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E-book reúne pesquisas da pós-graduação da Univates e propõe novas perspectivas para pensar o currículo escolar

Por Lucas George Wendt

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Postado em: 30/06/2026, 11:45:00

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O Programa de Pós-Graduação em Ensino (PPGEnsino) da Universidade do Vale do Taquari - Univates passa a disponibilizar à comunidade acadêmica e aos profissionais da educação o e-book Currículo em perspectiva: olhares e práticas docentes, obra organizada por Yuri Jorge Almeida da Silva, doutorando em Ensino na Univates. 

O livro reúne reflexões produzidas por estudantes de mestrado e doutorado a partir da disciplina Estudos do Currículo, ofertada em 2025. Publicado por Pedro & João Editores, apresenta sete capítulos que discutem o currículo como um campo de disputas sociais, políticas e culturais, ultrapassando a compreensão tradicional de que ele se resume a uma lista de conteúdos escolares.

De onde parte a obra

A publicação resulta de um processo coletivo de produção científica desenvolvido no âmbito do PPGEnsino e conta com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Segundo a apresentação da obra, os textos foram escritos majoritariamente por professores em exercício, pós-graduandos, mestrandos e doutorandos, que buscaram compartilhar experiências e análises fundamentadas em referenciais contemporâneos sobre estudos curriculares, especialmente nas contribuições do pesquisador Tomaz Tadeu da Silva.

O livro parte da compreensão de que o currículo representa um espaço de construção de experiências, subjetividades, identidades e relações de poder, influenciando diretamente a formação dos estudantes e as práticas desenvolvidas nas instituições de ensino. A proposta da publicação é, assim, ampliar o debate sobre essas questões para além do ambiente universitário, oferecendo subsídios para que professores, pesquisadores e gestores possam refletir criticamente sobre suas próprias práticas pedagógicas.

Os textos 

Organizado em sete capítulos, o e-book percorre diferentes dimensões do currículo contemporâneo. O primeiro texto, assinado por Adriana Brum Bitencourt e Adriana Vanessa Fell Mallmann, apresenta um panorama histórico das teorias curriculares e discute a necessidade de compreender o currículo como um conjunto de escolhas éticas, culturais e políticas. As autoras analisam a evolução das teorias tradicionais, críticas e pós-críticas, destacando como cada uma delas interpreta a função da escola e os processos de seleção dos conhecimentos considerados legítimos para compor a formação escolar. Também problematizam fenômenos contemporâneos, como a personalização dos percursos formativos, a algoritmização das práticas educacionais e a influência das avaliações em larga escala sobre a organização do ensino.

No segundo capítulo, o organizador Yuri Jorge Almeida da Silva parte de experiências vivenciadas em escolas para discutir os limites do modelo tradicional de currículo. O autor argumenta que ainda predominam concepções fortemente influenciadas pela racionalidade industrial do início do século XX, centradas na padronização, na mensuração de resultados e na eficiência produtiva. Ao analisar políticas educacionais recentes e mecanismos de avaliação externa, o texto questiona a responsabilização individual atribuída aos professores e propõe a construção de currículos mais flexíveis, capazes de dialogar com a diversidade social, cultural e tecnológica da contemporaneidade. Para o pesquisador, pensar o currículo significa também discutir que sujeitos a escola pretende formar e quais conhecimentos são legitimados ou invisibilizados nesse processo.

A relação entre currículo, subjetividade e governamentalidade constitui o eixo central do capítulo "Curricularizando vidas", de André Luiz Nogueira de Sousa. O autor analisa como políticas públicas e discursos educacionais contemporâneos procuram produzir determinados modos de ser, atribuindo aos indivíduos a responsabilidade por seu próprio desempenho e sucesso. A partir de referenciais de Michel Foucault e Tomaz Tadeu da Silva, o texto problematiza conceitos como empreendedorismo, educação financeira e competências socioemocionais, defendendo que o currículo deve ser compreendido como um espaço permanente de disputas simbólicas e de construção democrática do conhecimento.

As discussões sobre diversidade e justiça social aparecem de forma mais direta no capítulo "O branqueamento do currículo", também escrito por Yuri Jorge Almeida da Silva. Inspirado pela obra *Amnésia*, do artista Flávio Cerqueira, o autor analisa a permanência de perspectivas eurocêntricas na produção e circulação dos conhecimentos escolares. O texto argumenta que o currículo ainda reproduz processos de invisibilização de saberes negros, afro-brasileiros e indígenas, contribuindo para o chamado epistemicídio. Ao longo do capítulo são discutidas legislações que determinam o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena, além da necessidade de construir práticas pedagógicas comprometidas com uma educação antirracista e decolonial.

Os capítulos seguintes ampliam o escopo das reflexões ao abordar diferentes dimensões das práticas educativas. Camila Baseggio Gräff discute alternativas para pensar o currículo como espaço coletivo de formação, contrapondo-se às lógicas utilitaristas e mercadológicas. Já Juan Sebastian Romero Ramirez, Johnatan Bernal Murcia e Yuri Jorge Almeida da Silva analisam o papel da Educação Física na formação integral de estudantes colombianos. E André Luiz Nogueira de Sousa encerra a obra examinando os gestos pedagógicos de um professor de Língua Portuguesa em uma escola da Colômbia, enfatizando como a presença, a subjetividade e as relações humanas também constituem elementos curriculares.

Convergências 

Embora os capítulos abordem temas distintos, todos compartilham um mesmo horizonte teórico: de compreender o currículo como uma construção histórica, atravessada por relações de poder e permanentemente aberta à transformação. Em vez de oferecer respostas definitivas, os autores procuram provocar novas perguntas sobre os sentidos da educação, a seleção dos conhecimentos escolares e os desafios enfrentados pelas instituições de ensino diante das profundas mudanças sociais, culturais e tecnológicas das últimas décadas.

Divulgação

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