
Ambulatório de Reabilitação Pós-COVID19 da Univates completa cinco anos de atendimento gratuito à comunidade
Por Lucas George Wendt
|Postado em: 08/09/2026, 10:35:55
|Atualizado em: 08/09/2026, 11:39:15
Há cinco anos, quando a pandemia de COVID19 ainda produzia efeitos sobre a saúde da população, a Universidade do Vale do Taquari - Univates estruturou uma iniciativa para atender uma demanda que emergia nos serviços de saúde: a necessidade de acompanhamento especializado para pessoas que permaneciam com limitações físicas e respiratórias após a infecção pelo coronavírus. Anunciado em 2021 e com atividades iniciadas em setembro daquele ano, o Ambulatório de Reabilitação Pós-COVID19 (AMREP) chega aos cinco anos de atuação consolidado como um projeto de extensão voltado à recuperação da capacidade funcional e da qualidade de vida da população do Vale do Taquari.
Sob responsabilidade do curso de Fisioterapia da Univates, o AMREP oferece atendimento gratuito a pessoas com sequelas da COVID19 e a pacientes com doenças respiratórias crônicas. O serviço foi estruturado a partir da percepção de fisioterapeutas professores da Universidade sobre as necessidades da comunidade e passou a ocupar um espaço específico na rede de atenção à saúde da região. Com a Fisioterapia como área protagonista, o projeto articula assistência, extensão, ensino e pesquisa e, dessa forma, aproxima a formação universitária da realidade vivenciada pelos pacientes.
Para mais informações, faça contato pelo e-mail poscovid@univates.br.

Atividades realizadas ao longo de 2025 e 2026 no AMREP
A proposta, os objetivos e a metodologia empregada nas atividades
A proposta do ambulatório está fundamentada em protocolos de reabilitação baseados em evidências científicas. Antes e durante o processo terapêutico, os pacientes são acompanhados por meio da monitorização de sinais vitais e da realização de testes destinados à avaliação da capacidade funcional. A partir dos resultados e das características individuais de cada pessoa, são definidos exercícios terapêuticos que buscam reduzir sintomas e limitações e favorecer a retomada progressiva das atividades cotidianas.
Entre os principais objetivos estão o enfrentamento de manifestações como falta de ar, fadiga, perda de força muscular e redução da resistência física. O trabalho também procura ampliar a capacidade funcional, a independência e a autonomia dos pacientes nas atividades de vida diária, contribuindo para que possam recuperar gradualmente sua participação social e profissional.
A metodologia empregada combina avaliação clínica, acompanhamento sistemático, exercício terapêutico e acolhimento. A escuta dos pacientes integra o processo, permitindo que as intervenções considerem parâmetros clínicos, mas também as dificuldades encontradas na rotina de cada pessoa. Dessa forma, a reabilitação não se limita à execução de exercícios, mas constitui um processo de reconstrução da funcionalidade e da confiança para a retomada das atividades.
Atualmente, o AMREP funciona três tardes por semana. Cada paciente é atendido na frequência de duas vezes por semana, seguindo o protocolo de reabilitação estabelecido pela equipe. A dinâmica representa mais de 80 atendimentos por mês. Desde o início do projeto, mais de 35 pacientes já passaram pelas quatro fases do protocolo de reabilitação.

