
Inclusão escolar: um processo que vai além do acesso à escola
Por Laura Alexandre Correa
|Postado em: 18/06/2026, 15:54:23
|Atualizado em: 18/06/2026, 15:57:16
A inclusão de estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), distúrbios no comportamento e atraso no desenvolvimento vai além da garantia do acesso à escola, sendo um processo que também envolve a atualização de práticas pedagógicas dentro das instituições de ensino.
Esse é o assunto abordado na pesquisa realizada por Elziane Pereira Ferro, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia da Universidade do Vale do Taquari- Univates, juntamente com os pesquisadores, Noeme da Silva Freitas, Arlete Souza da Silva Nascimento, Cristiane Morais Ferreira e Lidineia Chaves de Carvalho. intitulada “Inclusão escolar e desenvolvimento de alunos com necessidades educacionais específicas no Ensino Fundamental I”. O texto foi desenvolvido no contexto das atividades profissionais da mestranda.
A experiência, conduzida ao longo do ano letivo de 2024, teve como foco o desenvolvimento integral dos estudantes, respeitando suas particularidades e estimulando suas potencialidades, buscando promover participação ativa, autonomia e pertencimento, pilares fundamentais da educação inclusiva.
Como o estudo foi realizado?
O trabalho foi baseado em um relato de experiência com abordagem qualitativa, realizado em uma turma do 4º ano do Ensino Fundamental de uma escola pública no município de Presidente Figueiredo, no Amazonas. A pesquisa acompanhou alunos com necessidades educacionais específicas, como TEA e TDAH, a partir das práticas desenvolvidas em sala de aula. Foram utilizadas estratégias como atividades lúdicas, leitura compartilhada, dinâmicas em grupo e rotinas organizadas, sempre adaptadas às necessidades dos estudantes.
O desenvolvimento dos alunos foi acompanhado de forma contínua, por meio de observações e registros feitos pela professora titular da turma. Além disso, o trabalho contou com o apoio da sala de recursos e com a participação das famílias. Ao longo do processo, as práticas foram ajustadas conforme as respostas dos alunos, buscando sempre favorecer a aprendizagem, a participação e a inclusão.
Os resultados
Os resultados não demoraram a aparecer. Alunos que antes apresentavam dificuldades de interação passaram a se envolver mais nas atividades coletivas, fortalecendo vínculos com colegas e professores. Houve também avanços na comunicação oral e escrita, além de mais autonomia na realização de tarefas. O ambiente da sala de aula se tornou mais colaborativo, marcado pelo respeito às diferenças e pelo desenvolvimento da empatia.
Outro aspecto do projeto foi o uso do reforço positivo como estratégia pedagógica. Pequenas conquistas passaram a ser valorizadas diariamente, contribuindo para o fortalecimento da autoestima dos estudantes. A confiança adquirida refletiu diretamente no engajamento escolar e na disposição para aprender.
De modo geral, os resultados encontrados pelos autores confirmam a ideia de que a inclusão escolar constitui um processo viável e importante quando fundamentado em relações de acolhimento, escuta qualificada e planejamento pedagógico intencional, tendo o docente um papel destacado como agente de transformação no ambiente escolar, capaz de superar obstáculos à aprendizagem por meio de práticas pautadas na sensibilidade, na dedicação e na mediação pedagógica.
Os resultados, dessa forma, convergem com os pressupostos da Base Nacional Comum Curricular (BNCC, 2018), que propõe uma educação orientada ao desenvolvimento integral dos estudantes, valorizando competências como empatia, cooperação, autonomia e respeito às diferenças.

