
PET-Saúde Clima amplia ações de enfrentamento às iniquidades em saúde no Vale do Taquari
Por Lucas George Wendt
|Postado em: 03/09/2026, 08:00:00
As mudanças climáticas e os eventos ambientais extremos já não podem ser tratados somente como questões relacionadas ao meio ambiente. Enchentes, desastres, alterações nas condições sanitárias e outros impactos ambientais também interferem nas condições de saúde das populações e podem aprofundar desigualdades que já existem nos territórios. É nesse contexto que o PET-Saúde Clima desenvolve suas atividades no Vale do Taquari, conectando formação acadêmica, serviços públicos de saúde e comunidade.
O projeto integra o Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde), iniciativa dos Ministérios da Saúde e da Educação voltada à integração entre instituições de ensino, Sistema Único de Saúde (SUS) e comunidade. A proposta utiliza a educação pelo trabalho para aproximar estudantes e profissionais dos desafios concretos encontrados nos serviços de saúde e territórios.
Na região, o projeto é desenvolvido pela Universidade do Vale do Taquari - Univates, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Lajeado (Sesa) e a 16ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS). A proposta foi selecionada por meio do Edital nº 23/2026, da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES), do Ministério da Saúde.
“Ficamos muito contentes com a aprovação do nosso projeto, que foi elaborado coletivamente, a partir das experiências vivenciadas durante e após os desastres climáticos. Temos a expectativa de realizar ações e produzir materiais e estudos que possam contribuir na minimização dos impactos das mudanças climáticas na saúde de Lajeado e Região. Entendemos que toda comunidade será beneficiada com esse projeto, tanto a acadêmica como os serviços de saúde e a população. Os estudantes participantes terão uma oportunidade única de aprendizado na prática dos serviços e diretamente nos territórios. O compartilhamento de saberes interprofissionais e interdisciplinares será o grande diferencial deste projeto de extensão. A parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Lajeado e a 16ª CRS possibilitará que as ações atendam as demandas da população e dos serviços de saúde em relação aos objetivos do projeto”, destaca a professora Cássia Regina Gotler Medeiros, coordenadora da ação.
Como as mudanças climáticas afetam a saúde
A relação entre clima, ambiente e saúde envolve diferentes dimensões. Eventos climáticos e ambientais podem alterar as condições de vida das populações, pressionar os serviços públicos e ampliar situações de vulnerabilidade. Os impactos não são distribuídos de maneira homogênea, no sentido de que populações em condições sociais, territoriais e econômicas mais vulneráveis podem enfrentar maiores dificuldades para prevenir, responder e se recuperar dessas situações.
Por isso, o PET-Saúde Clima tem como eixo o enfrentamento das iniquidades em saúde agravadas pelas mudanças climáticas e ambientais. A proposta considera dimensões sociais, raciais, étnicas, territoriais e de gênero, buscando fortalecer respostas do SUS orientadas pelos princípios da equidade e da integralidade do cuidado.
As atividades também estão relacionadas ao Plano Setorial de Adaptação à Mudança do Clima do Setor Saúde (AdaptaSUS 2024–2035), ao Plano de Ação em Saúde de Belém e ao Programa Brasil Saudável: Unir para Cuidar. A formação pretende desenvolver competências para atuação em áreas como cuidado, vigilância em saúde, comunicação, regulação do acesso e organização das redes de atenção diante de emergências climáticas e ambientais.
Cinco grupos tutoriais atuam no território
A execução do projeto está organizada em cinco grupos tutoriais, que abordam diferentes dimensões da relação entre clima, ambiente, saúde e organização dos serviços públicos: Vigidesastre, em parceria entre Univates e 16ª CRS; e Vigilância em Saúde; Descentralização da Atenção Especializada; Populações Vulneráveis e Comunicação em Saúde, em parceria entre Univates e Sesa.
A estrutura reúne diferentes atores envolvidos na formação e na prestação de serviços de saúde, permitindo que estudantes tenham contato com situações concretas dos territórios e que os conhecimentos produzidos no ambiente acadêmico sejam relacionados às demandas encontradas no SUS.
Ao todo, o projeto conta com 64 bolsas destinadas a estudantes, preceptores e demais participantes. Cada um dos grupos tutoriais é composto por dois professores, dois preceptores dos serviços de saúde e oito estudantes.
Formação para responder a um cenário de transformação
O projeto propõe observar como as transformações ambientais modificam problemas já conhecidos e criam novas demandas para os serviços públicos. Essa perspectiva desloca o debate de uma abordagem exclusivamente ambiental para uma compreensão territorial da saúde, na qual as condições sociais, ambientais e de acesso aos serviços estão interligadas.
A participação de estudantes de diferentes áreas também amplia essa perspectiva. A proposta reúne integrantes da área da saúde e de outras formações, favorecendo uma abordagem interdisciplinar diante de problemas que não podem ser compreendidos ou enfrentados por uma única especialidade.
O projeto tem duração prevista de dois anos, com início em agosto de 2026 e desenvolvimento até julho de 2028. Ao longo desse período, os grupos deverão executar as ações previstas e acompanhar o cumprimento das metas e dos objetivos estabelecidos na proposta.


