
Univates figura entre as 10 universidades mais empreendedoras do Brasil e lidera ranking nacional em duas categorias
Por Lucas George Wendt
|Postado em: 24/03/2026, 09:45:00
A Universidade do Vale do Taquari - Univates alcançou um desempenho de destaque no cenário da educação superior brasileira e figura entre as dez instituições mais empreendedoras do país, segundo o Ranking de Universidades Empreendedoras (RUE) 2025, elaborado pela Brasil Júnior. Além da posição no ranking geral, a instituição conquistou o primeiro lugar nacional em duas dimensões: Cultura Empreendedora e Infraestrutura, consolidando-se como uma referência no desenvolvimento de ambientes acadêmicos voltados à inovação e ao protagonismo estudantil.
O resultado ganha relevância quando analisado no contexto mais amplo da educação brasileira, historicamente marcada por desafios estruturais e desempenho aquém do esperado em avaliações internacionais. Dados do Programme for International Student Assessment (PISA) indicam que o Brasil ocupa posições superiores à 50ª colocação entre os 79 países participantes nas áreas de leitura, ciência e matemática.
No âmbito universitário, a situação também reflete limitações. Apesar de contar com cerca de 198 universidades, o Brasil ainda apresenta presença modesta em rankings globais de prestígio. A Universidade de São Paulo (USP), por exemplo, aparece como a instituição brasileira mais bem posicionada no ranking da Times Higher Education (THE), ocupando a 250ª posição. Já no ranking da Quacquarelli Symonds (QS), a USP figura na 115ª colocação, sendo acompanhada por apenas outras quatro universidades brasileiras entre as 500 melhores do mundo.
Em abril a Instituição deve receber uma distinção em evento nacional relacionado ao Prêmio.
O RUE
É nesse contexto de necessidade de transformação estrutural que iniciativas como o Ranking de Universidades Empreendedoras ganham importância. Criado pela Brasil Júnior, o RUE busca mapear e valorizar instituições que promovem uma formação voltada à inovação, à autonomia dos estudantes e à conexão com o mercado e a sociedade. A confederação, que reúne cerca de 30 mil estudantes por ano em mais de mil empresas juniores distribuídas pelas 27 unidades federativas, atua como um dos principais agentes de mobilização do empreendedorismo universitário no país.
A metodologia do ranking é baseada na análise de seis dimensões consideradas essenciais para a formação empreendedora no ensino superior. Entre elas estão aspectos como cultura institucional, infraestrutura, inovação, extensão, internacionalização e capital humano. A coleta de dados é realizada por meio de pesquisa de campo bienal, envolvendo tanto as instituições quanto seus estudantes. A partir dessas informações, são identificadas boas práticas, apontados desafios e atribuídas pontuações que resultam na classificação final.

Desempenho da Univates
No caso da Univates, o desempenho foi particularmente expressivo em duas dessas dimensões. Na categoria Cultura Empreendedora, a instituição conquistou o primeiro lugar nacional, com pontuação de 27,682, um indicador que reflete a capacidade da universidade de fomentar uma mentalidade inovadora entre seus estudantes, incentivando a criação de soluções, projetos e iniciativas com impacto social e econômico. Já na dimensão Infraestrutura, também liderada pela Univates com nota 10,307, são avaliados aspectos como qualidade dos espaços físicos, disponibilidade de laboratórios, acesso a tecnologias e ambientes que favoreçam o desenvolvimento de ideias e negócios.
A presença da Univates, a única instituição comunitária, no top 10 nacional assinala a relevância de instituições no avanço da educação superior brasileira. O ranking geral é liderado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), seguida pela Universidade de São Paulo (USP) e pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Completam as dez primeiras posições instituições como Universidade Federal de Itajubá (Unifei), Universidade Federal de Viçosa (UFV), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Universidade Federal de Lavras (UFLA), além da própria Univates e da Universidade de Brasília (UnB).
A reitora da Univates, Evania Schneider, destacou o significado do reconhecimento e ressaltou o papel coletivo da comunidade acadêmica na conquista. Segundo ela, “estar entre as universidades mais empreendedoras do Brasil e, especialmente, liderar duas dimensões tão relevantes do ranking, sendo uma universidade comunitária, é um resultado que reflete o compromisso institucional com a inovação e com a formação de estudantes protagonistas. Essa conquista não é de uma gestão ou de um setor específico, mas de toda a nossa comunidade acadêmica, que diariamente constrói um ambiente dinâmico, criativo e voltado para o futuro. Parabenizo professores, estudantes e colaboradores que fazem da Univates um espaço de transformação e desenvolvimento.”
Segundo a gestora, o desempenho institucional é resultado de um esforço coletivo, envolvendo diferentes atores e dimensões da universidade. A cultura empreendedora, por exemplo, é construída na Instituição a partir de uma mudança mais ampla na forma como o ensino é concebido e praticado. Um aspecto que demonstra a importância do tema na Instituição é o ensino do Empreendedorismo para todos os alunos de todos os cursos da Univates. Da mesma forma, a infraestrutura ultrapassa a realização de investimentos em prédios e equipamentos, integrando a criação de ambientes que estimulem a colaboração, a experimentação e a interdisciplinaridade.

Impacto positivo para a Universidade
O reconhecimento também contribui para ampliar a visibilidade da Univates em âmbito nacional, posicionando a instituição como um case no campo da educação empreendedora. Em um país marcado por desigualdades regionais, o destaque de uma universidade localizada no interior do Rio Grande do Sul é sugestivo do potencial de iniciativas descentralizadas e da importância de políticas que valorizem a diversidade do sistema educacional brasileiro.
A trajetória da Univates no ranking, que já figurou em 2021, também pode ser interpretada como um indicativo de maturidade institucional, pois a capacidade de se destacar em dimensões como cultura empreendedora e infraestrutura sugere que a universidade conseguiu consolidar políticas e estratégias consistentes ao longo do tempo, alinhadas às tendências globais da educação superior.
Em um contexto de rápidas transformações tecnológicas e sociais, a formação de profissionais com perfil empreendedor torna-se cada vez mais relevante. Não se trata de incentivar a criação de empresas, mas de desenvolver competências como pensamento crítico, criatividade, capacidade de resolver problemas complexos e disposição para assumir riscos calculados, habilidades essenciais no setor privado, mas também em áreas como gestão pública, terceiro setor e pesquisa científica.
A Brasil Junior
Desde sua criação, a organização tem buscado não apenas diagnosticar a realidade das universidades, mas também promover intervenções concretas. Um exemplo disso é o fato de que, após a apresentação do ranking no Congresso Nacional em 2019, foi possível viabilizar investimentos da ordem de 7 milhões de reais no ensino superior brasileiro, demonstrando o potencial da iniciativa em influenciar políticas públicas e estratégias institucionais.


