
Extensão universitária fortalece a atuação do curso de Nutrição da Univates com a comunidade
Por Juliana Paula Bruch Bertani, professora do curso de Nutrição
|Postado em: 22/09/2026, 10:46:22
A formação de profissionais da área da saúde exige, cada vez mais, experiências que ultrapassem os limites de uma única disciplina ou curso. Em vista disso, a Resolução CNE/CES nº 7, de 18 de dezembro de 2018, que estabelece as diretrizes para a extensão na educação superior brasileira, regulamentou a inserção da extensão na formação dos estudantes de graduação, promovendo a integração entre universidade e sociedade por meio de ações que articulem ensino, pesquisa e extensão e contribuam para a transformação social (Brasil, 2018). Nesse contexto, é com esse propósito que o componente curricular extensionista Vivências em Ambiente e Saúde, cursado conjuntamente por estudantes de Nutrição, Enfermagem, Psicologia, Educação Física, Fisioterapia, Farmácia, Biomedicina, Odontologia e Fonoaudiologia da Universidade do Vale do Taquari - Univates, reúne diferentes olhares profissionais em torno de uma mesma demanda em saúde apresentada por uma determinada comunidade. Dessa forma, o componente propõe uma vivência prática e coletiva do cuidado em saúde ainda durante a graduação.
Essa aproximação entre a Universidade e a sociedade, por meio da troca de conhecimentos e experiências, possibilita uma relação de aprendizagem mútua, na qual os estudantes ampliam seus conhecimentos e desenvolvem competências ao mesmo tempo que contribuem para o atendimento das demandas e necessidades da comunidade (Silva; Mello, 2022). Nesse sentido, a extensão universitária fortalece a relação entre Universidade e sociedade, promovendo a troca de saberes, a democratização do conhecimento, a participação social e o desenvolvimento de ações voltadas às demandas da comunidade visando à transformação social (Brito et al., 2021; Pinheiro; Narciso, 2022).
Dentre as atividades desenvolvidas, destaca-se a extensão realizada em escolas estaduais de Ensino Médio da região. Nessas ações, acadêmicos de diferentes cursos planejam e conduzem, em conjunto, atividades educativas voltadas à promoção da saúde para adolescentes e jovens. A proposta coloca em prática, desde cedo, uma lógica de trabalho em equipe multiprofissional que será exigida ao longo de toda a trajetória profissional dos futuros egressos, nos mais diversos serviços e níveis de atenção à saúde.
A interdisciplinaridade é, nesse contexto, um dos principais diferenciais do componente. Ao dividir o planejamento e a execução das atividades com colegas de outras áreas, o estudante é convidado a reconhecer os limites e as potencialidades da própria formação, ao mesmo tempo que aprende a valorizar o saber do outro. Essa troca interdisciplinar amplia a compreensão de que a saúde é um fenômeno complexo, que não se resolve isoladamente por nenhuma profissão, mas sim pela articulação entre diferentes saberes e práticas voltadas a um cuidado integral (Forproex, 2012).
A ida às escolas também reforça o papel da extensão universitária como espaço de formação. Mais do que aplicar conteúdos vistos em sala de aula, os estudantes exercitam a escuta, a comunicação com públicos diversos e a adaptação de linguagem e estratégias educativas à realidade de cada turma. Essa aproximação com a comunidade escolar amplia a percepção dos acadêmicos sobre os determinantes sociais que envolvem a saúde de adolescentes, contribuindo para uma formação mais sensível às diferentes realidades sociais (Justino et al., 2025).

Nas escolas, as ações assumem diferentes formatos, como rodas de conversa, oficinas educativas e dinâmicas interativas sobre temas como alimentação saudável, educação nutricional, escolha consciente dos alimentos, leitura e interpretação de rótulos, hidratação, entre outros temas das demais áreas da saúde, sendo cada tema conduzido de forma articulada entre os cursos, de modo que os próprios estudantes precisem dialogar entre si para transformar conhecimentos técnicos em linguagem acessível ao público adolescente. Esse exercício de tradução do saber acadêmico para a realidade escolar é, em si, um dos aprendizados mais valiosos proporcionados pelo componente, pois reforça a interação dialógica aplicada à relação entre o saber acadêmico e a realidade escolar em que o conhecimento não é transmitido de forma unilateral, e sim construído por meio do diálogo e da troca de saberes, configurando a via de mão dupla (Forproex, 2012).
