
Por que estudar Gestão de Recursos Humanos?
Por Fernanda Cristina Wiebusch Sindelar, coordenadora do curso
|Postado em: 23/10/2026, 09:37:41
|Atualizado em: 23/10/2026, 09:46:05
As organizações, de maneira geral, precisam de pessoas para realizar suas atividades e atingir suas metas. Organizar os processos de gestão de pessoas, desenvolver suas capacidades e contribuir para a busca de soluções diante das novas demandas das organizações e dos profissionais constituem o campo de atuação do diplomado no curso de Gestão de Recursos Humanos (GRH).
Conforme o Catálogo Nacional de Cursos Superiores de Tecnologia do Ministério da Educação (MEC), entre as atribuições dos diplomados em GRH estão o planejamento, o gerenciamento e a aplicação de sistemas de gestão de pessoas. Segundo a diplomada Pâmela E. Hentges, as possibilidades para os profissionais que escolhem a área de Gestão de Recursos Humanos são diversas: é possível identificar-se com a área de Departamento Pessoal, focada em processos trabalhistas e operacionais, ou com a Gestão de Pessoas, voltada ao desenvolvimento humano e estratégico. “No meu caso, identifiquei-me com a área de Gestão de Pessoas. Atualmente, na função que ocupo, tenho interação com recrutamento e seleção de pessoas, comunicação interna e endomarketing, treinamento e desenvolvimento, diversidade e inclusão e business partners, áreas que têm grandes desafios e oportunidades. É um mercado dinâmico, no qual você pode se especializar no que mais combina com seu perfil”.
Por isso, saber se comunicar, reconhecer problemas e oportunidades, buscar informações em diferentes fontes e analisá-las de forma lógica e crítica para identificar a melhor solução, lidar com conflitos e manter discrição diante de assuntos sensíveis são competências a serem desenvolvidas ao longo do curso. Além disso, o profissional de Recursos Humanos (RH) precisa aprender a examinar situações concretas, interpretar dados e dialogar com diferentes setores antes de propor uma solução. Nem sempre os interesses dos diferentes grupos ou setores coincidem. Por isso, é importante saber conciliá-los, reconhecer os limites de uma decisão e tratar informações sobre pessoas com responsabilidade. Enfrentar situações como essas desenvolve uma competência central para a profissão: transformar escuta, conhecimento técnico e análise em ações viáveis.
As transformações tecnológicas tornam a Gestão de Recursos Humanos ainda mais estratégica. Segundo o relatório Artificial Intelligence and the Future of Entry-Level Work, publicado em 2026 pelo Fórum Econômico Mundial, em colaboração com a PwC, 37% dos trabalhadores jovens já estão em ocupações com exposição média ou elevada às mudanças provocadas pela inteligência artificial. Entre os mais de 9 mil profissionais em início de carreira consultados em 48 países, 28% consideram que, dentro de três anos, apenas metade ou menos de suas competências atuais continuará relevante. O estudo também alerta que a automação pode eliminar algumas das tarefas por meio das quais os jovens tradicionalmente aprendem uma profissão e desenvolvem experiência.
Esse contexto é confirmado pela diplomada Pâmela, que complementa: “Vemos o mundo e o mercado de trabalho passando por transformações de forma muito ágil, o que requer constantemente novas competências e habilidades. Diante desse cenário, a área de Gestão de Recursos Humanos será cada vez mais necessária para o desenvolvimento das empresas e dos funcionários. Atualmente, vivenciamos a inteligência artificial e as novas tecnologias, e a principal tendência continua sendo a humanização, pois, quanto mais tecnologia, mais essencial se torna o papel do RH no cuidado com a cultura organizacional, o bem-estar e a inclusão”. Nesse contexto, caberá cada vez mais aos profissionais de Recursos Humanos ajudar as organizações a redesenhar funções, criar oportunidades de aprendizagem, identificar novas competências e utilizar a tecnologia sem comprometer a formação de futuros especialistas e líderes.
Assim, as possibilidades de atuação são amplas. O egresso pode atuar em empresas de diferentes portes e setores — indústria, comércio e serviços —, cooperativas, organizações do terceiro setor, consultorias, instituições públicas, institutos e centros de pesquisa e instituições de ensino, entre outros espaços, conforme os requisitos de cada processo seletivo. Pode dedicar-se ao recrutamento e à seleção, ao treinamento e ao desenvolvimento, à gestão do desempenho, à remuneração e à análise de dados sobre pessoas ou atuar de maneira mais abrangente, especialmente em organizações menores. Com experiência e formação continuada, também pode assumir funções de coordenação e consultoria.
O curso de GRH destina-se a quem se interessa pelas relações humanas e pelos processos que sustentam uma organização. Para quem deseja contribuir para ambientes de trabalho mais produtivos, inclusivos e responsáveis, a formação abre caminhos para uma carreira conectada aos desafios atuais. Mais do que trabalhar com pessoas, o profissional de Gestão de Recursos Humanos participa da construção das condições necessárias para que elas possam aprender, colaborar e desenvolver seu potencial.
Referências:
Ministério da Educação. Catálogo Nacional de Cursos Superiores de Tecnologia. Disponível em: https://cncst.mec.gov.br/eixo-tecnologico?id=4&pagina=2.
World Economic Forum; PWC. Artificial Intelligence and the Future of Entry-Level Work. Disponível em: https://reports.weforum.org/docs/WEF_Artificial_Intelligence_and_the_Future_of_Entry_Level_Work_2026.pdf

