Pesquisa

Pesquisa avalia relação entre atividade física e qualidade de vida em indústrias da região do Vale do Taquari

Por Laura Alexandre Correa

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Postado em: 14/05/2026, 14:08:46

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Atualizado em: 14/05/2026, 14:13:00

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Um estudo realizado com trabalhadores de indústrias do Vale do Taquaril revelou um cenário que desafia o senso comum: mesmo com altos níveis de atividade física, a maioria dos profissionais apresenta excesso de peso - fator diretamente associado à pior qualidade de vida.

A pesquisa, desenvolvida pelas nutricionistas Rafaela Wietholder, Émili Goergen e Ana Júlia Bauer, orientada pela coordenadora do curso de Nutrição da Universidade do Vale do Taquari - Univates, Fernanda Scherer Adami, analisou 158 trabalhadores de duas empresas da região. Buscou compreender a relação entre estado nutricional, prática de atividade física e qualidade de vida no ambiente industrial.

Os resultados indicam que 60,1% dos participantes estão acima do peso, enquanto 95,6% são considerados fisicamente ativos ou muito ativos. Ainda assim, o excesso de peso se mostrou um dos principais fatores negativos para o bem-estar dos trabalhadores.

A maioria dos participantes da pesquisa era composta por mulheres (73,4%), com idade média de 35,9 anos e carga horária semanal de aproximadamente 45 horas. Em relação à escolaridade, predominou o ensino médio completo. Já no estado nutricional, além do alto índice de sobrepeso, cerca de 22,8% dos trabalhadores foram classificados como obesos.

Qualidade de vida

A análise da qualidade de vida foi realizada avaliando quatro dimensões: física, psicológica, social e ambiental. Entre os trabalhadores avaliados, os melhores resultados apareceram nos aspectos sociais e psicológicos. Isso indica que, de forma geral, os participantes mantêm boas relações interpessoais, redes de apoio e estabilidade emocional.

Por outro lado, o domínio ambiental apresentou os piores índices, evidenciando dificuldades relacionadas a fatores como: condições de trabalho, segurança, acesso a lazer, infraestrutura e situação financeira.

Os pesquisadores compreendem que o  resultado aponta que, embora os trabalhadores consigam manter relações sociais satisfatórias, enfrentam desafios que impactam diretamente sua qualidade de vida.

Peso elevado
Um dos principais pontos do estudo foi a relação direta entre o Índice de Massa Corporal (IMC) e a qualidade de vida. Os dados mostram que, quanto maior o IMC, pior é a percepção de bem-estar nos aspectos físico, psicológico e ambiental.

Na prática, isso significa que o excesso de peso não afeta apenas a saúde física, mas também aspectos emocionais e a forma como o trabalhador percebe o ambiente em que vive e trabalha.

A pesquisa identificou, por exemplo, que trabalhadores com obesidade apresentaram índices significativamente mais baixos no domínio ambiental, o que pode estar relacionado a dificuldades de mobilidade, de acesso a atividades de lazer e até limitações no cotidiano laboral.

Atividade física

Um dado que chama atenção é que, apesar da alta adesão à atividade física, não foi encontrada relação significativa entre o nível de exercício e a qualidade de vida. Ou seja, mesmo com a maioria dos trabalhadores sendo considerada ativa, isso não foi suficiente para melhorar os indicadores analisados.

As especialistas apontam que esse resultado pode estar relacionado a outros fatores, como: alimentação inadequada, estresse ocupacional, jornadas de trabalho extensas, condições ambientais desfavoráveis. Dessa forma, a prática de atividade física isolada não garante, por si só, uma boa qualidade de vida.

Recomendações a partir do estudo 

Os resultados do estudo reforçam a necessidade de uma abordagem mais ampla na promoção da saúde dos trabalhadores. Entre as principais recomendações estão: implementação de programas de educação alimentar, incentivo a hábitos saudáveis no ambiente de trabalho, melhoria das condições estruturais e ambientais,
ações voltadas à saúde mental.

Para as pesquisadoras, investir na qualidade de vida dos trabalhadores não traz benefícios apenas individuais, mas também organizacionais, refletindo em maior produtividade, satisfação e redução de afastamentos.

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