
Curso de Medicina qualifica docentes para o atendimento de estudantes com necessidades específicas de aprendizagem e neurodivergentes
Por Lais Pontin Matos
|Postado em: 25/08/2026, 16:16:19
|Atualizado em: 25/08/2026, 17:17:06
O curso de Medicina da Universidade do Vale do Taquari - Univates realiza uma formação docente voltada à qualificação de práticas pedagógicas para o atendimento de estudantes com necessidades específicas de aprendizagem e neurodivergências, como Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH), dislexia e outras condições que podem impactar o desenvolvimento acadêmico. A capacitação faz com que os professores compreendam a diversidade humana e reconheçam as diferentes formas de aprender, contribuindo para a construção de ambientes educacionais mais inclusivos, acolhedores e equitativos.
“A formação amplia o olhar sobre a inclusão, fortalece a empatia e a escuta qualificada, favorece a compreensão e a remoção de barreiras arquitetônicas, atitudinais e pedagógicas e viabiliza a adoção de estratégias didático-pedagógicas fundamentadas na equidade, no respeito às singularidades e na promoção de oportunidades de aprendizagem para todos”, comenta Roberta Pozza, coordenadora do curso de Medicina. Ela menciona que a capacitação foi concebida em resposta à necessidade crescente de ampliar a discussão sobre inclusão e neurodiversidade nos campos da educação e da saúde.
Entendemos que seria importante preparar os docentes para atuarem de forma ética e humanizada, com base em evidências. Queremos atender às demandas da educação superior, que busca garantir acessibilidade, permanência e sucesso acadêmico para os estudantes.
Roberta PozzaAline Pin Valdameri, psicopedagoga do Núcleo de Apoio Pedagógico (NAP) e coordenadora e psicopedagoga do Núcleo de Apoio aos Estudantes de Medicina (Napem), explica que a formação utiliza diferentes estratégias metodológicas que favorecem a construção do conhecimento de modo ativo, crítico e contextualizado. “Destacam-se os momentos de reflexão, os estudos de caso, as discussões de situações reais vivenciadas nas áreas da saúde e da educação, a análise de evidências científicas sobre neurodiversidade e inclusão, as rodas de conversa e o compartilhamento de experiências entre estudantes e professores. As estratégias adotadas têm como base o Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA), abordagem que ajuda a promover a acessibilidade, a participação plena dos acadêmicos, a articulação entre teoria e prática e o fortalecimento da atuação profissional em ambientes inclusivos”, pontua.
“Já conseguimos observar resultados positivos. Percebemos um aumento da conscientização sobre neurodiversidade e inclusão, a redução de estigmas e a desconstrução de barreiras relacionadas às diferenças de aprendizagem e desenvolvimento, o desenvolvimento de atitudes mais empáticas e acolhedoras e a ampliação da capacidade dos professores de identificar necessidades específicas e implementar estratégias de apoio e adaptações que favoreçam a aprendizagem. No contexto da formação médica, a capacitação pode contribuir para que os futuros profissionais compreendam a importância de um cuidado centrado na pessoa, reconhecendo as particularidades de cada indivíduo e promovendo uma assistência mais humanizada, inclusiva e efetiva”, afirma Aline.
Roberta ressalta que promover a inclusão na formação médica ultrapassa a dimensão do acolhimento.

Nosso objetivo é instrumentalizar toda a comunidade acadêmica (estudantes e professores) para atuar com equidade em um sistema de saúde heterogêneo. Ao investir na capacitação, a Univates reafirma seu compromisso com uma educação de qualidade, inclusiva, equitativa e alinhada às demandas contemporâneas da sociedade e da saúde. Nosso curso preocupa-se em formar profissionais que reconheçam singularidades e sejam ativos na eliminação de barreiras sistêmicas em todos os espaços de ensino e prática. A Medicina moderna exige que compreendamos que a diversidade neurocognitiva faz parte da experiência humana e requer um cuidado tecnicamente robusto, socialmente responsável e profundamente humanizado.
Roberta PozzaIncluir é necessário
Mãe atípica, a professora do curso de Medicina Fernanda Rocha da Trindade participou da formação. No depoimento abaixo, ela reflete sobre a importância de ampliar o conhecimento sobre neurodiversidade no ambiente acadêmico e a necessidade de promover uma educação cada vez mais inclusiva, acolhedora e atenta às singularidades de cada estudante.
“Ser neurodivergente é observar e viver o mundo de uma forma diferente. Além da escola, a minha filha realiza cinco terapias semanais e eu a acompanho em todas. As terapias são para promover a igualdade de oportunidade e o seu desenvolvimento. Ela tem apenas 4 anos, é nível 2 e não verbal. O desafio diário é imenso.
Hoje vejo adultos neurodivergentes na graduação, e isso gera alegria e esperança. Esperança de um mundo que aceita o diferente (pergunto: Somos todos iguais? Aprendemos e nos comunicamos da mesma forma?). Como ser humano, em sala de aula, procuro incluir todos os estudantes e penso na aplicação do Plano Educacional Individualizado (PEI) aos que precisam.
Lembro que cada estudante é o filho de alguém. Dar o suporte necessário ao estudante não é “facilitar” a vida dele, e sim proporcionar que ele viva a própria vida. Ser aprovado ou não é outra questão. Inclusão é lei, mas ela precisa ser mais do que isso. Não é fácil, mas é possível”.

