
Univates em Portugal (1/2): Missão institucional participa de fórum internacional sobre longevidade em Cascais com presença do Presidente de Portugal
Por Lucas George Wendt
|Postado em: 25/09/2026, 08:15:00
Um grupo de quatro representantes da Universidade do Vale do Taquari - Univates está em Portugal nesta semana e na próxima para cumprir uma agenda que combina a participação em um dos principais fóruns europeus de debate sobre saúde e longevidade com uma aproximação institucional junto a uma universidade portuguesa.
Integram a comitiva o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, professor Luis Fernando Timmers; a gerente do Parque Científico e Tecnológico da Univates (Tecnovates), Cristiani Reimers; a coordenadora de Pesquisa da Univates, professora Luciana Turatti; e o coordenador da Incubadora da Univates, Bernardo Sulzbach. Temas como envelhecimento, tecnologia em saúde e transferência de conhecimento na região do Vale do Taquari atravessam diretamente as quatro áreas representadas pela equipe da Univates no evento.
Neste texto, o foco recai sobre a primeira etapa da viagem: a participação no Cascais International Health Forum 2026, realizado nos dias 24 e 25 de setembro no Centro de Congressos do Estoril, no município de Cascais, na região metropolitana de Lisboa.

Um fórum sobre a "revolução da longevidade"
O Cascais International Health Forum é promovido pelo Fórum Saúde XXI e integra a Estratégia Municipal de Saúde de Cascais 2025-2030. A edição deste ano adotou o mote "Viver Mais, Viver Melhor" e propõe uma abordagem multidisciplinar e orientada para a ação. A proposta do fórum parte da premissa de que o aumento da expectativa de vida, uma das conquistas mais significativas das sociedades contemporâneas, só tem sentido pleno quando os anos acrescidos são vividos com saúde, autonomia, inclusão e capacidade coletiva de responder aos desafios ambientais, sociais e tecnológicos do século XXI.
A programação se organizou em dois eixos, um para cada dia. O primeiro, intitulado "A Revolução da Longevidade", concentrou as discussões sobre qualidade de vida, prevenção, transformação social e inteligência artificial. O segundo, "Sociedade, Economia & Futuro", voltou-se às dimensões econômicas, demográficas e urbanas do envelhecimento populacional. Ao todo, o evento reuniu oito sessões plenárias, várias conferências e 28 sessões paralelas, com especialistas das áreas de ciência, tecnologia, saúde, economia e política.
A sessão de abertura, na manhã de 24 de setembro, contou com Andrea Lima, presidente do Fórum Saúde XXI; Adalberto Campos Fernandes, chairman do fórum e professor da Escola Nacional de Saúde Pública; Nuno Piteira Lopes, presidente da Câmara Municipal de Cascais; e Álvaro Santos Almeida, diretor executivo do Serviço Nacional de Saúde (SNS) português. Na ocasião, Andrea Lima destacou o caráter transversal que o debate precisa assumir: "É fundamental chamar toda a sociedade para este debate, que não é só o de vivermos mais, mas também o de vivermos em pleno, razão pela qual é necessário haver um mindset transversal".
A conferência de abertura ficou a cargo do economista Mário Centeno, ministro das Finanças de Portugal entre 2015 e 2020. Ele apresentou uma leitura estratégica sobre os impactos do aumento da esperança de vida na economia, na organização social e nas políticas públicas. Ao longo do primeiro dia, as sessões plenárias trataram das expectativas das pessoas em relação à "nova longevidade", da saúde cardiovascular desde a fase pré-concepcional até a idade adulta, das oportunidades e dos riscos da inteligência artificial e do papel de wearables, telemedicina e monitoramento remoto na transformação do domicílio em espaço de cuidado. O cientista e investigador Manuel Sobrinho Simões e o ex-ministro do Trabalho e da Segurança Social Pedro Mota Soares estiveram entre os conferencistas da jornada.
Alimentação, sustentabilidade e escolhas coletivas
Entre as sessões paralelas do primeiro dia, Cristiani acompanhou o painel "Alimentação, Longevidade e Estilos de Vida Sustentáveis". O debate tratou da relação entre nutrição, prevenção de doenças e bem-estar ao longo da vida, e também do impacto ambiental das escolhas alimentares. Para a gerente do Tecnovates, Cristiani Reimers, a sessão reforçou que a alimentação e os comportamentos individuais são elementos decisivos para a promoção de uma longevidade saudável, mas não podem ser compreendidos de forma isolada.
Segundo ela, uma das principais questões levantadas foi se existe, de fato, literacia alimentar suficiente para que as pessoas façam escolhas conscientes. "Mais do que saber o que comer, é necessário compreender a relação entre alimentação, saúde, ambiente, economia e sociedade", avalia. Cristiani destaca que as decisões individuais têm impactos coletivos e estão associadas a responsabilidades compartilhadas. Por isso, considera fundamental "ampliar o olhar para todo o sistema agroalimentar, compreendendo-o de forma integrada, desde a produção dos alimentos até a forma como compramos, preparamos, consumimos e descartamos".
Nessa perspectiva, a discussão sobre como produzir mais e melhor se vincula diretamente ao que se come, a quanto se come e a quanto se desperdiça. Temas como desperdício alimentar, economia circular e sustentabilidade passam a integrar o debate sobre saúde. Somam-se a eles a adoção de estilos de vida mais ativos, com a prática regular de atividade física associada a uma alimentação nutricionalmente adequada.
O desafio, resume a gerente do Tecnovates, é encontrar um modelo alimentar capaz de conciliar o que é nutricionalmente adequado, ambientalmente sustentável e social e economicamente viável. "Pensar em alimentação para a longevidade é pensar para além do prato. É compreender que saúde, escolhas individuais, produção de alimentos, sustentabilidade ambiental, atividade física e responsabilidade coletiva estão profundamente interligados", afirma.
As questões levantadas no painel dialogam com áreas em que a Univates atua no ensino, na pesquisa e na inovação, e com a própria realidade do Vale do Taquari, região de forte base agroalimentar. Nesse território, as relações entre produção de alimentos, saúde da população e sustentabilidade têm consequências econômicas e sociais concretas.

