
Pesquisa aponta necessidade de reconfiguração do modelo de ensino em sala de aula após a implantação do Novo Ensino Médio
Por Laura Alexandre Correa
|Postado em: 10/04/2026, 11:00:15
|Atualizado em: 10/04/2026, 11:01:18
O Novo Ensino Médio, instituído por meio da Lei nº 13.415/2017, reformulou a estrutura da Educação Básica ao ampliar a carga horária dos estudantes e reorganizar o currículo em dois eixos: a formação geral básica, voltada às disciplinas tradicionais; e os itinerários formativos, que permitem o aprofundamento em áreas de interesse ou a formação técnica. Mais do que uma mudança estrutural, o novo modelo impõe desafios significativos no cotidiano escolar, especialmente aos professores, que precisam adaptar suas práticas pedagógicas, incorporar novas metodologias e atuar de forma mais integrada diante das exigências de um ensino cada vez mais flexível e interdisciplinar.
Em pesquisa realizada pelos professores da Universidade do Vale do Taquari - Univates Derli Juliano Neuenfeldt e Kári Lúcia Forneck, pelo bolsista de iniciação científica Willian Cauã Fell e pelo doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Ensino pela Univates Lindomar Pereira de Souza, intitulada “O que os docentes da área de Linguagens de uma escola do município de Lajeado/RS/BR dizem sobre a implantação do Novo Ensino Médio?”, buscou-se compreender a percepção dos professores sobre o novo modelo educacional no contexto escolar. Os resultados apontam, no contexto investigado, transformações na prática docente, estudo das novas diretrizes acompanhado de formação docente, resultando em qualificação dos processos de ensino.
O estudo foi desenvolvido em uma escola privada da Rede Sinodal de Educação, em parceria com a Universidade, e adotou abordagem qualitativa e descritiva. A produção de informações envolveu cinco professores da área de Linguagens – dois de Língua Portuguesa, um de Língua Inglesa, um de Artes e um de Educação Física –, com o objetivo de analisar como esses profissionais vivenciam, na prática, a implementação do Novo Ensino Médio. As entrevistas, previamente agendadas, foram realizadas em uma sala da própria escola, gravadas e posteriormente transcritas, garantindo mais fidelidade e rigor na análise das informações.
Como desafios identificados no estudo, foram destacados a necessidade de novas metodologias de ensino, de migrar do trabalho individual para o coletivo, da interdisciplinaridade, dos planejamentos coletivos para integração das áreas. Inicialmente esse processo de mudança é acompanhado de sentimentos de ansiedade, insegurança e de abertura para o novo. Em contrapartida, após a experimentação da docência nessa nova organização curricular, os docentes afirmaram que não têm o desejo de retornar ao método anterior de ensino, pois está sendo uma experiência enriquecedora para os estudantes e em termos de colaboração entre os profissionais.
Por meio da pesquisa realizada, foi possível constatar que, após a construção de uma proposta para o Novo Ensino Médio, da qual os professores participaram e receberam formação, houve a transformação da prática docente, de um ensino mais individual para um trabalho mais coletivo e interdisciplinar, tornando-se uma experiência enriquecedora, contudo desafiadora.

