
Setembro Amarelo: falar sobre ideação suicida é um ato de cuidado
Por Ana Paula Gottardi- Psicóloga CRP 07/38362
|Postado em: 03/09/2026, 08:56:54
|Atualizado em: 03/09/2026, 10:19:41
O Setembro Amarelo teve início nos Estados Unidos, depois que um jovem de 17 anos cometeu suicídio em 1994. O jovem conhecido como Mike Emmer, restaurou um automóvel Mustang 68, pintando-o de amarelo. Sua família e amigos não se atentaram ao sofrimento que o jovem vinha passando e isso resultou em sua morte. No dia do velório, foi feita uma cesta com cartões decorados com fitas amarelas que continham a mensagem: “Se você precisar, peça ajuda”. Essa iniciativa foi o passo inicial para o movimento de prevenção ao suicídio, visto que os cartões chegaram às mãos de pessoas que estavam precisando de apoio. Por isso o laço amarelo foi escolhido como símbolo de luta contra o suicídio, assim como o mês de setembro.
O Setembro Amarelo, mais do que um mês que se discute a prevenção ao suicídio, convida a sociedade a falar abertamente sobre saúde mental, quebrar tabus e fortalecer redes de apoio. O suicídio configura-se como um fenômeno complexo e multidimensional, no qual convergem fatores biológicos, psicológicos, sociais, culturais e econômicos. Além de representar um grave problema de saúde pública mundial, gerando consequências significativas para a sociedade como um todo.
O suicídio figura entre as principais causas de morte no mundo. De acordo com o Boletim Epidemiológico do Centro Estadual de Vigilância em Saúde do Rio Grande do Sul, em 2023 foram registrados no Brasil 17.009 óbitos por suicídio, o que corresponde a uma taxa de 8,6 mortes por 100 mil habitantes. No Rio Grande do Sul, o cenário é ainda mais preocupante, a taxa de mortalidade no mesmo ano alcançou 16,09 casos para cada 100 mil habitantes, quase o dobro da média nacional, fazendo com que o estado apresentasse a maior taxa de suicídio do país em 2023.
A ideação suicida envolve pensamentos sobre morrer, desaparecer ou tirar a própria vida. Ela pode variar de ideias passageiras até planos mais estruturados. Nem sempre esses pensamentos são visíveis, por isso a atenção ao contexto e ao comportamento é fundamental.
Sinais de alerta
Alterações comportamentais e emocionais podem ser indicativos de que algo não anda bem. Entre os sinais mais comuns estão:
-Mudanças significativas nos padrões de sono e alimentação.
-Isolamento social e distanciamento de amigos e familiares.
-Aumento do consumo de álcool ou drogas.
-Falta de interesse em atividades que antes eram prazerosas.
-Descuido com aparência pessoal e higiene.
-Falar ou postar nas redes sociais sobre sentimentos de desesperança, fracasso ou desejo de sumir, morrer.
Fatores de proteção
Fatores de proteção não “eliminam” o sofrimento, mas aumentam a capacidade da pessoa de passar por momentos difíceis.
-Rede de apoio;
-Acesso a apoio psicológico e/ou psiquiátrico;
-Crenças pessoais, espirituais ou culturais que favoreçam a preservação da vida;
-Possibilidade de falar abertamente sobre o que sente sem julgamento;
Onde buscar ajuda:
Brasil: CVV – 188 (24h) ou chat online.
Rede de Lajeado:
UPA- em caso de emergência.
Unidade de Saúde de sua referência.
CAPS.
Assim como os cartões com laços amarelos entregues pelos pais de Mike levaram uma mensagem de esperança, lembre-se: você não está sozinho na sua dor. Pedir ajuda é um gesto de coragem e pode salvar vidas.
Escrito por Ana Paula Gottardi- Psicóloga CRP 07/38362
Referências:
DIAS, Silas Barbosa. A luta pela vida no contexto do setembro amarelo. Vocare: Revista de Teologia da UniFil, v. 2, n. 4, p. 55-64, 2024.
GOMES, Wesley Faria; SANTOS, Carlos Fernando de Souza; FONSECA, Daniele Santos; SILVA, Yasmim Morais; NASCIMENTO, Juscilâine Patrícia dos Santos. MUSTANG 68: UM PODCAST COMO ESTRATÉGIA PARA ABORDAR O SETEMBRO AMARELO NA ESCOLA.
Rio Grande do Sul. Secretaria da Saúde. Centro Estadual de Vigilância em Saúde. Boletim epidemiológico: lesão autoprovocada e suicídio [recurso eletrônico] / elaborado por Claudia Weyne Cruz … [et al.]. Porto Alegre: CEVS/SES, 2025. 32 p.: il.; color.

