Institucional

Liderança feminina marca gestão e reflete trajetórias consolidadas de reitora e vice-reitora da Univates

Por Lucas George Wendt

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Postado em: 07/03/2026, 08:00:00

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O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, tem sido historicamente um momento de reflexão sobre conquistas, desafios e transformações nas relações de gênero. No contexto do ensino superior brasileiro, a presença feminina em posições de liderança representa um dos sinais mais visíveis dessas mudanças. 

Na Universidade do Vale do Taquari – Univates, o cenário se materializa na gestão 2025–2028, conduzida pela reitora Evania Schneider e pela vice-reitora Cíntia Agostini, duas trajetórias profissionais vinculadas à instituição e ao desenvolvimento regional. Anteriormente, na gestão 2021-2024, a Universidade também teve duas mulheres ocupando cargos de reitora e vice-reitora, respectivamente, Evania Schneider e Fernanda Storck Pinheiro. 

A liderança compartilhada entre as duas gestoras é representativa de movimento mais amplo da presença feminina nos espaços decisórios do ensino superior. Se, por décadas, as estruturas universitárias foram predominantemente ocupadas por homens, nas últimas décadas observa-se um processo gradual de transformação, com mulheres assumindo funções de coordenação, direção e reitoria em diversas instituições. 
 

Professora Evania Schneider

Antonio Luiz Marini Marchi

A caminhada de Evania Schneider

A história profissional de Evania Schneider confunde-se, em muitos aspectos, com a própria história recente da Univates. Natural de Bom Retiro do Sul, ela construiu boa parte de sua carreira vinculada à instituição, acumulando ao longo do tempo experiências em ensino, gestão acadêmica e liderança institucional.
Sua formação acadêmica iniciou-se na área da gestão. Evania graduou-se em Ciências Contábeis na Fundação Alto Taquari de Ensino Superior (FATES), em 1992. Posteriormente, buscou ampliar sua formação com uma especialização em Administração e Formação de Recursos Humanos. Anos depois, também concluiu graduação em Administração e mais uma especialização em Gestão Universitária, fortalecendo sua base teórica e prática na área de gestão organizacional. A trajetória acadêmica inclui ainda mestrado em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), concluído no início dos anos 2000.

Seu vínculo com a Univates iniciou-se em 1996, quando ingressou na instituição como professora. A atuação docente concentrou-se principalmente em disciplinas relacionadas à gestão de pessoas, liderança e comportamento organizacional. O período foi importante para consolidar sua experiência no ensino superior e também para aproximá-la das dinâmicas institucionais da universidade.

Ao longo dos anos, a atuação de Evania passou a incluir funções de gestão acadêmica. Ela assumiu a coordenação de cursos de graduação e pós-graduação, especialmente na área de Administração e Gestão de Pessoas, etapa que demarcou um momento importante de sua carreira, marcando o início de sua participação mais direta nos processos de governança universitária.

Entre os anos de 2014 e 2017, Evania assumiu a direção do Centro de Gestão Organizacional da Univates, unidade responsável por cursos da área de gestão. A função ampliou significativamente suas responsabilidades administrativas e estratégicas, colocando-a em posição de liderança dentro da estrutura acadêmica da universidade.

Posteriormente, entre 2017 e 2020, atuou como diretora de Desenvolvimento de Pessoas da instituição. Nesse cargo, esteve à frente de políticas relacionadas à gestão de recursos humanos, incluindo processos de formação, avaliação e desenvolvimento profissional dos colaboradores da universidade, experiência que contribuiu para consolidar sua trajetória como gestora.

Em 2021, Evania Schneider assumiu a reitoria da Univates. A nomeação representou o ponto mais alto de uma trajetória institucional iniciada 25 anos antes, quando ingressou como professora. Na função de reitora, passou a liderar a universidade em suas dimensões acadêmica, administrativa e estratégica, conduzindo a instituição em um período marcado por desafios importantes, como as transformações no ensino superior e os impactos de crises sociais e ambientais na região do Vale do Taquari.

Reeleita para o mandato 2025–2028, Evania dá continuidade ao processo de liderança institucional. Para ela, o exercício da gestão universitária implica responsabilidade com a formação acadêmica, mas também com a construção de ambientes institucionais mais inclusivos e equitativos.

No contexto do Dia Internacional da Mulher, a reitora destaca que a data representa um marco histórico associado às lutas por direitos e reconhecimento. Segundo ela, além do caráter simbólico, o momento também funciona como um chamado à responsabilidade institucional para promover ambientes acadêmicos mais justos e seguros para todas as pessoas.

A presença feminina no ensino superior

A presença de mulheres no ensino superior brasileiro passou por mudanças significativas nas últimas décadas. Hoje, elas representam maioria entre os estudantes de graduação e ampliaram sua participação também na pós-graduação e na produção científica.

No entanto, a presença feminina em posições de liderança institucional ainda é um processo em consolidação. Embora o número de mulheres em cargos de gestão universitária tenha crescido, persistem desafios relacionados a desigualdades estruturais e culturais.

