Dito isso, é importante saber que essa maneira própria de conversar sem deixar-se entender surgiu, majoritariamente, como forma de resistência a partir de uma fatia da sociedade que estava (e infelizmente ainda está) sujeita a uma série de preconceitos, e que é constantemente relegada a um lugar de subalternidade com relação a outras identidades de gênero e sexuais que são mais aceitas, como a heterossexual. Além das expressões e gírias que formam o pajubá, é interessante dizer que ele também, como diversas outras línguas, compreende uma série de gestos que encerram significados, como, por exemplo, um toque no nariz que pode indicar a existência de perigo por perto (o perigo, neste caso, estaria relacionado àquelas situações que são potencialmente danosas aos indivíduos da comunidade LGBTQIAPN+, que normalmente é quem mais utiliza esse dialeto).
O parco conhecimento sobre o pajubá – vide a polêmica gerada em torno dessa temática na época em que compôs tema disparador para a escrita da redação do Enem – pode ser explicado por teorias linguísticas. Marcos Bagno, um importante estudioso da área da Sociolinguística, destaca que os dialetos podem ser classificados em dois grupos: aqueles que ocupam lugar de prestígio e os que ocupam o lugar inverso. Do primeiro grupo, por exemplo, podemos citar os dialetos Talian e Hunsrückisch, que derivam de línguas e de grupos étnicos que possuem certo prestígio social. Já no segundo grupo entraria o pajubá, cujos falantes, como já mencionei, estariam inseridos em um lócus social de subalternidade. Tal divisão, para Bagno, significa que o preconceito linguístico que se tem com relação a certos dialetos está entranhado, primeiramente, nos preconceitos sociais que se tem com relação a certas formas de ser, agir e expressar-se em sociedade, ou seja, com relação à identidade sexual, classe econômica e raça.