Para os acadêmicos, participar dessas vivências representa um importante passo no aperfeiçoamento da formação profissional. Além de consolidar conteúdos teóricos, a experiência desenvolve competências como trabalho em equipe, empatia, capacidade de planejamento e resolução de problemas em contextos reais, muitas vezes distintos daqueles vivenciados em ambiente clínico ou laboratorial. Esse contato direto com a comunidade escolar também estimula o senso de responsabilidade social, um dos pilares da atuação de qualquer profissional da área da saúde (Santana et al., 2021).
O componente é ministrado por diversos professores, responsáveis por diferentes turmas, sendo as professoras Jamile Wayne Ferreira, Juliana Bruch Bertani e Patrícia Fassina Cé vinculadas ao curso de Nutrição da Univates, as quais orientam os estudantes desde o planejamento e execução das ações até a avaliação dos resultados obtidos nas escolas, consolidando uma experiência formativa completa, que une teoria, prática e reflexão relacionada diretamente às ações realizadas e ao impacto gerado na transformação social, pessoal, cidadã e profissional dos estudantes.
Iniciativas como essa reafirmam o compromisso da Instituição com uma formação em saúde integrada, interdisciplinar e conectada à realidade da comunidade. Ao vivenciar, ainda na graduação, a construção coletiva do cuidado, os futuros profissionais do curso de Nutrição da Univates e das demais áreas da saúde saem mais preparados para atuar de forma colaborativa, ampliando o impacto positivo de suas futuras práticas na vida da população.

Referências
BRASIL. Resolução nº 7, de 18 de dezembro de 2018. Diretrizes para a Extensão na
Educação Superior Brasileira. Brasília: Ministério da Educação, Conselho Nacional
de Educação e Câmara de Educação Superior, 2018. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/cne/pdf/resolucoes-do-cne/ces/2018/rces007_18.pdf. Acesso em: 31 ago. 2026.
BRITO, Hávila R.N.G; ALVES, Erinaldo D.; CRUZ, Erislene R.M.; CARNEIRO, Sofia V.; BEZERRA, Milena H.O.; CARVALHO, Mariza M.B.; CÂMARA, Cândida M.F.; VIDAL, Andréa A. Extensão universitária e ensino em saúde: impactos na formação discente e na comunidade.
Brazilian Journal of Development, v. 7, n. 3, p. 29895-29918, mar. 2021. Disponível em:
https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/view/26939/21310. Acesso em: 31 ago. 2026.
FÓRUM DE PRÓ-REITORES DE EXTENSÃO DAS INSTITUIÇÕES PÚBLICAS DE EDUCAÇÃO SUPERIOR BRASILEIRAS (FORPROEX). Política Nacional de Extensão Universitária. Manaus: Forproex, 2012. Disponível em: https://proexc.ufu.br/sites/proexc.ufu.br/files/media/document//Politica_Nacional_de_Extensao_Universitaria_-FORPROEX-_2012.pdf. Acesso em: 31 ago. 2026.
JUSTINO, Neila Fernandes; GOMES, Rebecca Nascimento da Silveira; CARMINATTI, Micheli; BARROS, Luís Felipe Morais; GUERRA, Júlia Maria López; RODRIGUES, Jefferson Carlos Tolentino; LOPES, Juliana de Fatima da Conceição Veríssimo; ANJOS, Jalmes Silva Pereira dos. Determinantes sociais da saúde: impactos no desenvolvimento de crianças e adolescentes em situações de risco. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, [S. l.], v. 11, n. 2, p. 1927-1942, 2025. DOI: 10.51891/rease.v11i2.18210. Disponível em: https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/18210. Acesso em: 31 ago. 2026.
PINHEIRO, Jonison V.; NARCISO, Christian S. A importância da inserção de atividades de extensão universitária para o desenvolvimento profissional. Revista Extensão & Sociedade, Natal, RN, v. 14, n. 2, p. 56-68, 2022. DOI: https://doi.org/10.21680/2178-6054.2022v14n2ID28993. ISSN: 2178 - 6054. Disponível em:
https://periodicos.ufrn.br/extensaoesociedade/article/view/28993/16563. Acesso em: 31 ago. 2026.
SANTANA, R. R.; SANTANA, C. C. de A. P.; COSTA NETO, S. B. da.; OLIVEIRA, Ê. C. de. Extensão universitária como prática educativa na promoção da saúde. Educação & Realidade, v. 46, n. 2, p. e98702. DOI: https://doi.org/10.1590/2175-623698702. Disponível em: https://www.scielo.br/j/edreal/a/qX3KBJghtJpHQrDZzG4b8XB/?lang=pt. Acesso em: 31 ago. 2026.