Dados, economia e cidades no segundo dia
A programação desta sexta-feira, 25 de setembro, se voltou às dimensões estruturais do envelhecimento populacional. O dia começou com a conferência "A Revolução da Longevidade no Séc. XXI", do cientista Alexandre Quintanilha, seguida da sessão plenária "Dados em Saúde, Interoperabilidade e Confiança". O painel tratou da integração e do compartilhamento seguro de informações em saúde, da governança dos dados, da proteção da privacidade e da confiança dos cidadãos em um ecossistema digital cada vez mais complexo. São temas diretamente ligados à agenda de pesquisa e inovação em saúde digital.
Na sequência, a presidente do Conselho de Finanças Públicas, Nazaré Costa Cabral, apresentou a conferência "A Nova Economia da Longevidade: O Maior Mercado do Século XXI". Ela abordou o crescimento da população com mais de 60 anos como motor de novos produtos, serviços e modelos de negócio em áreas como biotecnologia, habitação, mobilidade, tecnologia e cuidados de longa duração. A perspectiva de que o envelhecimento pode se converter em oportunidade de inovação e empreendedorismo interessa em particular aos ambientes de inovação, como parques tecnológicos e incubadoras, que apoiam a transformação de conhecimento científico em soluções aplicadas.
Os debates seguiram com sessões sobre o futuro dos profissionais de saúde na era da tecnologia, a sustentabilidade da Segurança Social diante das mudanças demográficas e o papel das cidades, do ambiente e do urbanismo na qualidade de vida de populações mais longevas. A plenária sobre demografia e Segurança Social teve participação brasileira: entre as oradoras estava Camile Giaretta Sachetti, chefe da Representação da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Portugal. Entre as sessões paralelas do dia havia painéis dedicados à inteligência artificial e à robótica assistencial, à literacia em saúde, ao sono como pilar da longevidade e às políticas públicas para o envelhecimento ativo.
A programação se aproximou do fim com a conferência "Desenvolvimento, Demografia e Longevidade: Desafios do Século XXI", com o jurista António Vitorino, ex-comissário europeu e ex-diretor-geral da Organização Internacional para as Migrações. Na sequência, aconteceu a sessão de encerramento, proferida pelo Presidente da República Portuguesa, António José Seguro.

Presidente da República Portuguesa, António José Seguro
Uma missão ampliada
Com representantes da gestão da pesquisa e da pós-graduação, do parque tecnológico e da incubadora, a missão permite observar o fórum de diferentes ângulos, dentre os quais a produção científica, a formação de pesquisadores, a inovação aplicada e o surgimento de novos negócios de base tecnológica. Em um evento que trata a longevidade como fenômeno ao mesmo tempo científico, econômico, tecnológico e social, o entrecruzamento amplia o repertório que os participantes trazem de volta à Instituição e ao ecossistema regional de inovação.
Na próxima semana
A missão da Univates em Portugal continua nos próximos dias, agora com foco na cooperação acadêmica. A partir de segunda-feira, 28, a comitiva cumpre agenda na Universidade de Leiria e Oeste, onde estão previstas atividades voltadas à aproximação entre as duas instituições. Os detalhes dessa etapa serão apresentados na segunda reportagem da série, a ser publicada na próxima semana.


