
Por que cursar Comércio Exterior?
Por Fernanda Cristina Wiebusch Sindelar, coordenadora do curso de Comércio Exterior
|Postado em: 25/09/2026, 15:34:25
|Atualizado em: 25/09/2026, 15:36:09
Com Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 24,23 bilhões em 2023 (IBGE, 2025), equivalente a 3,7% da economia do Rio Grande do Sul, a região do Vale do Taquari tem uma matriz produtiva vinculada à agroindústria, com destaque para os segmentos de carnes, laticínios, bebidas e doces. Essa produção é destinada a diferentes mercados no Brasil e no exterior, o que amplia a demanda regional por profissionais preparados para atuar em operações comerciais internacionais.
Desde 2020, as exportações do Vale do Taquari apresentam uma trajetória predominantemente ascendente. A única retração ocorreu em 2023, quando o valor exportado diminuiu 1,3% em comparação ao ano anterior. Em 2025, entretanto, as exportações regionais alcançaram US$ 509,5 milhões (aproximadamente 2,53% das exportações do Rio Grande do Sul), o maior valor registrado na história, com crescimento de 11,5% em comparação a 2024 e de 55,2% nos últimos 10 anos. Em termos regionais, os destaques foram os municípios de Cruzeiro do Sul, Lajeado e Encantado, os quais responderam por 73,7% do total exportado, segundo as estatísticas do Comex Stat (BRASIL, 2026).
A pauta exportadora regional reuniu diferentes produtos, embora pouco mais da metade das vendas tenha se concentrado em quatro grupos: gorduras de origem animal, com 20,6%; mate, com 12%; partes de calçados, com 11,5%; e carnes, com 10,6%. Juntos, esses produtos representaram 54,7% das exportações. Entre os principais destinos, destacaram-se os Estados Unidos, com 28,3%, seguidos por Uruguai (13,6%), Alemanha (11,8%), Chile (8,4%) e Argentina (5,4%).
Já as importações no Vale do Taquari totalizaram, em 2025, US$ 146 milhões, valor 24,7% superior aos US$ 117 milhões registrados em 2024. Esse foi o segundo maior resultado da série analisada, ficando abaixo apenas de 2021, quando as compras externas atingiram aproximadamente US$ 164 milhões.
Quanto à origem dos produtos, China, Alemanha, Uruguai e Índia responderam por 64% do total, evidenciando as conexões estabelecidas pelas empresas da região com fornecedores asiáticos, europeus e sul-americanos. Em termos municipais, Lajeado, Taquari e Arroio do Meio concentraram 71,1% das importações regionais. Considerando exportações e importações, o Vale do Taquari encerrou 2025 com superávit comercial de aproximadamente US$ 363,5 milhões.
Por trás dessas operações encontram-se profissionais responsáveis por planejar, organizar e acompanhar a entrada e a saída de produtos no País. O diplomado em Comércio Exterior identifica oportunidades de negócios e mercados, auxilia empresas na escolha de fornecedores e compradores e atua na organização de operações de importação e exportação. Na prática, suas atividades podem envolver a pesquisa de mercados internacionais, a formação de preços, a negociação com clientes e fornecedores estrangeiros, a contratação de transporte e seguros, a análise de custos, o acompanhamento de pagamentos e operações cambiais, a conferência de documentos e o cumprimento da legislação aduaneira. Esse profissional também pode participar do planejamento logístico, do desembaraço aduaneiro e da elaboração e análise de contratos internacionais.
Em uma operação de exportação, por exemplo, o profissional pode avaliar o mercado de destino, identificar possíveis compradores, analisar barreiras comerciais e exigências técnicas, calcular o preço de exportação e definir as condições de pagamento e transporte. Por outro lado, em uma importação, pode pesquisar fornecedores, comparar custos, verificar a incidência de tributos, avaliar riscos cambiais e acompanhar a mercadoria até sua entrega à empresa compradora. Nesse contexto, as atribuições do profissional de Comércio Exterior vão muito além dos trâmites de exportação e importação em si.
Para quem o curso de Comércio Exterior é indicado?
A graduação pode ser uma boa escolha para pessoas interessadas em negócios, economia, logística, em lidar com diferentes culturas e com as relações comerciais entre países. Também tende a despertar o interesse de quem deseja compreender como acontecimentos internacionais afetam as decisões das empresas e o funcionamento dos mercados.
Entre as habilidades requeridas desses profissionais estão a comunicação e negociação em diferentes contextos culturais, análise de mercados e cenários internacionais, tomada de decisão, liderança, trabalho em equipe e disposição para aprender idiomas. O estudante, no entanto, não precisa ingressar no curso dominando todas essas habilidades, pois elas podem ser desenvolvidas ao longo da formação acadêmica e das experiências profissionais.
Além disso, o profissional de Comércio Exterior precisa acompanhar permanentemente as transformações econômicas, políticas, tecnológicas e regulatórias internacionais. Os acontecimentos dos últimos anos demonstram como decisões políticas e conflitos internacionais podem interferir diretamente nas atividades das empresas. A guerra entre Rússia e Ucrânia, os conflitos no Oriente Médio e as escaladas envolvendo Israel, Irã e Estados Unidos afetaram o fornecimento e os preços de energia, alimentos, fertilizantes e minerais. Também provocaram alterações nas rotas marítimas, elevaram custos de transporte e seguros e contribuíram para a adoção de sanções e restrições comerciais.
Diante desse cenário, empresas e profissionais precisam acompanhar o ambiente internacional, diversificar mercados e fornecedores e avaliar continuamente os riscos associados às operações globais. Uma decisão de importação ou exportação não depende apenas do preço do produto: envolve condições cambiais, disponibilidade de transporte, estabilidade política, segurança das rotas, exigências socioambientais e legais e capacidade de cumprimento dos contratos.
Onde o profissional pode atuar?
Os diplomados em Comércio Exterior têm oportunidade de atuação em indústrias, empresas importadoras e exportadoras, empresas comerciais exportadoras, tradings, operadores logísticos, transportadoras, terminais portuários e aeroportuários, instituições financeiras, corretoras de câmbio, seguradoras e consultorias especializadas.
Também há oportunidades em órgãos públicos e instituições envolvidas na formulação, promoção, regulamentação ou fiscalização do comércio exterior. No ecossistema de apoio à internacionalização das empresas, destacam-se órgãos e entidades como o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a Receita Federal, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), a Invest RS e as secretarias de estado do RS. Entidades empresariais como Fiergs, Federasul e Fecomércio-RS também desenvolvem ações de representação, capacitação e apoio às empresas.

