
Curso de Gestão de Riscos e Desastres avança na qualificação de municípios para aperfeiçoar planos de contingência no Vale do Taquari
Por Lucas George Wendt
|Postado em: 17/07/2026, 07:00:00
A construção de territórios mais preparados para enfrentar eventos climáticos extremos depende de planejamento, integração institucional e qualificação das equipes responsáveis pela gestão de riscos. Com tal propósito, a Universidade do Vale do Taquari - Univates realizou, no dia 2 de julho, o terceiro encontro do curso "Gestão de Riscos Climáticos: Plano Integrado de Contingência entre Atores Comunitários e Institucionais do Vale do Taquari", iniciativa que reúne representantes de municípios da região em uma ampla estratégia de fortalecimento da prevenção, preparação e resposta a desastres.
A formação resulta de uma cooperação entre a Univates e o Instituto MBRF, desenvolvida em parceria com a 8ª Coordenadoria Regional de Proteção e Defesa Civil (CREPDEC) e com o Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul (MP-RS). O projeto busca consolidar uma rede regional de gestão de riscos baseada na atuação integrada entre instituições públicas, lideranças comunitárias e órgãos de proteção e defesa civil.
Realizado ao longo de dois turnos, o terceiro módulo da capacitação concentrou esforços na qualificação técnica dos profissionais envolvidos na elaboração e atualização dos Planos Municipais de Contingência, documentos considerados importantes para orientar a atuação dos municípios diante de situações de emergência e calamidade pública.
Durante a programação da manhã, os participantes acompanharam uma apresentação conduzida por Marcos Leandro Kazmierczak, doutor em Desastres Naturais e integrante da equipe técnica do Departamento de Gestão de Riscos da Defesa Civil Estadual. A atividade teve como foco os critérios técnicos utilizados pelo Governo do Estado para avaliar os Planos Municipais de Contingência, esclarecendo parâmetros, exigências e aspectos considerados importantes para garantir que esses documentos atendam às necessidades operacionais durante uma emergência.

Enquanto detalhava a metodologia empregada pelo Estado, foram discutidos aspectos relacionados à identificação dos principais riscos existentes em cada município, à definição de responsabilidades entre os diferentes órgãos públicos, aos protocolos de acionamento das equipes, às estratégias de comunicação com a população e à organização das ações de resposta antes, durante e após eventos extremos.
Também participou do encontro a tenente-coronel Ana Maria Hermes, diretora do Departamento de Gestão de Riscos da Defesa Civil Estadual. Durante sua participação, ela destacou o trabalho que vem sendo desenvolvido em conjunto com os municípios gaúchos para ampliar a cultura da prevenção e fortalecer a estrutura da Defesa Civil regional.
A diretora ressaltou a importância das formações promovidas no Vale do Taquari, especialmente diante dos desafios enfrentados pela região nos últimos anos em decorrência de eventos hidrológicos extremos. Segundo ela, iniciativas que aproximam os municípios, promovem o compartilhamento de experiências e qualificam tecnicamente os gestores representam um passo importante para ampliar a capacidade de resposta das administrações locais.

Uma tarde de prática
Enquanto o turno da manhã teve caráter predominantemente técnico, a programação da tarde foi dedicada às atividades práticas. Os participantes foram distribuídos em mesas de conversa e oficinas de trabalho, nas quais puderam analisar os relatórios específicos de seus respectivos municípios, identificar pontos de melhoria e discutir alternativas diretamente com especialistas da Defesa Civil Estadual.
A partir das análises realizadas, cada equipe iniciou o processo de revisão e atualização de seus Planos Municipais de Contingência, utilizando como referência a metodologia PLANCON, adotada nacionalmente para estruturar instrumentos de planejamento voltados à gestão de riscos e desastres.
As oficinas também favoreceram a troca de experiências entre municípios que convivem com diferentes tipos de ameaças, mas compartilham desafios semelhantes relacionados à prevenção, à comunicação em situações de emergência, ao mapeamento de áreas vulneráveis e à organização das respostas institucionais.
Um dos principais diferenciais da formação está justamente na construção de uma visão regional para a gestão de riscos. Em vez de promover capacitações isoladas para cada município, o curso reúne representantes de diferentes administrações municipais em um mesmo ambiente de aprendizagem, estimulando o intercâmbio de conhecimentos, o fortalecimento das redes de cooperação e o desenvolvimento de estratégias integradas.
Ao todo, participam da iniciativa representantes dos 36 municípios do Vale do Taquari e de outros quatro municípios do Vale do Rio Pardo. A proposta busca consolidar uma articulação regional capaz de ampliar a eficiência das ações preventivas e facilitar a atuação conjunta em situações que ultrapassem os limites territoriais de uma única cidade.

O curso
O curso possui carga horária total de 80 horas e está organizado em cinco etapas complementares, estruturadas para acompanhar todas as fases da gestão de riscos, desde a compreensão dos cenários de ameaça até o fortalecimento das ações comunitárias de prevenção.
A jornada formativa iniciou no dia 28 de maio, quando os participantes discutiram o tema "Conhecendo os Cenários de Risco". Nesse primeiro encontro, foram abordadas as características dos principais riscos presentes na região, bem como metodologias para identificação de vulnerabilidades e elaboração de diagnósticos territoriais.
O segundo encontro ocorreu em 18 de junho e concentrou-se na estruturação dos Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil (NUPDECs). A programação enfatizou o papel da participação comunitária na prevenção de desastres e na construção de uma cultura permanente de redução de riscos, reforçando a importância do envolvimento da população nas estratégias locais de preparação.
Com a realização do terceiro módulo, o curso avança para uma etapa mais aplicada, voltada à elaboração e ao aperfeiçoamento dos instrumentos que orientam a atuação das equipes municipais durante situações críticas.
As próximas fases da formação ampliarão ainda mais essa aproximação com os territórios. Estão previstas oficinas diretamente nas comunidades participantes, nas quais serão apresentados os diagnósticos produzidos ao longo do curso e discutidas estratégias de prevenção adaptadas às realidades locais.
Além da socialização dos resultados, essas atividades buscarão fortalecer os canais de comunicação comunitária, incentivar a participação da população na gestão de riscos e consolidar mecanismos permanentes de prevenção, monitoramento e resposta.
A expectativa é que, ao final da capacitação, os municípios disponham de planos mais atualizados, tecnicamente qualificados e alinhados às diretrizes estaduais, além de uma rede regional fortalecida para enfrentar de forma coordenada futuros eventos extremos.
Mais informações sobre o andamento do projeto, cronogramas das próximas etapas e participação dos municípios podem ser obtidas por meio do e-mail oficial da coordenação: gestaoderiscos@univates.br.


