientes na formação dos nossos estudantes, constituindo trilhas para que eles possam criar, testar, prototipar, propor soluções e participar de competições e outras experiências práticas, no sentido de que a aproximação com empresas, startups, universidades e poder público amplia as possibilidades de aprendizagem e permite que os estudantes vivenciem, de maneira concreta, processos de inovação e empreendedorismo. Ao mesmo tempo, cria condições para que a pesquisa e o conhecimento produzidos na universidade possam se transformar em soluções, negócios e novas oportunidades de desenvolvimento”, complementa. 

Cintia também acrescenta que outro aspecto que chamou a atenção da comitiva da Univates foi a forma como os municípios e o Governo do Estado assumiram, nas experiências catarinenses, ao longo do tempo, responsabilidades relacionadas a essa temática. “Não estamos falando de um movimento recente, mas de uma trajetória de décadas, marcada pela criação de mecanismos, políticas públicas e investimentos que estruturam esse ecossistema. Nesse contexto, conseguimos perceber com clareza como a relação entre ensino, pesquisa e extensão se fortalece quando a universidade está conectada a esses ambientes. Nós contribuímos para eles, ao mesmo tempo em que recebemos deles novas possibilidades para formar melhor nossos estudantes, gerar negócios, inovar, produzir conhecimento e ampliar o impacto daquilo que fazemos”, finaliza. 

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Conheça a trajetória do Tecnovates

O Parque Científico e Tecnológico do Vale do Taquari (Tecnovates), da Univates, consolidou-se ao longo de mais de três décadas como um ecossistema voltado à inovação, ao empreendedorismo e à pesquisa aplicada. Sua trajetória teve início em 1993, com a implantação do Polo de Modernização Tecnológica do Vale do Taquari (PMT/VT), resultado de uma articulação entre o Governo do Rio Grande do Sul e lideranças regionais para estruturar laboratórios destinados a análises físico-químicas, microbiológicas e ambientais. Dez anos depois, em 2003, foi criada a Incubadora Tecnológica da Univates (Inovates), inicialmente denominada Inovatec, destinada ao apoio a empresas de base tecnológica.

A estruturação do parque ganhou novo impulso a partir de 2009, com a inauguração do prédio da incubadora no campus de Lajeado. Em 2010 foi formalizada a criação do Tecnovates, com atuação direcionada a áreas como alimentos, meio ambiente, energias renováveis, saúde e tecnologia. Em 2012 a criação do Comitê Gestor consolidou a integração da Inovates à estrutura do Parque.

Entre 2014 e 2016, o Tecnovates passou por uma importante expansão física e institucional. Os Prédios 19, 20 e 21 foram concluídos e passaram a abrigar laboratórios, auditórios e empresas parceiras. Sua inauguração oficial ocorreu em 26 de junho de 2014. No ano seguinte, entrou em funcionamento o Centro Tecnológico de Pesquisa e Produção de Alimentos (CTPPA), com uma Central Instrumental destinada a projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação. Em 2016 foram inaugurados o Centro de Estudos em Biogás e Energias Renováveis (Ceber), em Encantado, e o Laboratório de Tecnologia Criativa e ocorreu a filiação do Parque à Associação Internacional de Parques Científicos e Áreas de Inovação (IASP).

A partir de 2017, novas estruturas de gestão e certificação contribuíram para a consolidação do ecossistema. Em 2018 a Inovates obteve a certificação Cerne 1, da Anprotec, enquanto o Laboratório de Biorreatores recebeu credenciamento da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Entre 2021 e 2023, mudanças administrativas e a criação de quatro Centros de Pesquisa ampliaram a articulação entre pesquisa e inovação.

Mais recentemente, o Tecnovates ampliou sua atuação na área da saúde. Em outubro de 2025, foi inaugurado o Hub Tecno Saúde, instalado no Prédio 16, com foco na qualificação e aceleração de soluções e startups. No mesmo ano, o Hub conquistou a etapa Sul do Prêmio Finep de Inovação, na categoria Ambiente de Inovação. Ao final de 2025, o Tecnovates reunia 38 empresas residentes e 71 empresas associadas externas. 

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