Inovação, PPGAD, PPGBIOTEC

Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul destaca projeto Biovales, com participação da Univates, durante gravação de podcast na Expointer

Por Lucas George Wendt

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Postado em: 14/09/2026, 13:00:00

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O projeto Biovales: Centro de Análises de Compostos Bioativos dos Vales, desenvolvido com a participação da Universidade do Vale do Taquari - Univates, recebeu destaque durante a Expointer 2026. A iniciativa foi tema de uma gravação de podcast realizada no evento pela Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (Sict), em entrevista conduzida pelo diretor-geral da Secretaria, Sandro Kirst.

A professora Lucélia Hoehne, da Univates, e Ângela Braun, integrante do Núcleo de Projetos da Universidade, participaram da gravação para apresentar o projeto, aprovado no Edital InovaRS 2022. O episódio deverá ser divulgado pela Sict no site da Secretaria após o período eleitoral, em novembro, ampliando a visibilidade de uma iniciativa que articula instituições de ensino, pesquisa e empresas em torno da inovação, da bioeconomia e do desenvolvimento regional.

O destaque dado ao Biovales na programação da Expointer demonstra a inserção do projeto em uma agenda que aproxima ciência, inovação e produção. Desenvolvida de forma colaborativa, a iniciativa reúne a Univates, a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs), a Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) e as empresas Syntalgae Sustainable e Inovamate. A parceria concentra esforços na investigação de compostos bioativos presentes em matérias-primas com potencial de agregação de valor para os Vales do Taquari e do Rio Pardo.

Divulgação/Acervo pessoal

O projeto parte de uma questão que ganha progressiva relevância para os sistemas alimentares e produtivos: a busca por fontes de nutrientes capazes de combinar qualidade nutricional, diversificação produtiva e menor impacto ambiental. Nesse cenário, as Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs) e as microalgas constituem o principal campo de interesse do Biovales.

As PANCs abrangem espécies vegetais com potencial alimentício que ainda possuem presença limitada nos hábitos cotidianos de consumo e nos mercados convencionais. Muitas delas são plantas rústicas, adaptadas às condições locais e capazes de oferecer nutrientes, fibras, vitaminas, minerais e outros compostos de interesse. As microalgas, por sua vez, apresentam elevado potencial como fonte de proteínas, lipídios, vitaminas, minerais e pigmentos naturais, entre outros componentes que podem ser explorados pela indústria de alimentos e por diferentes cadeias produtivas.

A principal proposta do Biovales é desenvolver uma metodologia rápida, de menor custo e ambientalmente mais adequada para a análise de compostos bioativos em plantas e microalgas cultivadas na região. O trabalho utiliza técnicas analíticas do tipo ecofriendly, que reduzem a necessidade de reagentes químicos tóxicos e buscam tornar os processos de análise mais sustentáveis.

A metodologia combina a espectrometria de infravermelho com ferramentas matemáticas para calibrar e estimar a presença de compostos de interesse, como carotenoides e ácido clorogênico. Em termos práticos, a pesquisa buscou criar um procedimento capaz de analisar amostras com maior agilidade e contribuir para a identificação e a quantificação de substâncias que podem agregar valor às matérias-primas regionais.

Divulgação/Acervo pessoal

Uma vez validada, a metodologia pode ampliar seu campo de aplicação, servindo para outras matérias-primas e alcançando diferentes regiões do Rio Grande do Sul e, potencialmente, outros contextos produtivos. O conhecimento sobre a composição dos produtos representa um elemento estratégico para o desenvolvimento de novos mercados, processos e produtos, especialmente em segmentos associados à bioeconomia.

A expectativa é de que os resultados gerados pelo Biovales também possam repercutir na geração de oportunidades para pequenos produtores e empresas, contribuindo para a qualificação das atividades produtivas, a criação de conhecimento, o empreendedorismo e o desenvolvimento tecnológico. A iniciativa está alinhada à perspectiva de transformar recursos e competências existentes nos territórios em soluções inovadoras, por meio da articulação entre universidades, empresas e políticas públicas de inovação.

Os conhecimentos produzidos pelo projeto já foram compartilhados em atividades como palestras e minicursos, ampliando o acesso a informações sobre espécies estudadas e seus compostos bioativos. A presença do Biovales na programação vinculada à Sict durante a Expointer, portanto, também projeta o trabalho desenvolvido nos Vales do Taquari e do Rio Pardo para um dos principais espaços de encontro do agronegócio, da ciência e da inovação no Estado.

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