Atividades realizadas ao longo de 2025 e 2026 no AMREP
A equipe
A equipe é composta por voluntários de diferentes cursos e semestres da Univates, entre eles estudantes de Fisioterapia, Biomedicina, Psicologia e Medicina, além de bolsistas de graduação e pós-graduação. O ambulatório também constitui campo de estágio para estudantes do curso de Fisioterapia, ampliando a dimensão formativa da iniciativa.
Para quem participa da equipe, o contato direto com os pacientes permite transformar conhecimentos teóricos em experiências concretas de cuidado. O fisioterapeuta e mestrando Gustavo Bento Steffens, voluntário do AMREP, considera que a experiência contribui de maneira significativa para sua formação.
“É um ambiente muito bem estruturado, que proporciona uma experiência completa em reabilitação cardiorrespiratória, mas, principalmente, permite criar vínculos muito próximos com os pacientes”, relata. Para ele, acompanhar a evolução de cada pessoa e observar a retomada de atividades que anteriormente provocavam dificuldades ou falta de ar constitui uma das dimensões mais significativas do trabalho.
A estudante de Fisioterapia Larissa Caus, bolsista de extensão do AMREP, também destaca a possibilidade de integrar a aprendizagem acadêmica à experiência clínica. Segundo ela, a atuação no ambulatório permite colocar em prática os conhecimentos adquiridos durante a graduação e acompanhar de perto o processo de recuperação dos pacientes.
“Além de poder estar em contato direto com professores e fisioterapeutas, trocar experiências, tirar dúvidas e, principalmente, desenvolver e aperfeiçoar o raciocínio clínico é muito enriquecedor”, afirma Larissa.
O coordenador do AMREP, professor e fisioterapeuta Lucas Capalonga, avalia que a trajetória construída ao longo dos cinco anos demonstra a relevância da proposta tanto para a comunidade quanto para a formação dos estudantes. “Tenho muito orgulho em fazer parte da estruturação e organização do AMREP. Ver os alunos colocando em prática todo o conhecimento transmitido durante as aulas e os pacientes recebendo um programa de reabilitação muito bem desenvolvido nos dá a certeza de que estamos no caminho certo”, afirma.
A professora e fisioterapeuta Tania Fleig, integrante do projeto, aponta que trabalhar com pessoas acometidas por doenças crônicas envolve desafios que ultrapassam a dimensão estritamente técnica da profissão. Para ela, parte do processo consiste em ajudar os pacientes a compreender suas limitações, mas também a reconhecer as possibilidades de funcionalidade que permanecem ou podem ser recuperadas.
“Desenvolver um programa de reabilitação para pessoas acometidas por doenças crônicas é um grande desafio”, explica. A profissional observa que a adesão ao programa, a frequência dos atendimentos e o empenho individual são fatores determinantes para os resultados. Ao avaliar a trajetória do ambulatório, considera que os cinco anos representam um período de conquistas para as pessoas acompanhadas e para a própria equipe.

Atividades realizadas ao longo de 2025 e 2026 no AMREP
Impactos reais na vida da comunidade
Os resultados também aparecem nas experiências relatadas pelos pacientes. Libório Paulo Urnau, de 60 anos, morador de Lajeado, concluiu o protocolo de reabilitação e avalia positivamente o período em que participou do ambulatório. “Melhorei bastante em comparação ao começo. Hoje já estou com bem mais resistência”, relata.
A também moradora de Lajeado Marilise Scherer, de 52 anos, procurou o AMREP em um momento em que a falta de ar comprometia a realização de atividades domésticas que anteriormente desenvolvia normalmente. Segundo ela, tarefas como fazer faxina haviam se tornado difíceis em razão da redução da resistência física. Ao longo do processo, percebeu avanços em sua condição funcional.
“Hoje eu posso dizer que estou bem melhor. Não vou dizer 100%, mas estou bem pertinho”, afirma Marilise, que pretende continuar realizando em casa os exercícios e as atividades orientadas pela equipe. Para ela, a continuidade e o comprometimento com a reabilitação são fundamentais para alcançar resultados.

Atividades realizadas ao longo de 2025 e 2026 no AMREP
Entre os pacientes atualmente acompanhados está Ariel Yuri Nicolini dos Santos, de 29 anos, que possui fibrose cística. Ele ingressou na fila para transplante no final de 2024 e, durante a avaliação, recebeu a indicação de realizar reabilitação. Após uma internação grave, que incluiu três intubações, Ariel iniciou o acompanhamento no AMREP em uma condição de grande fragilidade física.
Segundo ele, naquele momento pesava aproximadamente 45 quilos e havia perdido grande parte da massa muscular. Atividades básicas do cotidiano provocavam cansaço e falta de ar. O processo de reabilitação passou, então, a desempenhar papel importante na recuperação da força e no controle respiratório.
“Para mim foi ótimo, porque me ajudou a recuperar um pouco de músculo”, relata. Ariel também percebeu melhora na capacidade de realizar tarefas sem apresentar queda da saturação e avalia que o fortalecimento proporcionado pela reabilitação tem contribuído para que as internações sejam mais fáceis de enfrentar.

Atividades realizadas ao longo de 2025 e 2026 no AMREP
A interface com a pesquisa
Além da assistência, a trajetória do AMREP produziu resultados no campo acadêmico e científico. Ao longo dos cinco anos, as atividades desenvolvidas no ambulatório deram origem a trabalhos de conclusão de curso, apresentações em eventos científicos, palestras em congressos e publicações de artigos e capítulos de livros com relatos de experiência.
Em 2023 a Editora Univates publicou o e-book “Reabilitação da pessoa acometida por COVID19: relatos de experiências universitárias”, que reúne vivências relacionadas ao trabalho desenvolvido no ambulatório. A publicação registra parte da experiência acumulada pela equipe e evidencia como uma iniciativa concebida para responder a uma emergência sanitária também se transformou em espaço permanente de produção e circulação de conhecimento.

Atividades realizadas ao longo de 2025 e 2026 no AMREP

