Saúde

Ambulatório da Univates oferece tratamento gratuito para pessoas do Vale do Taquari com feridas crônicas

Por Lucas George Wendt

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Postado em: 31/08/2026, 10:30:00

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Feridas que permanecem abertas por meses ou até anos podem comprometer a mobilidade, causar dor, reduzir a autonomia e interferir diretamente na qualidade de vida. Para pessoas com diabetes e outras condições que dificultam a cicatrização, o acompanhamento especializado é especialmente importante. No Vale do Taquari, um projeto de extensão da Universidade do Vale do Taquari – Univates oferece atendimento gratuito a pessoas que convivem com esse tipo de lesão.

O Ambulatório de Assistência para Tratamento de Feridas iniciou suas atividades em setembro de 2021 e, desde então, já atendeu dezenas de pacientes da região. Atualmente cerca de 12 pessoas estão em acompanhamento regular. Os pacientes são provenientes de municípios como Lajeado, Arroio do Meio, Marques de Souza e Estrela e chegam ao projeto por meio de encaminhamentos dos serviços de saúde da Univates, estágios curriculares ou por busca direta da comunidade.

Como a iniciativa surgiu?

A iniciativa surgiu a partir da identificação de uma demanda crescente por atendimento a pessoas com úlceras, especialmente nos membros inferiores, observadas na Clínica-Escola de Fisioterapia e nos estágios curriculares. O projeto passou, então, a constituir um espaço permanente de cuidado e também de formação para estudantes dos cursos de Fisioterapia e Estética e Cosmética.

Os atendimentos ocorrem no campus da Univates, em Lajeado, nos laboratórios do curso de Estética e Cosmética localizados no prédio 18. Os atendimentos são realizados em três dias da semana por estudantes voluntários e também são acompanhados por estudantes do curso de Medicina da Univates, sob coordenação da professora Giovana Sinigaglia. 

A maioria dos pacientes acompanhados apresenta feridas crônicas associadas a comorbidades, como diabetes melito e hipertensão arterial. Nesses casos, o tratamento exige avaliação individualizada e acompanhamento da evolução da lesão, considerando as características clínicas de cada pessoa.

Entre os recursos utilizados está a fototerapia , além de procedimentos e orientações relacionados ao cuidado da pele e das feridas. A conduta é definida a partir da avaliação de cada paciente, que pode incluir anamnese, exame da pele, acompanhamento fotográfico da lesão, higienização, escolha dos curativos e orientações para os cuidados em casa.

Como os pacientes evoluem em seus quadros 

A experiência acumulada pelo ambulatório também permite acompanhar a evolução dos pacientes ao longo do tempo. Em 2023, por exemplo, professores e estudantes passaram a utilizar registros de imagens das lesões como parte do acompanhamento clínico, permitindo avaliar os resultados e adaptar as condutas conforme a resposta de cada paciente. O projeto também promoveu oficinas sobre eletroterapia e manejo de feridas crônicas.

Em 2024, os procedimentos foram mantidos com avaliação individualizada, controle fotográfico, seleção de curativos e orientações de prevenção. Já em 2025, os atendimentos passaram a  ocorrer três vezes por semana, com relatos de benefícios clínicos e sociais entre os participantes, incluindo cicatrização mais rápida, redução de queixas relacionadas à dor, maior socialização, aumento da autoestima e mais autonomia nas atividades cotidianas.

Os números registrados nos relatórios do projeto mostram a continuidade do atendimento. Em 2022, foram atendidas 10 pessoas, com 340 participações. Em 2023, foram 14 pacientes e 236 participações. Em 2024, oito pessoas participaram do projeto, totalizando 358 participações. Em 2025 foram 11 pacientes e 167 participações. 

Além dos resultados clínicos, o ambulatório proporciona aos estudantes uma experiência prática de cuidado em saúde. O contato com pacientes que apresentam diferentes tipos de feridas permite que os acadêmicos desenvolvam competências relacionadas à avaliação, ao acompanhamento da evolução das lesões, à definição de condutas e à orientação dos pacientes.

Ao longo de sua trajetória, pelo menos cinco pacientes já tiveram as feridas completamente cicatrizadas e receberam alta do projeto. O resultado evidencia uma das dimensões do trabalho: o acompanhamento não se restringe à realização de procedimentos, mas busca contribuir para que o paciente avance no processo de recuperação e amplie sua autonomia.

A proposta também aproxima a Universidade de uma demanda concreta da população regional. Por meio da extensão, conhecimentos produzidos e desenvolvidos no ambiente acadêmico são aplicados em situações reais, enquanto as necessidades observadas no atendimento contribuem para a formação dos estudantes.

Pessoas interessadas em buscar atendimento podem entrar em contato com o curso de Estética e Cosmética da Univates pelo e-mail estetica@univates.br.

Diana Polekhina/Unsplash

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