Na avaliação de Evania Schneider, entre os avanços mais significativos está justamente o aumento da presença feminina em funções de coordenação, direção e reitoria, o que se verifica na Univates. A mudança indica uma transformação nas estruturas decisórias do campo acadêmico, historicamente associadas à presença masculina.

Ao mesmo tempo, ela reconhece que obstáculos ainda permanecem. Entre eles estão a sobrecarga decorrente da dupla jornada, barreiras implícitas à progressão na carreira e vieses inconscientes presentes em processos de avaliação e seleção. Para superar essas limitações, segundo a reitora, é necessário um esforço institucional contínuo, capaz de promover mudanças estruturais e culturais nas organizações.

Na Univates, a presença feminina é expressiva em diferentes níveis da instituição. Dados do Relatório Social de 2024 indicam que as mulheres representam 68,44% do quadro de colaboradores da universidade, sendo maioria também em cargos de coordenação, gerência e direção, além de predominarem em atividades de docência e pesquisa.
 

Cintia Agostini

Antonio Luiz Marini Marchi

Cíntia Agostini e a articulação entre universidade e desenvolvimento regional

Se a trajetória de Evania Schneider evidencia uma construção institucional voltada à gestão universitária, o percurso profissional de Cíntia Agostini destaca-se pela forte conexão entre universidade, desenvolvimento regional e atuação pública.

Natural de Marques de Souza, Cíntia é professora da área de Gestão na Univates e construiu uma carreira marcada pela atuação em temas relacionados ao desenvolvimento econômico e social do Vale do Taquari. Graduada em Ciências Econômicas em 2002, possui mestrado em Ambiente e Desenvolvimento (2008) e doutorado em Desenvolvimento Regional (2018).

Sua relação com a Univates começou em 1996, ainda durante a graduação, quando atuou como bolsista em projetos de pesquisa. Ao longo do tempo, passou por diferentes funções na instituição, transitando por áreas acadêmicas e administrativas, tal diversidade de experiências contribuiu para ampliar sua compreensão das dinâmicas institucionais e regionais.

Além da atuação docente, Cíntia consolidou uma trajetória importante na articulação entre universidade e território. Um dos espaços mais destacados dessa atuação é o Conselho Regional de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat), organização voltada à formulação de estratégias para o desenvolvimento da região.

Inicialmente envolvida como secretária executiva do conselho, ela posteriormente assumiu a presidência da entidade (por diversas gestões), assim como a vice-presidência, tornando-se uma das principais vozes na discussão de políticas de desenvolvimento regional. A atuação incluiu participação em debates sobre infraestrutura, planejamento regional e estratégias de crescimento econômico.

Outro espaço relevante de sua atuação foi o Parque Científico e Tecnológico do Vale do Taquari - Tecnovates, onde desempenhou funções de coordenação administrativa. O parque tecnológico representa um importante ponto de conexão entre universidade, inovação e setor produtivo, promovendo iniciativas de pesquisa aplicada e empreendedorismo.

Tal combinação de atividades acadêmicas e institucionais fez com que Cíntia se tornasse uma figura conhecida no debate público regional. A partir disso, sua participação frequente em entrevistas, debates e iniciativas institucionais contribuiu para ampliar a visibilidade da universidade em temas relacionados ao desenvolvimento do Vale do Taquari.

Trajetórias que se encontram na gestão universitária

Embora tenham percursos profissionais distintos, as trajetórias de Evania Schneider e Cíntia Agostini apresentam pontos de convergência, na medida em que ambas têm origens em famílias que representam o processo comum na região, construíram carreiras fortemente vinculadas à Univates e desenvolveram experiências em diferentes áreas da instituição antes de chegar aos cargos de liderança.

As trajetórias encontram respaldo no modelo de gestão universitária baseado no conhecimento profundo da instituição e de sua relação com a região, pois ao longo de décadas de atuação, as duas gestoras participaram de processos que envolveram tanto a expansão acadêmica, quanto o fortalecimento da pesquisa, desenvolvimento de políticas institucionais e ampliação do diálogo com a comunidade regional.
Na gestão 2025–2028, a mescla de experiências se traduz em uma liderança que integra dimensões acadêmicas, administrativas e o pensamento territorial. 
Para além da instituição

A presença de duas mulheres à frente da Univates, no segundo mandato consecutivo em que são duas mulheres à frente da Universidade regional, é um marco na trajetória da Universidade em dois planos: no simbólico e no institucional, pois pode ser entendida como reflexo de transformações estruturais nas universidades e na sociedade.

No contexto universitário mais amplo, essas mudanças também se relacionam com a necessidade de construir ambientes institucionais mais diversos e inclusivos. A diversidade de experiências e perspectivas tende a fortalecer os processos decisórios e ampliar a capacidade das instituições de responder aos desafios contemporâneos. Na Univates, a presença feminina na liderança institucional se soma a outras iniciativas voltadas à promoção da equidade de gênero e ao fortalecimento da participação das mulheres na ciência, na docência e na gestão universitária.
 

Professoras Cintia Agostini e Evania Schneider

Antonio Luiz Marini Marchi

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